Livraria Cultura

12.2.13

Phoenix Stadium: um estádio para o Haiti

Após o terremoto devastador no Haiti, em 2010, muitas ajudas ao país foram dadas para a recuperação do  país como um todo. O esporte também recebeu doações, como os 5,5 milhões de reais (3 milhões de dólares) doados pela FIFA, por exemplo, para a reconstrução do estádio nacional totalmente destruído com a catástrofe. 


Agora surgiu o Project Phoenix, que começa a ser construído este ano em Cite Soleil, e é responsável por trazer ao país um novo estádio, capaz de trazer empregos para a população sofrida com os problemas de economia após o ocorrido. Além disso, o estádio deve contar com um programa para trabalhar com jovens a prática de esportes e noções de trabalho em equipe. O estádio também deve contar com escola fundamental e ensino médio, dormitórios, espaços de treinamento para o futebol local (paixão nacional) e espaços complementares sustentáveis como um lago com peixes, um jardim comestível, um plano de reciclagem e uma composteira.


A equipe trabalha com 2000 jovens e inclusive participou, pela primeira vez, do Homeless World Cup 2010, no Rio de Janeiro. (Leia mais sobre o que é o Homeless World Cup)

Veja o vídeo da proposta no Vimeo, clicando aqui. (somente em inglês)

O conceito do estádio é que ele pareça surgir da terra, a mesma que causou todo o desastre.
Parte do entulho gerado pelo tremor e destruição dos edifícios será utilizada para criar montes no entorno do estádio, que virarão as próprias arquibancadas. A ideia é proporcionar eventos de futebol com um custo muito mais em conta que o outro único estádio do país, em Porto Príncipe, caríssimo, ainda mais para uma população que mal tem comida na mesa. 



O estádio Phoenix deve abrigar cerca de 12.000 torcedores, podendo ser expandido no futuro, em uma segunda etapa, para 20.000 lugares.

Segundo o arquiteto Carlos Zapata, a arquitetura é poesia e deve ir além das técnicas de construção, mas inspirar não só o Haiti, mas muitas outras pessoas. 

O mais interessante da proposta é não ficar nos moldes da FIFA, mas fazer o que realmente o Haiti precisa: custos baixos e proporcionar resultados para a população, mantendo ainda a qualidade profissional de estádio. Para isso, tudo vai ser feito com o que o Haiti tem, sem importar nem mão de obra, nem material. A ideia é fazer com que a população se envolva e leve melhorias às casas dessas pessoas, formando também o caráter das mesmas. 

Não tem muito material técnico para analisar, mas esta não é a intenção deste post. A intenção é mostrar o que o futebol pode ser feito para melhoria da sociedade. Já falei várias vezes no blog e a relação futebol e sociedade vem de longa data, com grandes resultados. Vale a pena conferir a leitura já indicada aqui no Blog: "A dança dos deuses - futebol, sociedade e cultura"

Notícia relacionada:

Fontes:


24.1.13

Rock Stadium: um estádio dos Emirados Árabes

Fruto de um concurso de arquitetura, o rock stadium foi a proposta vitoriosa para um estádio que tem como característica principal a mimetização ao deserto. Encostado nas montanhas, em Al Ain, o estádio aproveita a orientação exata norte-sul para sua implantação e usa a areia do próprio local, que é própria para a construção e diminui os efeitos ambientais da obra. 


O estádio foi projetado para 40.000 lugares e fica nos Emirados Árabes Unidos, próximo à fronteira com Oman. O arquiteto responsável, Marwan Zgheib, fundador do escritório MZ architects, do Líbano, passou alguns dias no local com topógrafo, geólogo e especialista no tipo de rocha das montanhas em questão e  percebeu que a idéia inicial de um estádio isolado não era tão óbvia quanto usar a montanha como uma das arquibancadas.


O efeito noturno é digno de obras do país. Chama a atenção e será sem dúvida um marco. O valor da obra deve chegar a absurdos 750 milhões de euros - para os que já se arrepiam com os custos da copa.

Abaixo, podemos ver o trecho em marrom mais claro da parte retirada das montanhas para poder encaixar a arquibancada no estilo teatro grego. Em marrom mais escuro, a parte que pode ser mantida.


Algumas coisas no projeto me incomodam bastante, ainda mais por ser um projeto premiado. O tamanho da arquibancada na montanha é bastante desproporcional ao estádio e a vista do topo dela deve ser uma das piores dos estádios contemporâneos.


Além disso, o acesso parece ser difícil e o possível estacionamento também. Não consegui encontrar informações em relação a isso, mas não vi pistas de como pode ser feito. O acesso às arquibancadas é pelos cantos e pelo acesso frontal em destaque. No entanto, muitas coisas parecem agir contra a segurança. E em um local onde 40.000 pessoas podem sair de uma única vez, não ter um acesso definido e com saídas próximas pode ser bastante complicado e caótico.

Outro problema de compreensão que tive é em relação às aberturas da arquibancada das montanhas. No corte não aparece qualquer sinal do local para qual elas levam. Não dá para saber se são cavernas, se são corredores de acesso, mas ambos não fazem sentido e nenhum é seguro.


 Abaixo, os acesso laterais:



A vista é, sem dúvida, interessante. Mas com o projeto apresentado, falta compreender muita coisa. Falta muita lapidação. 


A cobertura pareceu bastante leve e vai até o limite das arquibancadas, o que é fundamental pela forte insolação.


Bom, como não há muito material, trouxe esse estádio mais como uma notícia, que como uma análise. Vale a pena aguardar alguns anos para ver como ele se desenvolve. Ao ver esse projeto acabei me lembrando de outros projetos que em algum momento tem algo a ver com esse estádio, fica a dica para conhecerem:

Museu do Egito (Vigliecca & Assoc) Esse projeto, também no deserto, apresenta uma característica que, de certa forma, também se esconde um pouco na paisagem. Reparem que nele o acesso é bem definido, mesmo sendo no deserto.

Estádio de Braga (Souto de Moura) Esse estádio, assim como o Rock Stadium, aceita a paisagem inserindo-a no projeto, criando um ambiente interno significativo.

Volcano Stadium 1 (Massaud) Da mesma forma, o solo parece se levantar para abrigar o estádio, sem mostrar suas estruturas aparentemente.

Fonte:
Design Boom
Fubiz
Arch Daily
The National

20.1.13

Voluntários FIFA e Brasil voluntários: oportunidades e treinamentos


Como foi bastante noticiado, há certo tempo a FIFA realizou, através de seu site, inscrições para  o voluntariado na Copa das Confederações 2013 e Copa do Mundo 2014. Até hoje, os treinamentos obrigatórios estavam em andamento, podendo fazer ainda treinamento opcionais e complementares. 

No entanto, o governo abrirá mais uma oportunidade de se candidatar, onde 7000 voluntários serão escolhidos para trabalhar paralelamente aos da FIFA. O programa Brasil Voluntário será lançado terça-feira (22), às 11h, pelo governo federal, junto a um site oficial (no Portal da Copa) onde poderá ocorrer a interação de voluntários, a realização de outras atividades e lá devem constar todas as informações, treinamentos, orientações que um voluntário deve receber. 

O treinamento da FIFA foi bem mais elaborado que o da Copa do Mundo 2010 África do Sul. Os assuntos foram os mesmos: sedes, história da FIFA, das copas do mundo e das confederações, missões dos voluntários, dos eventos, e dos eventos paralelos à copa do mundo, papéis de cada cargo voluntário e simbolismos dos logos e mascote. No entanto, a didática foi mais interessante, mais interativa e dava algumas noções variadas de turismo e de cultura do Brasil, passando por música, como Chico Science, pela arquitetura de Oscar Niemeyer, por pontos turísticos como o elevador Lacerda e curiosidades de cada uma das cidades-sede da copa das confederações. Além disso, um teste de inglês era realizado pois algumas das vagas exigem tal conhecimento.






Ao fim, um teste de conhecimentos adquiridos é feito para analisar o que o pretendente a voluntário aprendeu sobre bons modos, formas de postura para não ser mal compreendido ou rude perante outras culturas além de como transmitir a boa hospitalidade do brasileiro, através do sorriso, que deve ser símbolo do atendimento.

Os cursos optativos dão noções de civilidade, que deveriam ser dadas a crianças nas escolas e estão divididas sob os temas: diversidade, ética, excelência em serviços, excelência no atendimento, gestão de conflitos, gestão financeira e pessoal, liderança, mudanças, princípios de sustentabilidade e superar desafios. Todos com noções básicas de comportamento e educação. Então, muitas pessoas que olham com desrespeito para os voluntários, poderiam ver esse crescimento que vem através de um treinamento básico, e são noções que muita gente não tem, com e sem estudo, com e sem dinheiro: educação de fato. 

Fica a dica, então, para quem se animou um pouco em ser voluntário, depois que as inscrições se encerraram: terça abre mais uma!

19.1.13

Fonte Nova e as alterações no projeto: rentabilidade sem pudor

Recentemente foi anunciado que o projeto do Fonte Nova contará com 5.000 assentos a mais que o previsto (e também que o exigido) já para a Copa das Confederações, em Julho desde ano. Ao que tudo indica, quem pagará os assentos e suas instalações é um 'parceiro' da FIFA, que deve lucrar de alguma forma com essa renda extra no estádio.

O grande problema é que o projeto estava em bom desenvolvimento, sendo elogiado e valorizado por manter a vista para o dique do tororó, patrimônio histórico, preservado e tombado, com vista como um mirante, mantendo o conceito do projeto original do estádio (em forma de ferradura) e valorizando a imagem do mesmo durante a Copa do Mundo e Copa das Confederações, momentos em que ele vai receber os grandes holofotes.

Visando simples e unicamente o lucro a mais nas entradas das partidas, esses assentos desvalorizarão o estádio e, de repente, podem diminuir a segurança. Mesmo que com cuidados, não há motivos para piorar sendo que todos os critérios da FIFA já tinham sido atendidos. Elas serão temporárias, os lucros não serão em hipótese alguma para Salvador - no máximo podemos pensar positivamente que 5.000 torcedores a mais conseguirão ingressos -, mas não vale a pena, é passar por cima de conceitos, história e intuitos da imagem que o país tem q passar. 

Para ver mais do que já foi falado sobre o estádio da Fonte Nova aqui no blog:


e também na Universidade do Futebol:

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