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28.6.12

Insolação do gramado

Muitas vezes mencionei em análises de estádios aqui no blog o fato da cobertura ter um trabalho de transparência para melhor insolação. Hoje vou dar mais alguns detalhes de com isso é feito.

A melhor situação para a sobrevivência do gramado e com uma qualidade igual pelo campo todo, sem falhas, se deve geralmente à quantidade de luz solar que a grama recebe. No entanto, com a maioria dos estádios sendo semi ou totalmente cobertos, passou a ser um grande problema garantir essa qualidade do campo, principalmente com o tipo de cobertura do estádios ingleses, que avançam até o fim das arquibancadas, beirando o campo, e restringindo o acesso da luz natural durante boa parte do dia. 

O que deve ser feito, portanto, é estudar a localização, o percurso do sol ao longo do dia e dos dias (ao longo do ano), para fazer um desenho com películas mais transparentes, que permitam a passagem da luz solar e a possibilidade de fotossíntese e não procriação de pragas no gramado.

O sol nasce próximo ao leste e se põe próximo ao oeste¹ e seu percurso é levemente inclinado ao norte. 
Os países ao norte do equador, devem prever uma transparência mais ao sul, enquanto os países do hemisfério sul devem prever mais ao norte. Dentre o leste e oeste, para ambos, é mais interessante prever a abertura para o Oeste, para pegar o sol mais intenso do período da tarde. Portanto, Noroeste para o hemisfério sul e sudoeste para o hemisfério norte.


O estádio Allianz Arena tem essa transparência sua cobertura bem nítida, feita com ETFE, material de excelente qualidade. Podemos ver que sua abertura é mais para sudoeste, como previsto acima. Há uma parte para leste, assim o sol da manhã também atinge certas partes do campo.


O estudo da insolação, por sua vez, pode ser feito por meio de programas de computação e em protótipos em laboratório de conforto ambiental (geralmente também tem nas universidades), onde pode ser colocada uma maquete, iluminação artificial e uma carta solar que pode orientar dia e hora em qualquer parte do ano. Com as iluminações obtidas podem ser feitas as anotações de iluminação no campo.

Carta Solar


Para a Copa 2014², o Hype Studio, escritório responsável pelo projeto do Beira-Rio fez o estudo da iluminação no campo antes e depois da cobertura que já está em andamento. Veja abaixo os gráficos (clique para ampliar):





Um dos estádios que mais sofreu com este problema é o estádio de Wembley que perdeu muito dinheiro nas recorrentes trocas de gramado e críticas de jogadores. Para reverter o problema é necessária um tipo de iluminação artificial específico e nas fotos abaixo podemos ver o estádio de Wembley e do Real Madrid com esse tipo de iluminação:



Leia mais sobre a iluminação artificial, os alertas para a Copa e a opinião de Artur Melo, engenheiro agrônomo, que já deu colaboração aqui para o blog:



¹ Equinócio: Somente dois dias do ano, em março e em setembro, onde o sol nasce exatamente no leste e se põe exatamente no oeste. É também o momento em que o dia e a noite tem exatamente o mesmo tempo.
² Para a Copa 2014, a maioria dos estádios irão propor transparência na cobertura.

21.6.09

Cidades-sede: Porto Alegre



Uma das cidades com melhor qualidade de vida do país, é também a mais preparada atualmente para sediar uma Copa do Mundo. Com um projeto de reforma do estádio Beira-Rio bem desenvolvido, pelo Hype Studio, Porto Alegre também se demonstra adiantada no cronograma de reformas e investimentos.

Por ser extremamente organizada, ter muito suporte e apoio em investimentos, Porto Alegre teria dois estádios disponíveis para a Copa do Mundo de 2014. No entanto, pelas normas da FIFA, somente 1 estádio por cidade pode se candidatar. No caso, seria o Beira-Rio, do Inter, mas há uma proposta do Grêmio.
Embora o projeto do Grêmio seja muito bom.... é muito improvável que desbanque o projeto arquitetônico E urbanístico apresentado.




O projeto do escritório Hype Studio, trabalha muito bem, não só a reforma do estádio em si, como também o entorno, incluindo uma boa parte da orla do Rio Guaíba. Esse projeto sim, promove um espaço para a cidade. Não é um falso discurso como outros estados têm feito.

Em relação ao estádio, será feita a cobertura em PTFE para toda a arquibancada, feita aos poucos, em módulos de estrutura metálica, arquibancada inferior para adequação aos padrões das exigências da FIFA, camarotes e centro de mídia. No entorno, a partir de investimentos privados de outras empresas, ainda a serem fechados, haverá vários equipamentos como um centro clínico especializado em medicina esportiva, hotéis e até mesmo uma marina.




Pode ser notada, também, a disposição de Campos de treinamento nas laterais do estádio (foto abaixo)



É bem essa questão que eu penso quando digo sobre a característica da região para sustentar o estádio. Nenhum estádio pode sobreviver de ingressos, muito mesmo porque a população brasileira não tem dinheiro para pagar altos custos. Além disso, se sobe o valor, elitiza-se o esporte que é um dos únicos que permite a todos independente de credo, cor, classe, enfim...

Neste caso, as características particulares da região foram analisadas e promovidos então, equipamentos condizentes, que não são clichês (restaurantes, shoppings, museus, lojas) e que acrescentam algo para a cidade e para a realização da Copa. Sem dúvida, também trará retorno com turismo pela arquitetura do estádio.
Pode ser vista uma grande preocupação aos acabamentos e detalhes finais de projeto (abaixo a esquerda). Tudo parece estar muito bem definido e bastante trabalhado.


A única crítica que talvez possa fazer ao Beira-Rio é que a arquibancada poderia ser mais próxima ainda do campo, rebaixando o campo como outros fizeram. No entanto, por estar às margens do rio, pode ser a questão que impediu esse serviço. Também vale mencionar que alguma semelhança com o estádio Nelson Mandela Bay, em Elizabeth Port, (acima a direita) já foi sentida por algumas pessoas, embora eu ache a proposta brasileira mais simpática do ponto de vista de design e disposição das "baias" para as redes televisivas. Bom, o escritório Hype Studio fez uma visita aos estádios da África do sul e à estádios europeus e, do meu ponto de vista, chegaram a um design legal.
Sem dúvida, em Porto Alegre, o projeto deixará um legado muito positivo. Principalmente se o Grêmio também der continuidade ao projeto, pois desenvolverá outra região da cidade e também promoverá a qualidade do futebol. É muito ruim quando um ou outro time somente tem uma infra-estrutura exemplar e outros treinam com muito menos infra-estrutura.

O principal desafio da cidade no momento é a construção da extensão do metrô para facilitar o acesso, arrumar as parcerias (que aparecerão facilmente, creio eu), e verificar mais algumas melhorias em acesso, como facilidades em ciclovias pela orla, e melhorias na principal via de acesso.

Por enquanto, Porto Alegre é a cidade-sede que respira mais sossegada e que mais dá segurança a uma boa representação do país na Copa. A população no Sul, em geral, tem uma educação muito boa, são bastante prestativos, garantindo a receptividade, e, portanto, em termos de turismo, pode ter melhorias na ampliação da rede hoteleira característica da região e não tão grande preocupação com a instrução de mão-de-obra como outras regiões exigem.

O arquiteto do Hype Studio também deu uma entrevista para o Portal da Copa onde esclarece algumas questões do projeto e ainda no site do escritório pode ser vista uma infinidade de imagens do projeto que deixam bastante claras as intervenções. Não me resta nada a dizer além de parabéns pela organização de Porto Alegre.

Quem tiver opiniões contrárias, por favor deixem comentários, pois ainda não vi grandes críticas à cidade.
Todas as fotos foram retiradas do site da Hype Studio e do Portal da Copa - exceto a do Nelson Mandela Bay, achada do Google mesmo.
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