Livraria Cultura

26.10.09

Carro elétrico brasileiro

Em Setembro, no Blog Arquibancada, publiquei um texto sobre os carros elétricos, no Brasil, e sobre estacionamentos solares (que imitam florestas). Essa semana, encontrei, sem querer, uma matéria mais antiga , publicada pelo jornal Metro (gratuito e entregue nas ruas de São Paulo). A matéria datada de 8 de Julho de 2009 menciona qual seria o preço do carro se fosse vendido no varejo atualmente (R$145.000) e a situação em que ele se encontra: constantemente em evolução e sendo disponibilizado, inicialmente, somente às parceiras da Fiat. Em Julho, totalizavam 21 carros circulando e a Fiat previa 50 até Julho de 2010.

Lembro que o alto custo e a restrição é devido ao momento de desenvolvimento/lançamento do automóvel. Lembro, também, que qualquer nova tecnologia só consegue ser barateada conforme as compras aumentam. É nessa hora que entram as grandes empresas, que podem fazer uso da imagem que as novidades tecnológicas trazem e fomentar essa redução dos custos de produção.

Clique para ver a matéria do jornal Metro.


*Acompanhem os posts do Blog Arquibancada, pois é bastante complementar aos que aqui publico e direcionados à Copa 2014.

24.10.09

Incheon Stadium



Como comentei no post anterior... este aqui é dedicado ao Incheon Stadium, na Coréia do Sul, estádio este que sediará a 17ª edição dos Jogos asiáticos, em 2014.

Desenhado pelo escritório Populous (antigo HOK) junto ao Heerim Architects and Planners , este projeto proporciona à cidade uma imensa área verde que funcionará como parque público.

O estádio é adaptável: abrigará 70.000 torcedores para os jogos de 2014, mas, posteriormente, reduzirá sua capacidade para 30.000, tornando-o sustentável no dia a dia.

Novamente, menciono a importância da referência da cultura local com a arquitetura e com o urbanismo. Além de ser algo que agrega valor, pode ajudar na funcionalidade. Neste caso, a cultura adotada é representada pelo ritual budista, as danças Seung Moo. Segundo o arquiteto Daekwon Park, " Na arquitetura, assim como na dança, movimentos dinâmicos criam a forma, mas também podem ser reconhecido os espaços vazios gerados no entorno de sua forma." O arquiteto refere-se ao Yin e Yang, formas complementares, que é representado na implantação do estádio. Ainda segundo o arquiteto, "o espaço restante, em volta dessa forma do yin e yang, torna-se o acesso principal à construção".


Acesso principal e a semelhança ao Yin e Yang.

Nas imagens acima podemos ver o trabalho de fluxos realizado. Dessa forma, o estádio fica integrado à malha urbana e ao parque proposto, sem se tornar uma barreira. Além disso, nota-se claramente a idéia de que o estádio é para ser usado pela comunidade, deixando livre o acesso do parque às arquibancadas. Dessa forma, indiferentemente ao relevo, diminui-se a necessidade de escadas ou rampas de acesso, podendo ser utilizado o "eixo" como uma longa e suave rampa, se necessário. O trabalho de paisagismo, que os projetos brasileiros (não só de estádios) geralmente nem pensam em trabalhar (por opção de clientes que não vêem a importância), aparece neste projeto como fator fundamental à demarcação de trajetos e à qualidade da infra-estrutura urbana.

Dos percursos podemos salientar o principal, que dividiria ao meio o Yin e Yang, e os percursos menores, que ligam pontos estratégicos do entorno e entre os equipamentos desse abundante parque. Dessa forma, demarca-se o paisagismo, que pode ser trabalhado com vegetações diferentes, e tornando-o racional e não aleatório. Passarelas, em ambos os lados colaboram com a fluidez do projeto visando o pedestre e bicicletas. De qualquer forma, o automóvel não é esquecido - podemos ver os bolsões de estacionamentos.

Segundo o escritório Populous, o sucesso de tal projeto está ligado à concretização da idéia de deixar esse estádio com acesso facilitado aos moradores, assegurando o real significado do termo sustentável e deixando um verdadeiro legado à cidade.



A cobertura, como podemos ver acima, flui do design, saindo do chão, assim como no Estádio solar do arquiteto Toyo Ito. Mais um ponto que suaviza o impacto visual do equipamento.

O trabalho foi escolhido através de um concurso, prática pouco realizada no Brasil, infelizmente. A proposta era desenvolver o projeto de um estádio de 400 milhões de dólares para ser a sede principal do evento.

Fontes:

Asian Games 2010

16.10.09

Importância do Entorno dos Estádios

Estava lendo um texto que saiu há alguns dias no Portal da Copa e que deixei para ler somente hoje. Não imaginava, mas trata-se de exatamente o que penso sobre nossos vazios urbanos. Áreas pontenciais, servidas de muita infra-estrutura, e que, por falta de conhecimento de pessoas que nada tem a ver com urbanismo, metendo o dedo, acabam condenadas a se tornar em espaços ociosos, que se degradam em áreas valiosas de nossas cidades tornando-se muitas vezes regiões perigosas.

O entorno dos estádios é uma dessas áreas, assim como as orlas de ferrovias, terrenos contaminados, proximidades de grandes avenidas e viadutos, etc. Mas nesse post, trato dos estádios, que é meu foco.

Se olharmos as propostas para a Copa. Desde a melhor, até a mais tosca, nenhuma delas tem um tratamento magnífico nesse sentido. Algumas sequer apresentam qualquer coisa, como se o estádio fosse o tal OVNI citado no texto do Portal da Copa.

Sugiro que antes de continuar esse texto, dêem uma olhada no texto que mencionei do Portal da Copa. Clique Aqui. Salvo o título e alguns trechos exagerados e um tanto generalizados, acho que o texto resume bem meus sentimentos quantos às cidades e aos preparativos para a Copa e Olimpíadas.

"Não faz mais sentido o desperdício de áreas significativas pela falta de saber o que fazer com elas. Não se quer mais espaços públicos que não se mostrem sustentáveis e participantes do equilíbrio ambiental local. Não se admite mais o entorno das grandes edificações – como estádios de futebol – como um enorme “nada”, que não contribua para a transição harmônica entre a imponência e a atratividade da obra e a escala do bairro em que se situa."
Eduardo Barra, arquiteto-paisagista no texto do Portal da Copa.

Coloco uma miniatura de nossas propostas para a Copa e, depois, propostas de estádios que considero respeitáveis nesse mesmo sentido do tratamento urbano-paisagístico seguidos de uma breve análise do porquê dessa consideração minha.


Acima: Esquerda - Vivaldão (AM) e direita - Morumbi (SP)

Acima: Esq. - Mineirão (MG) e direita - Maracanã (RJ)
Abaixo: Esq. - Mané Garrincha (Brasília) e direita - Fonte Nova (BA)

Abaixo: Esq. - Verdão (MT) e direita - Castelão (CE)
Abaixo Esq - Beira-Rio (RS) e direita - Arena da Baixada (PR)
Abaixo - "Arena" das Dunas (RS)


Agora os cujos entornos considero significantes, respeitáveis e que poderiam ser referência SIM, para o Brasil:



Acima o Allianz Arena. Não é extremamente trabalhado. Na verdade tem um bom funcionamento de fluxos, um bom trabalho estético. Mas ainda é um porte menor do que os próximos. Fonte: http://www.blogger.com/feeds/19926969/posts/default?start-index=26&max-results=25

Abaixo, o plano urbano para as Olimpíadas em Beijing. Da pra ver nitidamente o trabalho de pisos, estudo de fluxos, desenho urbano, crianção de um espaço usável e agradável, que não é uma barreira, muito menos um deserto e, mesmo assim, garante a livre circulação dos torcedores (segurança) e ainda direciona.



Abaixo, o estádio para os jogos asiáticos de 2014 - Incheon Stadium, na Coréia do Sul. A abrangência é grande. Nitidamente vemos uma preocupação paisagística, de percurso do pedestre, mas também vemos boas vias. O desenho ajuda a visualizar os eixos de percursos. Facilita-se o que deve ser ligado a qual lugar para proporcionar o melhor e agradável percurso.
Mais detalhes, num próximo post.



É uma breve análise, mas somando ao texto do paisagista, acho que mostra a importância desse trabalho externo.

*Dos estádios para a Copa, o que mais apresenta uma preocupação com o entorno é o Beira-Rio, pensando em um uso comunitário e com uma razoável programação. Em seguida viria o Vivaldão, que podemos ver pela imagem como uma proposta que se preocupou um pouco mais com o design. O que mais se salvaria desse trabalho imenso, arrisco dizer que é Brasília, pelo desenho da cidade - livre. Mas nada impede um trabalho mais limpo. Para ver mais sobre cada cidade-sede, dêem uma olhada nos posts específicos analisando os projetos individualmente nos meses anteriores.

15.10.09

Tema da 8º Bienal de Arquitetura abordará Copa e Olimpíadas

Sob o tema Ecos Urbanos, acontece do dia 31 de Outubro até 6 de Dezembro, no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, a 8ª Bienal de Arquitetura. O tema, segundo Bruno Padovano, arquiteto que renunciou ao cargo de curador do evento, está "centrado na idéia de que megaeventos podem repercutir positivamente na vida das cidades-sede, desde que através de processos democráticos – cada letra de ECOS dava origem aos subtemas da Bienal: “E” de Espacialidade, “C” de Conectividade, “O” de Originalidade e “S” de Sustentabilidade. Uma temática muito atual, agora que a Copa e as Olimpíadas foram consignadas ao Brasil!".

Apesar do arquiteto não ser mais o responsável pela cudoria, tanto workshops, inscrições de expositores, etc., caminhavam bem. "As exposições sobre as cidades-sede da Copa 2014 e o Rio Olímpico estavam bem encaminhadas também, o que daria vida ao pavilhão com idéias arquitetônicas e urbanísticas de grande apelo não somente para a nossa classe, mas para um público mais amplo", complementou Bruno Padovano em entrevista ao ARQ!Bacana.

Vale a pena conferir até quem não é muito envolvido com arquitetura, pois, com esses eventos em 2014 e 2016, é importante saber o que pode ser feito e até mesmo entrar em contato com os responsáveis para contribuições. Em geral, a maioria se mostra bastante receptivo às sugestões (nem sempre às críticas... mesmo que construtivas).
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