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3.8.09

Cidades-sede: Manaus

Penúltima cidade a ser estudada, Manaus apresenta um dos projetos mais grandiosos para essa Copa. Ao mesmo tempo que pessoas alegam que o Vivaldão se tornará um grande elefante branco, vejo nele, mais potencialidade para o evento e para o pós-copa que muitos outros.

Como já mencionei aqui várias vezes, enxergo a construção de um estádio como a construção de inúmeros equipamentos para que este funcione adequadamente. A contrução de um estádio implica na construção de hospital de qualidade nas proximidades, vias de acesso capazes de suportar grande fluxo de pessoas e também carros, melhorias no transporte público (seja metrô, ônibus, trem, bonde, VLT, VLP, enfim... qualquer um), facilidades na comunicação, saneamento, existência de uma rede hoteleira significativa, sinalização adequada na cidade como um todo (de preferência em português E inglês).

Vemos que o desenvolvimento no país tem seu foco na região sudeste/sul. A copa levará, obrigatoriamente, às outras regiões um investimento que trará maior desenvolvimento urbano a essas regiões, dando oportunidade dessas regiões ganharem mais espaços e visibilidade em algumas áreas em que se destacam.

Além disso, o projeto apresentado, na minha opinião é um dos melhores. Um dos poucos dignos de Copa do Mundo. Começarei pela plasticidade. Sem dúvida, é um cartão-postal e sendo um, atrai o turista, gerando renda também na pura visitação. Além disso, a cobertura faz referência à cultura local e fauna: o trançado de um cesto de palha e as escamas de lagartos e cobras. Para a construção, o único material que não é nacional é a cobertura em PTFE, que é extremamente importante para a plasticidade em si e para a garantia de insolação suficiente no gramado (pois tem vários níveis de translucidez). A estrutura da cobertura é metálica, garantindo uma montagem rápida e ausência de formas de madeira que são geralmente grande parte do desperdício da construção civil.


Materiais (entulhos) da implosão do antigo Vivaldão, serão usados em aterros em regiões próximas, ou na construção deste novo estádio, que também tem parte em concreto armado, já que é um dos materiais mais em conta no país.
Sobre sua implantação, em torno do estádio há uma "esplanada" (não tão grande quanto em outros estádios propostos, mas suficiente), que garante uma circulação livre dos torcedores, melhorando a acessibilidade, evacuação e segurança. Sobre a acessibilidade, podemos ver na foto acima, à esquerda, que os acessos à parte interna do estádio são nítidas pela inexistência da película de PTFE. Já sobre o acesso para quem vem de carro, ou pelos funcionários, profissionais, etc, também parece ser bastante fácil, já que o estacionamento (como vemos no corte abaixo, à direita) é dividido em 3 níveis, em uma parte e em 2 níveis em outra, permitindo acesso direto a áreas específicas e podendo ter as divisões internas necessárias e especificadas pela FIFA, garantindo entrada exclusiva de atletas, mídia, VIP, FIFA, etc.


Internamente, o arquiteto Ralf Amann, diz em entrevista, para o Portal da Copa, que o estádio não prevê lojas ou equipamentos no interior do estádio, embora o governo esteja estudando opções de comércio no entorno. Ao meu ver, está indo contra todos os estudos que já se provaram eficientes. Todos os estádios, hoje, juntam funções e atividades para a manutenção do equipamento que tem alto custo. Para isso, as atividades tem que ser dentro! Sendo fora, serão mais estruturas e equipamentos a serem mantidos, ou seja, eleva-se o custo de manutenção e a renda dessa "opção de comércio" tem que ser muito alta para sustentar os custos de suas próprias estruturas + o estádio. Além disso, sendo fora, o estádio fica parado.
No caso, não é culpa de quem projeta, mas de quem pede. Sem dúvida os arquitetos tem noção de que hoje os estádio não servem somente para futebol, e tentam proporcionar uma arquitetura aberta a outros usos, proporcionando flexibilidade à estrutura. Embora seja feito da melhor forma pelos profissionais, não é o arquiteto o responsável pelo estudo de programação. Claro que podem ser feitas sugestões, mas o governo tem mais condições para formular o programa de atividades por ter mais noção dos potenciais da região.

No caso de Manaus, um dos pontos que estão estudando é o uso do estádio para outros esportes, que não o atletismo. Pela sua forte cultura, muitos eventos podem ser levados ao estádio posteriormente ao evento. Exposições, Cursos, congressos, feiras nacionais e internacionais, adicionando equipamentos que salientem a cultura, fauna e/ou flora da região. Há mercado e várias opções para isso. No entanto, tem que ser feito um grande estudo. Martelo nesta questão pois acredito que esse deveria ter sido o primeiro passo a ser dados por TODOS os estádios. Antes do estádio deveria ter vindo o estudo de coisas que podem funcionar junto aos jogos de futebol, num mesmo espaço.

Podemos ver que, na imagem abaixo, até o paisagismo, mesmo que ainda em estudo, já representava bem a flora nativa com esse "canteiro" de vitórias-régias. Na verdade há duas imagens diferentes, essa com o paisagismo, e a outra com um piso desenhado que dá certa continuidade bastante discreta ao desenho da cobertura. Imagino que elas se complementem pois vi no livro "Vitrine ou Vidraça: desafios do Brasil para a Copa de 2014", do sinaenco, uma foto mesclada.
Abaixo, à direita, a visão de uma sala VIP.



Voltando às questões da cidade, o turismo manauara é o potencial, principalmente ao se mencionar o ecoturismo. Ponto que deve favorecer muito o país com a imagem sustentável que queremos passar para os turistas e como país exemplo neste âmbito.
Em palestra no 4º Salão do turismo, Manaus apresentou um material em que dizem se preparar para a Copa promovendo reformas na rede viária, melhorando a mobilidade urbana e rede hospitalar, ampliação e modernização da rede hoteleira e reurbanização da região metropolitana.
A representante do estado também disse que estão se preparando para melhorar a recepção do turista através da capacitação de profissionais na prestação de serviços. Dentre estes serviços, taxistas, recepcionistas de hotéis e, principalmente, de gastronomia, setor que mais recebe críticas de turistas. A rede hoteleira será ampliada, principalmente porque o principal ideal é o retorno do turista depois da copa, pela maior visibilidade do país e de Manaus, local de necessária visitação pela maioria dos turistas estrangeiros.

Sobre o transporte, nesta mesma palestra foi mencionado o investimento que o Aeroporto Internacional Eduardo Gomes receberá, sendo ampliado e proporcionando ao turista europeu um acesso muito mais lógico, diminuindo o tempo de vôo, já que hoje ele deve fazer escala em São Paulo. Além do aeroporto, deve ser realizada a construção da ponte Manaus-Iranduba e a promoção de barcos turísticos (projeção para 280 unidades até 2014) e de um Terminal Fluvial Turístico, próximo ao Mercado Municipal Adolpho Lisboa).

Foram mencionadas outras questões bastante interessantes quanto aos intuitos de manaus e que seu público alvo seriam os japoneses e chineses pelo tipo de turismo que Manaus proporciona.
Os pontos salientados foram:
-Construção do centro de convenções do Amazonas: para 20.000 pessoas (rouba um pouco o uso que o estádio poderia ter, mas enfim, existem N atividades);
-Projeto paisagístico na orla dos rios;
-Fim das palafitas;
-Drenagem dos rios;
-Sinalização turística (até 2010);
-Centros de treinamentos em Manaus + 5 cidades (impulsionando o desenvolvimento do futebol na região e o surgimento de novos talentos);
-Centro de atendimento turístico no aeroporto + policiamento turístico;
-Operadoras de pesca esportiva (embora eu, particularmente, não ache isso muito bem visto, assim como as touradas);
-Aumento do número de táxis;
-Previsão de 700 pessoas estudando em cursos de idiomas como qualificação para 2010 (pouquíssimo para a oitava cidade mais populosa do país) - houveram duas palestras com duas represetantes, uma dizia ser 300 qualificados, outra 700, em diversos idiomas, no entanto, acho que ambos os dados sejam abaixo do necessário.

Como principal preocupação, vejo como o desmatamento da Amazônia. Deve ser feito algo a partir de agora, já que já deveria ter sido feito há muito tempo. A não obtenção de um bom resultado, pode ferir muito a imagem do país já que a mídia do mundo todo estará por aqui mostrando o que tem de melhor e de pior no país, e todas nossas características.

O foco de Manaus é o turismo, e com um estádio destes e facilidades no acesso (vôos, principalmente) e custos de passagens, favorecerá não só o turista estrangeiro, como o brasileiro. Uma comparação que foi feita pela representante de Manaus, foi que o paulista, por exemplo, viaja facilmente ao Recife e justifica que Manaus é longe. No entanto, Manaus rebate dizendo que o tempo de vôo é igual e o custo cairá para R$480,00.

Bom, finalizando, acho que Manaus tem um grande potencial e começou com o pé-direito, no entanto, tem coisa para ser trabalhada ainda. Provavelmente fará jus ao país e ainda terá um bom retorno, desde que tudo seja estudado cautelosamente.

28.5.09

Vivaldão

Há uns dias escrevi o post sobre o Vivaldão, estádio para Manaus, e logo vi no blog Casa do Torcedor um ponto de vista diferente sobre a construção do mesmo. Quem quiser dar uma olhada, o blog publicou sua opinião e, também, um post com os meus recados deixados anteriormente. Vale a pena dar uma olhada, pois é um blog com muitas informações.

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