Livraria Cultura

Mostrando postagens com marcador herzog de Meuron. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador herzog de Meuron. Mostrar todas as postagens

25.11.11

Arq Futuro: Masterclass Lelé e Herzog (resumo) + Allianz Arena

Felizmente, pude ver um enorme público universitário na Masterclass realizada pelo Arq futuro, o que indica grande interesse em arquitetura de qualidade. O evento foi realizado no belíssimo auditório do Ibirapuera. No entanto, infelizmente, por esse motivo, as palestras foram mais direcionadas a estes estudantes, o que é bom. No entanto, o mediador do evento selecionou somente perguntas de estudantes, e, por incrível que pareça, mal leu as perguntas disponíveis e selecionou aleatoriamente perguntas que não tinham nada a ver com as palestras, muito menos mostravam conhecimento sobre as obras dos arquitetos em questão. 

Teve até mesmo pergunta-pérola e direcionada a Lelé: "Porque você não usa telhados verdes para refrescar os ambientes?". Para quem não conhece a arquitetura de Lelé (e, principalmente, para quem não prestou atenção em sua apresentação no dia), ela se resume (desculpem-me por resumir uma arquitetura tão complexa) em uma arquitetura que privilegia coberturas que maximizem a ventilação natural, através dos fluxos de ventos, diminuindo a necessidade de ar-condicionado. Isso diminui a contaminação hospitalar (no qual Lelé se destacou muito), e reduz consumos. Além disso com seus telhados, executados e elaborados com primor, a iluminação natural é aproveitada. Também dá destaque à mobilidade e acessibilidade à todos os ambientes. Portanto, qualquer pessoa com um mínimo de conhecimento, sabe que a sua arquitetura é muito melhor que meros telhados verdes, que somente refrescam o ambiente e é nítido, imagino que seja nítdo, que com sheds (abaixo) seja impossível usar os telhados verdes ao mesmo tempo, ou estúpido trocá-los por telhados verdes. Acho que todas as dúvidas devem ser esclarecidas, mas desde que a pergunta tenha sido feita com o mínimo de atenção. A pergunta desmereceu o trabalho do arquiteto e a apresentação também.



Como o tempo era o futuro e a arquitetura, e a menção da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos tinha sido feita no site oficial e nas chamadas para o evento através dos vídeos, imaginei que o assunto  fosse tocado durante a palestra, principalmente porque Jaques Herzog já fez estádios para ambos os eventos: Allianz Arena para a Copa de 2006, na Alemenha, e o Ninho do Pássaro, em Beijing, na China para as Olimpíadas de 2008. No entanto, isso não aconteceu.

A palestra foi mais sobre como se tornar profissional, em estudar e se preparar constantemente, mesmo depois de formado. A grande ênfase que Lelé deu foi sobre a universidade incentivar, de fato, o profissionalismo do arquiteto, que deve ser generalista, sem se especificar e que deve conhecer muito a produção industrial. Foram palestras muito boas, mas completamente fora do que eu esperava.

Faltou mais espaço para Herzog, quase todas as perguntas escolhidas foram feitas para Lelé, perdendo uma grande oportunidade, já que o Lelé conhecemos melhor, poderiam ser feitas perguntas para ambos e não somente ao Lelé.

A frase do dia, no entanto, foi de Herzog - na minha opinião:

"A arqutietura tem que criar surpresas, momentos únicos."

Isso se traduz até mesmo na arquitetura de Herzog e De Meuron, como eu já mostrei. aqui pelo blog Seus estádios tem espaços únicos, que tornam os restaurantes, as coberturas, etc, em espaços que o público querem visitar, criam essa identidade do projeto, que se reverte em marcos arquitetônicos que fomentam o turismo. Abaixo algumas fotos do bar-lounge-cafe do allianz arena onde o teto é memorável e onde a fachada participa muito do ambiente interno:

 Acima, foto do site oficial do Allianz Arena
 Acima e abaixo, fotos do flickr de N/K/

  Acima, foto do flickr de daveybot - mostrando o teto* do ambiente
 Acima, foto do flickr de N/K/

Esse assunto já foi tocado no seguinte post deste blog:

Para o próximo Arq Futuro, programado para o primeiro semestre de 2012, espero somente que escolham um mediador das perguntas mais preparado e com mais bom senso.

*O background deste blog é o acabamento do teto deste restaurante do Allianz Arena

22.11.11

Agenda 23-11: Arq futuro - Masterclass: Lelé e Herzog

Amanhã, no auditório do Parque do Ibirapuera, em São Paulo acontecerá o Arq Futuro, com a Masterclass de Lelé e Herzog (do escritório Herzog & de Meuron, responsáveis pelo Allianz Arena, em München, Alemanha, e pelo Ninho do pássaro, Beijing, China). 

Para quem não conhece, Lelé (João Figueiras Lima) é um tremendo arquiteto brasileiro, com projetos hospitalares de extrema importância e aconselho que conheçam mais sobre seu trabalho referencial, principalmente, para os estudantes, que ainda estão em formação de caráter profissional, já que o arquiteto em questão passa muitos valores em seus projetos. Para quem tem muito interesse em ventilação, acessibilidade e iluminação adequada junto à qualidade de vida, aconselho a análise de seus projetos.


Acima, projeto de Lelé para o Hospital Rede Sarah, RJ. Leia mais sobre o projeto.

Já Herzog é responsável por um de meus preferidos escritórios internacionais. Elaboram projetos certeiros e precisos tecnicamente, sempre com formas marcantes e tecnologia de ponta. Os dois projetos de estádios que mencionei são dois que eu não me canso de citar, devido à versatilidade, técnicas e materiais escolhidos.

O evento será transmitido online a partir das 9h30 em ponto (segundo a organização) e quem tiver interesse pode se inscrever por um valor baixo (comparando a todos os eventos de arquitetura, e considerando os dois grandes arquitetos) de R$40,00 para profissionais e R$20,00 para estudantes. Consultem se ainda tem vagas disponíveis. O auditório é grande, mas muitos convites foram dados e o interesse é gigante, portanto, consultem o quanto antes.

Veja mais informações no site oficial do Arq. Futuro.

Abaixo um dos vídeos do Arq Futuro onda Karen Stein, Editora e Consultora, fala sobre a importância e diferença da arquitetura e arquitetura de qualidade para a Copa 2014 e olimpíadas 2016, e a importância para os estudantes.


30.9.10

Camp Nou - o Barça e seus bons projetos arquitetônicos


Volto no último dia deste mês com uma nova referência em estádios de futebol. O barcelona teve, nesse último ano, um projeto para reforma de seu estádio, o Camp Nou ("campo novo") e um projeto de reconstrução total, a beira-mar.

Primeiramente o projeto que surgiu da comemoração de 50 anos do estádio, feito pelo renomado arquiteto, Norman Foster. Esse projeto é o oficial, de reforma - ideal, pois não há cabimento criar um novo, embora a outra proposta ser interessante. Segundo o site oficial do arquiteto, o projeto pretende abrigar 106.000 torcedores - algo já fora do comum. Hoje em dia a capacidade é muito menor, por viabilidade econômica. No entanto, pela grandiosidade do clube, imagino que dê para aguentar bem um estádio de tamanha capacidade.

A grande modernização do estádio de um dos clubes que mais tem membros é a instalação de uma cobertura e algumas modificações no entorno. Alguns acréscimos no programa foram propostos, como hospitalidade e áreas públicas.






Nas duas imagens acima, podemos ver o mosaico feito na fachada - vedação e cobertura - com placas em azul e escarlate (cores do Barcelona), mesclados com placas vermelhas e amarelas (cores da bandeira da Catalunha). Estas placas tem certo grau de transparência e modificam o interior do estádio, onde existe a circulação de acesso às arquibancadas, como é sugerido na imagem abaixo, e alguns outros ambientes. Os painéis são de policarbonato e vidro. Quanto a esses materiais, tenho minhas dúvidas, o policarbonado tem um problema de degradação e mudança de cor ao longo do tempo, e ambos (vidro e policarbonato), tem o problema da manutenção/limpeza. De repente, algum material como o ETFE poderia ser legal. (postarei em breve texto sobre esse material no Blog Arquibancada).




A grande intenção dessa reforma é fazer do estádio uma marca para o clube, atraindo mais fãs e, até mesmo, admiradores da arquitetura. Para isso, a iluminação colaborará muito. O estádio terá duas facetas, a diurna e noturna, onde a iluminação de dentro pra fora, dará destaque ao estádio. Dias de jogos e dias normais serão diferenciados, imagino que com uma iluminação menos intensa nos dias sem partidas, salientando assim o fervor dentro do equipamento enquanto as partidas estiverem acontecendo.



 

Para o Sir Norman Foster, o mosaico elaborado é uma inspiração ao arquiteto catalão, Antoni Gaudí - o arquiteto usava mosaicos em várias de suas obras, como a casa Batló, acima, à direita.

A fachada e sua estética tá ficando, ao mesmo tempo que me lembra um monte de projetos, parece ser uma variação da mesma forma. Os projetos do Herzog & de Meuron, loja da Prada e Allianz Arena, e a rodoviária da Luz, em São Paulo (onde há projeto para ser uma Teatro de Dança), apresentam o mesmo formato, mas cada um com uma tecnologia e intuito diferente. As fotos abaixo são respectivamente as listadas acima:



Essa fachada, serve não só como referência à arquitetura catalunha e iluminação, mas protege os inúmeros torcedores da chuva ao mesmo tempo que tem inclinação que permite a ventilação natural.


A previsão para a conclusão do projeto é para a temporada 2011-2012 e o estádio que já é o maior da Europa, ficará ainda maior.


Enquanto o estádio atual fica localizado um tanto distante do mar, Emili Vidal, arquiteto e membro do clube, resolveu criar uma nova proposta para um estádio para o Barça, ignorando a existência do atual, e criando uma no meio do mar. Apesar de ser muito estúpida a idéia de ignorar o maior estádio europeu e com tamanha história, sua proposta, em outras circunstâncias poderia ser considerada muito boa - apesar das poucas imagens divulgadas.

Além dessa utopia do arquiteto Emili Vidal, ele ainda propõe nesse estádio a capacidade de 150.000 torcedores, o que já se provou bastante inadequado nos dias de hoje - por questões financeiras. Se ele já existe, ok! Se não, que não se crie outro. Além disso, se criassem um novo estádio, o que seria do estádio atual com enorme capacidade não se sabe. 

Olhando para o estádio ignorando esses fatos e considerando somente sua arquitetura, podemos ver um acesso muito bem definido. Barcelona é uma cidade moderna e não baseada somente em carros, pelo contrário e por isso funcionaria relativamente bem o acesso que ali foi feito. Caso contrário, se fosse no Rio de Janeiro, por exemplo, um grande tráfego seria criado ali na costa, próximo ao único acesso ao equipamento. Como é Barcelona, esse tráfego seria reduzido bastante pelo público que caminha pelas Ramblas, bicicletas (que já são comumente utilizadas na cidade), carros e transporte público (aí já confesso que não sei se chega bem nessa parte da orla, imagino que sim por conta das obras das olimpíadas).



A arquitetura chama bastante atenção e garante segurança pelo espaço das esplanadas em volta do estádio.Sem dúvida seria mais um lindo atrativo turístico para essa cidade. Não ouso fazer novos comentários já que não tenho imagens de apoio. Caso alguém saiba de novas imagens desse projeto, colabore posso fazer mais estudos sobre ele.


Fontes:
Foster and Partners
Future Structures
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...