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20.3.12

Estádio Nacional de Varsóvia

Euro 2012 já está chegando e eu poderia estar embarcando para Kiev, se não tivesse perdido uma entrevista para trabalhar lá. No entanto, tenho contatos que estão indo e, se possível, me enviaram fotos detalhes e curiosidades de lá para relatar aqui um pouco destes novos estádios.

Mas, por ora, comentarei sobre o estádio que promete brilhar muito no evento: o Estádio Nacional de Varsóvia, Polônia.

Com capacidade para 55.000 espectadores (salientando novamente o que todos vêm fazendo, com capacidade média de 60.000 para que se sustente financeiramente), o estádio apresenta cobertura retrátil, em membrana revestida com teflon - PTFE - (capaz de dar autolimpeza à película) e é sustentada por cabos de aço. 




Acima, detalhe da fixação dos cabos de aço na estrutura central

Vale a pena também salientar o trabalho das arquibancadas, com assentos coloridos. Leia sobre a importância disto clicando aqui.

No Brasil, estádio que apresentará solução similar à cobertura é o Mané Garrincha de Brasília. E uma referência anterior é o estádio da copa de 2006, na alemanha: o commerzbank arena, em Frankfurt. (Leia mais sobre este estádio em post já publicado neste blog) 

Acima, proposta do Mané Garrincha, abaixo, Commerzbank Arena.

Outra questão interessante do estádio é sua fachada, feita em estruturas longilíneas em aço. No topo delas, a sustentação da cobertura por cabos de aço, como vimos acima, e, ao longo dela, vidro permitindo iluminação noturna nas cores da bandeira da polônia.





As três últimas imagens são do Flickr de Wiesława Klemens e podemos ver mais detalhes dessa estrutura em aço e vidro.

Lembrando que referências deste tipo devem ser muito bem estudadas para casos brasileiros, por exemplo. Vidro, para nós, nem sempre é um material adequado, pois se é espelhado, traz gastos extra com iluminação e só por ser vidro, nos obriga a ter ar condicionado. É um dos problema que salientei no projeto de Natal e os equipamentos no entorno do equipamento. (Veja aqui)



Pouco consegui analisar por falta de imagens no acesso ao estádio. No entanto, percebi uma área relativamente boa, circular, com saída radial, dando mais segurança aos torcedores. Mas na imagem acima, podemos ver um bom desnível. O estádio foi construído no local de outro, e um dos pedidos é que não mudassem muito o terreno. O nível do gramado, hoje, está superior ao anterior, e abaixo dele, sobrou espaço para mais 4 pavimentos, local onde tem equipamentos qu e complementam as atividades. No entanto, não consegui ver detalhes disso. Ainda pretendo procurar. Descobrindo, faço um post extra vinculado a este. 

A autoria do projeto é de JSK Architekci e também da GMP (imagino que pela cobertura, também relacionados a projetos no Brasil).

Fontes:

Só lembrando, saíram já duas colunas na Universidade do futebol uma sobre a saída de Teixeira e qualquer mudança para nossos estádios, copa 2014 e futebol, e a outra sobre o que o Brasil perderia se tirassem a Copa da gente

18.11.11

Elementos têxteis na arquitetura esportiva

Mais frequentemente temos visto os elementos têxteis sendo empregados na arquitetura mundial. No entanto, no Brasil, ainda há uma repressão por parte dos clientes em não querer sair muito do convencional, por medo de arriscar ou por medo dos custos, os materiais nem sempre são bem vistos.

Observando as propostas arquitetônicas dos estádios da Copa 2014, podemos notar que pouco estamos saindo do que geralmente fazemos. Pouco inovaremos e, muito menos, investindo em tecnologias e materiais que, no Brasil, ainda são raramente usados. Até mesmo pudemos ver, em um dos casos, que a cobertura seria provavelmente em policarbonato, mesmo sabendo que este material amarela com o tempo e tem uma durabilidade curta. É vendo este posicionamento que podemos nos questionar de onde vem este problema. Estaria ele nas especificações dos arquitetos e engenheiros ou na visão errônea de economia por parte do cliente, que não vê em longo prazo? A meu ver, são erros que vêm das duas partes. Alguns materiais, como o ETFE, por exemplo, é pouco conhecido dos arquitetos. Na verdade conhecem, mas não sabem das suas reais propriedades e ainda tem em mente de que é muito caro e o cliente nunca via aceitar.

No entanto, a durabilidade dos têxteis é superior à de materiais como os policarbonatos e muito mais leves pois juntam-se à coberturas metálicas como, por exemplo, á estruturas de alumínio esbeltas. Além disso, os textêis trazem uma infinidade de texturas, portanto, identidade ao projeto e liberdade à forma arquitetônica.

Mostro aqui, alguns materiais e referências:

ETFE

Clique para ampliar



As duas primeiras imagens são do Allianz Arena, em Munique, que não me canso de mencionar devido  a tantos atributos. A última imagem é do Cubo d'água, em Beijing. O ETFE tem inúmeras propriedades: durabilidade alta, em casos de incêndios se reduz totalmente - já que é um colchão de ar que estoura a película praticamente desaparecendo enquanto queima -, é autolimpante, extremamente leve, pode ser retrátil, é ecônomico, é totalmente reciclável, permite ventilação, e pode ter texturas e efeitos que passam a luz com mais ou menos intensidade, conforme a textura da almofada que se regula conforme é inflada. Permite trabalho de cores e translucidez podendo ser usado como cobertura e/ou vedação. 

A grande barreira do ETFE é que fica caro para o Brasil por não termos produtores no país, tornando o transporte na importação o grande responsável pelo encarecimento de seu emprego. No entanto, na China, para a construção do Cubo d'água, foi instalada uma fábrica no país, o que passa a baratear o material para outras construções. Só que no Brasil não há esse uso intenso que possa trazer uma fábrica e benefícios posteriores que abririam um leque enorme de opções para a arquitetura brasileira. Segundo um dos produtores, é um material que pode ser utilizado em projetos grandes ou pequenos, mas para que não seja muito caro, a fábrica tem que estar perto ou se torna inviável.

Possível uso do ETFE na copa é na arena de Manaus (abaixo), com um estudo muito bem feito, fazendo jus à qualidade do material.



PTFE

Propriedades contra fogo. Há doi tipos, feitos de PVC/poliéster e de fibra de vidro. A de fibra de vidro é muito mais resistente ao fogo, já a primeira tem sua degradação em torno de 70-80º e suas amarrações começam a se desprender por volta dos 100º, o que ajuda com a dissipação do calor. 

O material também tem propriedades térmicas adequadas e o ruído com a chuva é minimizado, diferente de coberturas metálicas que é maximizado. Efeito acústico, portanto, é melhor.

O estádio Green Point, em Cape Town, na África do sul usou PTFE em sua vedação. Veja a aplicação.


Leia mais sobre o PTFE aqui.

Outro exemplo de uso de PTFE é no estádio único da cidade de La Plata, na Argentina, com uma forma muito mais comum, tensionada em forma de tendas, neste caso, unidas. (Leia mais sobre ele)



Outros usos de têxteis em estádios com funções interessantes:

No Stadium du Littoral, feito pelo OLGGA Architects, o têxtil tem uma função diferente, delimitar espaços, manter a transparência ao mesmo tempo que dependendo da iluminação, mantém a privacidade. Funciona como uma tenda, tensionada mas sem função de vedação.







Importante que a leveza dos têxteis permite remodelações de projetos sem mudar tanto a estrutura original de um estádio. Pode ser apoiada em algumas estruturas (como no caso do ETFE onde a estrutura é levíssima) ou pode ser independente da estrutura das arquibancadas, como é o caso do allianz arena, dando liberdade total ao arquiteto.

Fontes:
Folder Vector Foiltec
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