Livraria Cultura

17.11.11

Queremos uma Copa 'verde' em um Brasil cinza? O caso Belo Monte

Muito foi discutido e especulado sobre como tornar a Copa 2014 em um evento verde. Não só pelo evento em si, mas para o Brasil aproveitar a Copa para melhorar a imagem e emplacar de vez como país referência em sustentabilidade perante o mundo. 

Aos poucos, todo esse entusiasmo e dedicação parece estar diminuindo. Pouco se fala nas novas idéias e projetos saindo do papel para que esse evento realmente seja visto dessa forma e para que possamos melhorar nossa imagem, melhorando o turismo e os negócios. No entanto, queremos montar uma imagem ou queremos realmente mudar? 

Por mais que se discuta o tema, o governo continua tomando decisões estúpidas e contra o investimento sustentável, o planejamento ambiental e na reversão dos nossos problemas. Quais as melhorias de saneamento básico que vemos? O que significam as mudanças no código ambiental? E os gastos inexplicáveis e extraordinários com a tal divisão do Pará onde só o Pará vota e onde todos os brasileiros pagam? 

Mais grave ainda é a construção da usina de Belo Monte, que, desde ontem, ganhou imenso espaço na mídia social e internet graças ao vídeo e petição elaborada não só por globais, como muitos vêem, mas por cidadãos brasileiros. Faltou a Gisele Bündchen que tanto defende o projeto "Y ikatu xingu" que tem o intuito de proteger as nascentes e matas ribeirinhas do Rio do Xingu. Foi até nomeada embaixadora pela ONU, por esse motivo.

Ontem, às 21:00 foi lançado o livro e o movimento "A gota D'água" e o site para a assinatura da petição a ser enviada para a presidenta. Não acredito na idéia de que não adianta fazer nada pois não vai mudar. Se muita gente se manifestar, é praticamente uma revolução. Não custa nada, é rápido, é digno. É a sua moral e sua humanidade em cheque.


Visite o site do movimento e ou consulte o twitter ou facebook. E, se você acreditar, assine a petição aqui. (infelizmente, o site está meio congestionado basta atualizar algumas vezes que uma hora funciona e dá pra assinar)

Já vi gente reclamando que os globais poderiam fazer uma campanha contra a corrupção, como se fosse uma causa maior. Ambos são graves, não sei qual é pior, mas os danos à natureza são muito mais difíceis de reverter. Além disso, não deixa de ser um tapa na cara dos corruptos, afinal, em um dos vídeos disponíveis no site do movimento, há a acusação ao presidente do IBAMA, que assina a autorização a esse projeto sem escrúpulos. 

"O que faz de um homem, um homem, se não faz do mundo um lugar melhor" 
autor desconhecido, mas mostra entalhado em uma madeira no filme " A cruzada". 

15.11.11

Feng Shui em estádios - Entrevista com Mônica Frossard

A partir de um contato com a consultora Mônica Frossard e desenvolvimento de uma conversa  respeito de uma possibilidade de realizar um projeto de Feng Shui em estádios e/ou equipamentos esportivos, realizei uma breve entrevista sobre as possibilidade e potencialidades deste trabalho.

1 - Inicialmente, gostaria de saber se você já viu, já soube ou já fez esse trabalho em estádios e/ou em equipamentos esportivos. Se sim, em qual(is)?
Mônica Frossard: Nunca o fiz para um estádio de futebol e nem tenho informações do Feng Shui já aplicado em algum estádio até pela falta de informação que os mesmos detém a respeito da técnica. Entretanto, devido à oportunidade da Copa, o surgimento de grandes eventos envolvendo estádios e um grande número de pessoas, acho bem oportuno o projeto. O Feng Shui pode ser aplicado em qualquer espaço, sendo os estádios locais onde as energias são muito potencializadas. Lembrando que o Feng Shui não tem cunho religioso é uma técnica energética (acupuntura dos espaços como gosto de dizer).

 2 - De que forma o feng shui pode ser trabalhado? Qual é a metodologia de trabalho: em cima de uma planta geral, ou dividida por setores?
Mônica Frossard: O Feng Shui trabalha tendo como base a planta baixa do local, e setoriza os espaços de acordo com um estudo técnico e utilizando recursos da bússola octogonal que contém 9 áreas ou guás a serem trabalhados: Sucesso, Relacionamentos, Criatividade, Amigos, Trabalho, Espiritualidade, Família, Prosperidade e Saúde.



3 - Quais tipos de resultados podem ser conquistados através desse estudo?
Mônica Frossard: Esse estudo canaliza e potencializa o campo energético do lugar, proporcionando maior aproveitamento dos que lá desfrutam. Tornando os espaços mais produtivos, geramos uma melhoria em todo o ambiente.Permitindo que as pessoas exerçam suas potencialidades ao máximo e isso, para um estádio de esportes, é perfeito.Valorização da harmonia, potencialização dos atletas, produtividade e rentabilidade para o empreendimento.Atenção: Feng Shui não ganha jogo, quem o faz são seus jogadores!

4 - Feng Shui trabalha com a organização das energias de um espaço, correto? No caso de estádios, a multidão de pessoas é diferente? É possível trabalhar da mesma forma?
Mônica Frossard: Sim. No Feng Shui trabalhamos os espaços e assim iremos gerar os resultados de bem estar para as pessoas. É uma lei de ação e reação.

5 - As cores tem grande importância no feng shui. A presença de uma torcida uniformizada enfatizando alguma cor, pode mudar a energia do local? As cores dela podem ter alguma influência no comportamento dessa torcida em relação à violência nos estádios? Se sim, há alguma forma de trabalho que possa equilibrar ou neutralizar esse comportamento negativo?
Mônica Frossard: As pessoas sempre interferem na energia dos locais, pois também possuem seus CH’I- ou seja sua energia vital, todas pessoas e espaços possuem  um campo magnético de atuação.

Já está provado que as cores influenciam, sim, as pessoas. Por ser mais difícil modificar as cores de um time, de uma torcida, utilizamos técnicas trabalhando com os espaços , harmonizando esses espaços suas energias irão influenciar de maneira mais benéfica aos que lá desfrutam, tanto no operacional como as eventuais torcidas, Um espaço energeticamente adequado gera uma qualidade de vida mais equilibrada, e torno a enfatizar que isso são uso de técnicas e não religião.

6 - Que cores trazem que tipo de efeito (considerando as principais cores dos times: vermelho, branco, preto, verde, azul, amarelo)?
Mônica Frossard: No Feng Shui cada setor ou guá tem a sua cor, o vermelho corresponde a área de sucesso, branco e amarelo – criatividade, preto – trabalho, verde – família, azul e lilás – espiritualidade.

Acima, projeto do Beira-Rio, em Porto Alegre, com arquibancadas predominantemente vermelhas

7 - Por quais motivos você recomenda o feng shui em estádios e, se possível, me fale sobre os custos de um estudo e a viabilidade de ser implantado o projeto. (Por exemplo, o estádio do Internacional (RS) tem, em boa parte do estádio a cor vermelha e digamos que essa cor traga uma energia que não colabore com o estádio, o clube não trocaria os assentos e cores do time por causa disso. A maioria das mudanças para o equilíbrio é viável?)
Mônica Frossard: Na verdade recomendo o Feng Shui para todos os espaços: escolas, hospitais, empresas, lares e inclusive estádios, pois a alta concentração energética nesses locais é muito intensa. Ao estabilizarmos esses campos energéticos, tendo em vista geo localização, solo, etc., geramos um equilíbrio maior que irá refletir em bem estar, potencialização dos atletas e fluxo de negócios.

Quanto a viabilidade , toda vez que desejamos transformações, temos que aceitar mudanças ou então ficamos com o velho e estagnamos. Ningúem descobre novas caminhos usando velhos mapas.

Mas não precisará mudar a cor de um time, como já disse, adequamos os espaços em função de um melhor fluxo. Em relação aos custos, somente de posse do projeto é que se pode orçar com bases sólidas indo de acordo com as necessidades apresentadas ou detectadas e tamanho do local a ser trabalhado.

8 - Dependendo da modalidade esportiva (futebol, tênis, poliesportivo) muda a forma de trabalho do feng shui? Em casos de outros eventos como shows, eventos religiosos, exposições e conferências que venham a acontecer no estádio, muda o estudo e deve ser alterado algum item para que a energia flua melhor? 
Mônica Frossard: O estudo do Feng Shui e sua aplicação se dá da mesma maneira, para qualquer ambiente. Entretanto, o que irá mudar é o enfoque da área a ser exaltada. Ex: Eventos Religiosos – setor a ser reforçado será espiritualidade e amigos. Eventos como Show: setor a ser reforçado – criatividade, sucesso, amigos, relacionamentos.



Gostaria de agradecer a Mônica Frossard pelas respostas e por ter aceitado falar sobre o assunto. Quem quiser ler mais sobre Feng Shui, pode acessar o Blog Feng Shui Harmonizando Caminhos escrito pela Mônica ou entrar em contato com ela pelo email: monicafrossard@terra.com.br ou ainda seguindo-a no Facebook. (clique nos links para acessar o blog e o perfil)

Agenda: 2º Rio Business Sport Marketing – Arenas Multiuso (25-11)

Seguido da Expo Estádio 2011, que ocorre de 22 a 24 de Novembro em São Paulo, acontecerá, no Rio de Janeiro, o 2º Rio Business Sport Marketing com o tema das arenas multiuso, no dia 25 de Novembro.


"Copa do Mundo em 2014, Olimpíadas em 2016. Nunca o Brasil e o Rio de Janeiro viveram momentos como esse. Mas quando esses eventos passarem? O que fazer com os investimentos na ordem de bilhões, em arenas grandes demais para atender o público local? Infelizmente, em alguns casos, até a implosão é vista como solução.

O fato é que, apesar de sermos um país do futebol e termos muitas vezes um público capaz de lotar as arquibancadas, isso não é o suficiente para tornar um estádio financeiramente viável. É importante pensar no seu uso além do futebol.

Neste âmbito, considerando a experiência adquirida com a Copa do Mundo de 2006 e o sucesso financeiro dos modernos estádios construídos na Alemanha, a Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha do Rio de Janeiro realizará o II Seminário Rio Business Sport Marketing.

No dia 25 de novembro, especialistas alemães e brasileiros trocarão experiências sobre o tema: Arenas Multiuso. O Seminário abordará diversos aspectos importantes referentes ao tema, como: construção de arenas, sustentabilidade e design, hospitalidade, exigências da FIFA, tecnologias na gestão de uma arena, segurança, aspectos jurídicos na administração de arenas públicas e privadas, operacionalização, propriedades e usos diversos."

 Abaixo, as principais discussões do evento e modo de inscrição:




12.11.11

Os rios a serem encarados para a Copa 2014

Sempre que nos deparamos com pessoas que visitaram a Índia, Tailândia e alguns outros países ouvimos comentários negativos sobre limpeza e odores urbanos. Fato é que na Copa 2014 teremos muita mídia internacional no Brasil que buscará tanto os pontos positivos, culturais mas também o drama social e outros pontos negativos. Nossos rios são os cartões postais mais negativos que temos. A FIFA elegeu a Copa do Mundo 2014 como a Copa dos "Green Goals". Deveríamos portanto, dar continuidades aos projetos já elaborados e abertura a novas propostas para iniciar o trabalho para ter resultados próximos e indicar futuras melhorias e saneamento ambiental.

Desde já, seria ótimo que artistas plásticos e o poder público se unissem em prol de campanhas de limpeza urbana, como foi feito em 2008 por Eduardo Srur, colocam garrafas PETs gigantes  nas margens do rio Tietê  (Leia mais aqui). Fato é que as campanhas e discussões tem que ser feitas de várias formas, em várias mídias (sociais, televisivas, na internet, rádio, presencial e em impressos) e em vários locais, não somente na capital paulista, por exemplo, mas no âmbito nacional e em escolas. A instrução das crianças já se demonstrou bastante efetiva, pois além de formar caráter, esses pequenos cobram seus pais.
 (Fonte: Uol)

Recentemente foi apresentado o novo projeto de parque que envolve cerca de 75km do Rio Tietê, mantendo suas sinuosidades. Quem assina o projeto é o Arq. Ruy Ohtake que afirma que "a cidade roubou quase 70% da várzea. 


Conforme a cidade foi se estabelecendo, os rios perderam suas curvas e foram canalizados. Esses são os motivos, além de muitos outros, como impermeabilização urbana e poluição, das grandes enchentes que temos todo começo e fim de ano. Projetos como esse servem para amenizar esses problemas, tentar recuperar a fauna e flora que pode transitar nesse eixo ao longo do rio, e proporcionar melhorias na qualidade do ar. 

O projeto do Arq. Ruy Ohtake também prevê uma ciclovia de 140km, que pode trabalhar a favor da sociedade que tem buscado e conquistado aos poucos melhorias nesse sentido. O trecho trabalhado está próximo de Cumbica e a nova arena do Corinthians podendo buscar novos olhares internacionais (apoio e credibilidade) para os nossos rios. A obra estará parcialmente pronta para 2014.

A proposta também se une à habitação social que tira habitações dessa várzea, com risco de inundação já que muitas estão também inseridas bem no meio do rio, como palafitas (casas sobre as águas sustentadas por pilares).

Enquanto a ocupação das cidades sempre foram baseadas na proximidade dos rios, desde civilizações antigas como a ocupação no Brasil, atualmente o brasileiro vive uma situação distante das águas, voltando as costas para os rios, negando-os. Os rios brasileiros são subaproveitados para transporte, lazer e muito se deve a poluição, que só acontece por falta de educação básica e pela cultura de não valorizar nossos cursos. Muitas culturas valorizam suas águas com projetos públicos que podem ser promovidos pelas prefeituras, diminuindo a poluição. Muitos estudos já foram feitos, mas pouco levamos adiante. 

Abaixo, algumas propostas interessantes para  o uso dos rios:

Workshop MIT- FAU-Mackenzie-FAU-USP:
-Portos Urbanos (abaixo, proposta para o Pari, pela equipe do Mackenzie) e Estudo de Pontos de tratamento da água (por Sadia, do Paquistão, e Sagree, da Índia - ambas do MIT) para o Rio Tietê - clique para visualizar em outro link a proposta.

Minneapolis Riverfront Competition Finalist:
- Usos de lazer a beira-rio

City Deck: 
-Deck transporte e lazer ao longo do rio - autoria do escritório Stoosslu.


Para o Brasil, onde o futebol de várzea foi ponto inicial para o desenvolvimento do esporte, nossos cuidados com os rios são vergonhosos. A Copa do Mundo 2014 poderia muito bem aproveitar o futebol, e valorizar suas origens, hoje tão menosprezadas.

Leia mais sobre o assunto e projetos para rios:
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