Livraria Cultura

Mostrando postagens com marcador Canindé. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Canindé. Mostrar todas as postagens

19.4.13

Estádio Centenario, Montevideo, Uruguai

Esta última semana estive no Uruguai e claro que não poderia deixar de passar no estádio que recebeu a primeira Copa do Mundo FIFA, na qual o próprio Uruguai foi campeão, vencendo a Argentina.

Na época o evento era bem menor e contava somente com 13 seleções. O estádio em questão é de 1930 e foi inaugurado bem próximo ao início dos jogos. 

Atualmente ele é referência histórica e é bastante desatualizado em termos do que consideramos ideal à segurança, funcionalidade, qualidade e conforto. O estádio conta com um museu do futebol, sem grande projeto arquitetônico, mas que conta com itens interessantes como camiseta antiga do Pelé, itens do Maracanzo (jogo em que o Uruguai venceu o Brasil em pleno Maracanã) e demais itens referentes às conquistas uruguaias, que já venceu duas vezes uma Copa do Mundo. Hoje também é sede de uma escola.


Acesso

O estádio fica em meio a um parque, com bastante área de escoamento do público em uma parte. Em outras, colado à via. Felizmente, Montevideo não tem um trânsito muito caótico, embora não tenha visto o trecho em dia de jogo. Como há um grande parque em volta do estádio, de certas partes ele nem pode ser bem avistado, muito mesmo por ele não ser tão alto em relação aos estádios de hoje.

Segurança

As muretas que limitam cada anel do estádio são baixíssimas, em concreto. Se houvesse  hoje uma remodelação, no mínimo colocariam um peitoril transparente, garantindo segurança e visibilidade. 
São 4 saídas de emergência, uma em cada canto do estádio, mas contam com longas escadarias, o que acaba com facilidade em esvaziar o local. A presença de fossos o caracteriza bem pela sua idade. São vários desníveis e fossos, inclusive com água na parte atrás do gol, revelando também o comportamento da época e talvez ainda atual.



Não há quase nada de sinalização o que é bem complicado em casos de pânico e emergências.

Os assentos são todos inadequados perante os ideais atuais. A parte superior dos anéis mais altos são como o estádio da portuguesa, o Canindé (SP), com degraus vazados como na foto abaixo. Na maior parte do estádio são assentos plásticos fixados nos degraus, como eram muitos de nossos estádios até pouco tempo. Atrás do gol há uma parte reservada às torcidas organizadas, com pouco desnível nos degraus, sem assentos e totalmente protegida com grades, revelando mais uma vez a violência nos estádios, característico da América Latina (sem deixar livre países como Inglaterra, Holanda, Alemanha, etc.).



 

 Há somente um telão, grande e suficiente para as informações. Banheiros são bastante problemáticos. Entrei em um feminino, com somente três gabinetes, bastante escuro e sem ventilação. A higiene também deve ser bem complicada. O estádio estava bastante sujo no momento da visita.

Sanitário feminino

Iluminação

A iluminação do campo deve ser suficiente já que a seleção uruguaia joga ali. Embora não tenha visto funcionando, ela é dos modelos mais antigos também.

Fachada

A fachada não tem nada de especial como os que temos hoje, sem estruturas aparentes ou revestimentos funcionais e/ou estéticos. Recentemente foi pintado e hoje apresenta desenhos futebolísticos em parte de sua  fachada voltada à rua. 

Em momento algum critico o estádio, só o comparo com o que seria ideal nos dias de hoje com todos os manuais da FIFA em questão e com os padrões de Copa do Mundo. Sem dúvida é um patrimônio para o futebol, marco do início de um evento que se tornou o mais importante do futebol mundial.

A visita ao estádio custa 5 reais e pode ser paga tanto em reais, pesos uruguaios, pesos argentinos ou dólar americano, o que facilita o passeio turístico.

*Todas as fotos foram tiradas por mim em 16 de Abril de 2013.

11.11.11

Canindé e sua arquitetura

O Canindé era o único estádio de São Paulo que até mês passado não havia visitado. No entanto, ele foi o primeiro estádio que vi na minha vida, afinal, ele sempre foi parte da minha paisagem no trajeto diário Atibaia-São Paulo, no início da faculdade. Sempre quis conhecer direito e ele sempre foi um marco pra mim na marginal. Tanto como referência pela arquitetura, quanto por localização. É por este motivo e pelo título de campeão da série B, que conseguiram na terça passada (08-09-11) e retorno para a Série A do futebol brasileiro que analiso o estádio desse time histórico.

Estádio Doutor Osvaldo Teixeira Duarte

Após ser chamada de Ilha da madeira pelas estruturas de madeira de suas arquibancadas, passar pelas mãos do São Paulo e enfim chegar às mãos da Portuguesa (que se formou da união de cinco times lusitanos), o estádio do Canindé recebeu projeto de Vilanova Artigas (autor do Morumbi e da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP) e de Hoover Américo Sampaio, que foi quem teve o projeto escolhido e é o que podemos ver hoje. A partir da década de 50, a arquitetura paulista começou a empregar muito o concreto armado. Com o tempo começou uma tendência brutalista, que consistia, resumidamente, em uma arquitetura bruta, crua. Com estruturas simples, expostas (vigas, pilares, calhas) em concreto aparente e geralmente pesadas, o brutalismo abrangia várias linguagem, mas geralmente com formas bem nítidas, lisas e pesadas. Imagino eu, que esta possa ser considerada uma arquitetura brutalista, no entanto, não consegui confirmar isso, infelizmente.

Segundo Ruth Verde Zein em sua tese de doutorado disponível online, afirma que são poucas as fontes fidedignas sobre o brutalismo, sendo este, mal-compreendido.

Ruth Verde Zein ainda menciona como o brutalismo foi inserido nos equipamentos esportivos:


"...equipamentos projetadospara um grande público, com solicitações limite em termos de resistência e flexibilidade estrutural, destinada a uma frequência de uso, cada vez maior, por camadas populares - o que induzia poder prescindir-se  ou simplificar-se os tradicionais cuidados de acabamento habitualmente empregados quando os espaços dessa natureza eram destinados às elites (caso, por exemplo, das tribunas do Jóquei Clube de São Paulo, construídas na década anterior, acabadas com materiais nobres e realizadas em estilo clássico simplificado)."
Ruth Verde Zein, em "A arquitetura da escola paulista brutalista - 1953 - 1973" de Setembro de 2005.

Hoje, o estádio da portuguesa está desatualizado em relação às normas de segurança e capacidade também, entre muitos outros fatores. Com a escolha do Brasil para a Copa de 2014, fomentou-se muito a idéia de que o Canindé tem uma posição privilegiada para o evento e cogitou-se uma reforma drástica. De fato a proximidade à maior rodoviária da América Latina (rodoviária do Tietê) e do aeroporto internacional de guarulhos (Cumbica) é fator interessante para um evento deste porte. No entanto, o Canindé tem problemas similares aos do Morumbi, o entorno. Se aumentarmos muito a capacidade do Canindé, a segurança fica ainda mais problemática e o trânsito pior ainda. No jogo em que fui dia 28 de outubro,  Lusa x Ponte Preta, notei o drástico problema viário em torno do estádio e ele nem estava lotado - com um ótimo público pelo sucesso da apelidada Barcelusa e por ser Série B do campeonato, mas ainda pequeno.

Atualmente a arquibancada (assentos - degraus) teriam que ser completamente remodelados, principalmente ao se tratar de acessibilidade e segurança. É exigido, hoje, que haja cadeiras numeradas, assentos e rampas para deficientes, distâncias máximas para evacuação do local e em todos os quesitos o estádio peca. Claro que por conta de novas exigências, desde a expanção do futebol ele exige novos comportamentos de público e de espaço então é natural ter que se adaptar com o tempo.

Abaixo algumas fotos que tirei nesse jogo em que estive presente (a qualidade da câmera do celular é ruim, infelizmente, mas podemos notar os detalhes da arquibancada.
 Acima, os degraus das arquibancadas sem o anel superior descobertas) - até mesmo um vendedor  acostumado aos degraus, caiu neste dia. Abaixo, podemos ver como as placas de publicidade tiram a visibilidade da lateral do campo e como os 15 primeiros degraus da arquibancadas são cegos.

 Acima, os refletores que marcam de longe o estádio na Marginal Tietê (foto de Thiago Salata, retirada da internet); Abaixo, uma foto da festa da portuguesa ao lado do estádio, podendo ver um pouco da estrutura do anel superior;


Por fim, a imagem que me marcou bastante; o estádio Canindé visto do outro lado da Marginal, em frente à rodoviária do Tietê.

Na minha opinião, o estádio deveria sim ser reformado, por segurança do público e qualidade do estádio, mas focando o brasileirão e regionais, como o paulista e possíveis outros eventos. Numa reforma, seria muito provável mudar a cobertura e ampliá-la. No entanto, acredito que a estrutura em si, do estádio deva ser preservada - no sentido de mantê-la exposta e não cobrir com algum vedamento lateral. 

Recentemente também vi, por acaso, que alguns colegas de faculdade e de workshop, fizeram, juntos, uma proposta para a Portuguesa. Acesse o link do escritório Arkiz para ver o projeto aqui. Abaixo uma prévia do projeto que eles divulgaram no site:


Soube que já foi feita uma entrevista pela São Paulo Antiga, com o arquiteto Hoover Américo Sampaio, responsável pelo Canindé de hoje, e estou pedindo que eles coloquem no ar novamente. Caso seja possível, postarei aqui.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...