Livraria Cultura

3.10.13

Novo estádio do Bordeaux


A nova casa do FC Girondins de Bordeaux, começou este ano, na França, a construção do novo estádio em Bordeaux, assinado pelo famoso escritório Herzog & de Meuron. Os arquitetos, na área esportiva, são responsáveis pelo estádio do ninho, em Beijing, pelo Allianz Arena, em Munique, e tem até uma proposta para o Camp Nou, na França (abaixo). O estádio deve ter obras concluídas em 2015 e sediará a Eurocopa 2016. 

Proposta do escritório Herzog e De Meuron para o concurso para o Camp Nou, 2007

Demorei para postar pois ainda não haviam imagens o suficiente para fazer alguém além do que todo mundo fez na época (abril deste ano).

O projeto

Orçado em aproximadamente 168 milhões de euros, o estádio tem formato retangular, branco, destacando-se na paisagem (elegantemente, segundo os arquitetos). Uma floresta de colunas, que de certa forma até faz lembrar nosso Mané Garrincha sustenta a cobertura. Nela, existirão aberturas para a entrada de luz natural e como parte do complexo também existirá uma usina fotovoltaica adjacente ao estádio, mas nada ainda muito bem divulgado.




O projeto é localizado em um cinturão verde já existente e contará com uma praça pública em frente, com projeto assinado pelo francês Michel Desvigne.

A idéia do projeto surgiu para que houvesse o desenvolvimento de algumas áreas já pensadas pelo planejamento da cidade. A partir desta definição que foi lançado o concurso - prática comum fora do Brasil. 


O estádio é facilmente acessado por transporte público, e conta comum paisagismo com algumas áreas asfaltadas para melhor acesso do público, mas também com outros tipos de pavimentação mesclada com verde para ficar mais adequado ao entorno - critério pedido no concurso para que o estádio respeitasse e se integrasse com o ambiente.




 

Para maior fluidez da forma do estádio, o teto do acesso, onde as colunas se encontram com a cobertura, foi desenhada de forma côncava, como um prisma, como se convidasse o público ao estádio. Ao mesmo tempo, enxergo as colunas indo contra isso, mas é uma sensação minha. No entanto, a floresta de pilares é uma referência ao ambiente, às árvores, que fazem essa malha ao redor.




A imagem da maquete acima, tem uma coloração diferente na cobertura. Não encontrei nenhuma informação, mas acredito que a parte mais translúcida seja de um material com maior transparência, para uma iluminação do campo mais saudável. No Allianz Arena, o escritório já usou esse tipo de desenho.

Na foto acima, onde podemos ver a área bastante verde, o local onde está sendo construído, com o norte para cima. Ou seja, essa transparência deve estar no lado Oeste do estádio, onde realmente tem uma via, como na maquete. Geralmente, no hemisfério norte, a transparência deve abranger mais a parte sudoeste, que é o período da tarde que precisam de mais iluminação, mas neste caso foi deixado simétrico.







Desenhos

No corte acima podemos ver melhor esse prisma e a suavidade que os pilares tem, deixando visualmente mais convidativo. A acessibilidade de deficientes físicos e idosos que não parece confortável no que vemos no desenho. Para o tipo de terreno, sem grandes desníveis, seria muito interessante um acesso em nível, mas a opção ficou por escadarias. Não vi em nenhuma das imagens uma rampa, mas não é possível que hoje não se pense nisso. Deve ter em algum lugar!

                                       


O vídeo de divulgação:


Cada vez mais os clubes e escritórios investem neste tipo de apresentação de projeto. Cada vez com uma cara mais empresarial.

Enquanto o estádio mantém definições que são tendência, como a quantidade de assentos - 43 mil - assume outros usos contrários. Em sua programação estão jogos de rugby e também shows, indo na contramão de muita administração - inclusive há boatos de que receberá até futebol americano. Fico imaginando como fica a mudança do campo para esportes diferentes e a qualidade do mesmo, já que sofrerá bastante com usos não adequados e com usos mais frequentes. Alguém conhece uma referência do tipo? Favor comentar se souber.



Abaixo, segue uma série de fotos que podem complementar o texto (fontes variadas: skyscraper, inhabitat, fotos oficiais do escritório para divulgação). Clique para ampliar:









O estádio tem algumas coisas interessantes, mas em resumo, é mais do mesmo. Deve funcionar bem por seu conceito de união com praça pública, mas não é grande exemplo em nada. Há grandes trunfos que podem servir para a sustentabilidade como a usina fotovoltaica que deve suprir todas as necessidades do estádio e entorno, a cobertura facilita pode ter uma captação de água de chuva, a cor branca é interessante para a redução das ilhas de calor, inclusive pode ser bom para a área interna do estádio, a pavimentação é interessante por ser parcialmente permeável (algumas partes mesclam materiais). Mas nem tudo foi mostrado na mídia ainda.

Nos camarotes, vips, etc, nada de sensacional, nada de único, como no Allianz arena. Sempre preguei a necessidade de criar algo com identidade, forte, para que agregue valor e garanta funcionamento e interesse do público. Pelas imagens acima, nada de especial.

O mais interessante do projeto é o conceito elaborado pelo concurso, localizado ao lado de um velódromo, de um campo de golfe e com esse contato com a natureza, próximo ao rio.

Quem tiver mais novidades, comente!

Fontes:

Archdaily
Inhabitat PINI
Skyscraper


30.9.13

Cadeiras de PET reciclado no Maracanã

Notícia antiga, mas não tinha postado aqui ainda. Posto para mostrar a alguns que não souberam do assunto e para deixar registrado.


Os assentos do Maracanã foram bastante contestados por seus preços, mas indo além desse assunto, vou mostrar pontos positivos dos assentos. Durante a Copa das Confederações, o Maracanã obteve o reconhecimento de melhores assentos. 


E não é só isso. O Maracanã veio com uma novidade, desenvolvida junto à empresa Giroflex, que produz inúmeros tipos de assentos esportivos, de escritórios, cinemas, etc. Para tanto, contou com a ajuda da Coca-Cola, no recolhimento de garrafas PET em mais de cem postos pelo Rio de Janeiro.

O design é do famoso escritório de arquitetura Herzog & de Meuron, suíço, e o preço da cadeira reciclada deve ter um custo de 15% a mais, mas com a consciencia sustentável. 


"As garrafas PET foram coletadas em cem postos de doação espalhados pela cidade do Rio de Janeiro. Em média, cada cem garrafas de 600 ml produzem um assento. Foram utilizados 2 quilos de PET para cada assento sólido de resina reciclada.

A elaboração de assentos de estádios através da reciclagem de PET é um processo inovador no mundo. Já existem estádios com cadeiras feitas de PET novo, mas com material reciclado é a primeira vez."


Na reportagem do Grupo Pleno, o Mané Garrincha e o Mineirão contam com algumas cadeiras com pet reciclado elaborados pela empresa Rhodes, também elaborados a partir de PET recolhidas pela sociedade em pontos de coleta nas capitais.

"Como forma de garantir a sua integridade, os assentos receberam aditivos anti-chamas e, em apenas um dia, a cadeira foi montada. O processo de fabricação é da empresa Rhodes, em parceria com o consórcio Minas Arena, que liderou a reforma do Mineirão.", diz a matéria no site hoje em dia.

O interessante da iniciativa não é somente sob o ponto de vista pontual - pequeno na verdade perto da quantidade de PETs descartadas diariamente e do potencial do material -, mas a iniciativa coloca o país em uma posição de destaque no setor e ainda pode alavancar iniciativas particulares ou públicas e até estudos para levar materiais com resistência comprovada para transporte público, por exemplo, ou até mesmo salas de cinema e teatros.


Abaixo, seguem alguns gráficos sobre a utilização do plástico e plástico recilcado em diversos segmentos e comparando com outros países. Fonte: Plástico




29.9.13

Entulhos do Palestra reciclados para Arena Corinthians

Com a matéria exibida na Globo, a rivalidade entre os clubes Palmeiras e Corinthians veio a tona novamente, desnecessariamente, em forma de piada/insultos de ambos os lados. 

"O Corinthians não queria nem o gramado verde, mas terão muito além. Parte do Palestra estará em seu estádio.", mencionou um de meus amigos no facebook com o link para a matéria. Como resposta ainda recebeu "E para sempre continuaremos pisando em vocês", respondeu um Corinthiano.

Motivo

Em reportagem da Globo, o entrevistado Pierre Ziade, responsável por uma usina de reciclagem admite ter pegado material do Palestra Itália, transformado em brita e endereçado ao estádio do Corinthians, sem nenhum do dois saberem. Parece falta de ética do profissional, principalmente pela forma como ele fala, mas, desde quando você tem que saber de onde vem seu material reciclado? Poderia ter mencionado aos proprietários? Sim. Mas porquê? Será que um destinaria seu material a outro local ou deixaria de reciclar por uma rivalidade sem fundamento ao que se diz respeito à sustentabilidade e custos da construção? Para mim, vejo como uma doação de órgãos ou esperma, não podemos e nem deveríamos querer saber a origem da doação, evitando problemas e preconceitos. 


A rivalidade pode ser continuada em termos futebolísticos, de forma saudável, mas pode preservar ainda muito dos problemas que temos por violência, pois muitas pessoas não param por aí. E continuando assim, pode dar corda para a longa história de querer acabar com as torcidas organizadas. Leia mais sobre o Ministério Público acabar com torcidas aqui.

Estamos perdendo aos poucos tudo o que o futebol tem de melhor, precisamos preservar, mas garantir que o que temos de ruim também acabe. As pessoas misturam as coisas, é inevitável com a educação que temos no país. 

Fatos semelhantes

A reciclagem é uma forma de economizar cerca de 40% dos custos com o destino ou compra de materiais, além de ser uma alternativa mais consciente. Fato semelhante aconteceu na Inglaterra, com a reforma do estádio Olímpico de Londres, para as Olimpíadas de 2012. Nele foram utilizadas armas recicladas para a economia do estádio e também para uma conscientização na área da segurança. Porquê no Brasil, embora a matéria tenha mostrado o lado positivo, o público e inclusive o responsável colocam como uma forma de rivalidade?

Outro caso mostrado essa semana foi o trabalho de um fotógrafo, Gabriel Uchida, que registrou os torcedores mais temidos nas arquibancadas. Faz parte do futebol? Sim, faz. Mas se não fizesse faria uma diferença bem positiva! O grande problema foi que o fotógrafo optou por fotografá-los sem os rostos a mostra. Além disso diz fotografar em seus ambientes naturais, praças, academias onde treinam, etc. Eis que mostra mais uma coisa negativa. Um dos torcedores hooligans (que no futebol britânico são boicotados há tempos) aparece com uma bermuda onde está escrito Gibi Thai, uma academia famosa de muay thai, com um ringue ao fundo, onde o lema deveria ser não usar a arte marcial como forma de violência, mas como esporte. Ou seja, a rivalidade é usada com armas graves, por conta de uma educação baixíssima e irresponsabilidade de quem os treina.

Acima a esquerda, o 'temido da arquibancada' com o shorts da Gibi Thai

Como lidar então para não acabar com o futebol e ainda assim manter parte da tradição? Eu aposto no conjunto de educação, punição e conscientização em massa. Antes da Copa! Ou temo por um possível jogo Brasil x Argentina.

11.9.13

Voluntariado na Copa 2014 - última chance

Foram reabertas as inscrições para ser voluntário na Copa 2014. Quem já se inscreveu anteriormente, para a Copa das Confederações (escolhido ou não) basta atualizar o cadastro. Quem ainda não se inscreveu e tem dúvidas, podem ler aqui no blog algumas dicas:


Voluntariado: prós e contras e como se tornar um
Voluntários FIFA e Brasil Voluntários: oportunidades e treinamentos
Voluntariado para a Copa 2014

Para atualizar ou se cadastrar, basta acessar o site da FIFA ou este link direto. Boa sorte!
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