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Livraria Cultura

8.2.12

Os estádios para Bursa

Bursa é uma cidade na Turquia onde seu estádio é o que mais recebe jogos do time Bursaspor cujo apelido é Yeşil Timsahlar (crocodilo verde). Timsah significa crocodilo, em turco, e foi aí que nasceu um projeto, talvez até um pouco cômico, que usarei para mostrar um ponto de vista que defendo, mas com ressalvas.

Já falei sobre o valor da forma, da simbologia e de tratar o estádio como um marco a fim de garantir ou aumentar o arrecadamento do equipamento para autossuficiência financeira. Alguns casos que já mencionei levantando esta questão são: Arena Manaus e o Volcano Stadium, por exemplo.

No entanto, mostrarei dois projetos distintos para a mesma cidade e ambas possuem uma simbologia relacionada ao tal 'crocodilo verde' mencionado acima. Na verdade, uma tem simbologia, a outra é tão explícita que não se refere mas se mostra nítida a idéia.

Em 2009, tive o contato com um fornecedor do ETFE, em São Paulo, onde conheci bem o material e como exemplo de utilização, foi mostrado o projeto, ainda em estudo para um estádio na Turquia, pareceu um tanto estranho, mas agora, que saiu o novo projeto resolvi dar uma olhada melhor e abordar este assunto. O estádio em questão é o seguinte:







Já o estádio novo, cujo conceito foi divulgado recentemente (elaborado pelo stadiumconceptarenaCom)





Apesar do projeto mais antigo utilizar um material de excelente qualidade, o ETFE, nota-se que a forma nítida de crocodilo que foi adotada limita o estádio para expansões ou até mesmo reduções, como também beira o cafona, na minha opinião como cidadã e como arquiteta (tanto pela falta de sensibilidade arquitetônica quanto pelos raios de luz saindo dos olhos do crocodilo com a iluminação noturna). Acredito que a outra proposta, a mais nova, remete ao simbolo do time, permitindo, ao mesmo tempo, com que a arquitetura flua melhor obtendo melhores resultados. Neste segundo caso, onde a cobertura faz lembrar escamas, a ampliação pode ser facilmente obtida sem grandes transtornos além de ter sido pensada modularmente, facilitando o uso logo abaixo da cobertura, como mostrarei em um futuro post. 

Não entro na questão ainda dos projetos propriamente ditos, mas do conceito da forma. Nem os problemas de inserção no terreno da primeira proposta, nem mesmo soluções geniais da segunda, são alvos deste post.  

Esta postagem foi mais para mostrar como um mesmo conceito pode ser abordado de formas diferentes por profissionais diferentes. Mostra também como materiais bons podem ser empregados ainda com qualidade mas em projetos problemáticos. Ainda mais, pretendo salientar o quanto é adequado, para obras de porte grande (mas também um pouco menores) uma segunda opinião, como em casos médicos, por exemplo, valorizando a realização de concursos de arquitetura onde o conceito inicial é apresentado, deixando o executivo somente para soluções mais adequadas ao cliente. O Brasil ainda precisa disso, embora 2011 tenha tido uma maior quantidade, está bem distante da quantidade em outros países. Emprega-se melhor o dinheiro público ao mesmo tempo que valoriza bons profissionais.

A próxima postagem dedicarei à proposta mais recente que tem pontos interessantíssimos a serem mostrados. Espero que gostem. Somente como uma menção extra, o que acham da comparação da proposta do crocodilo verde com a do Estádio Solar? Bastante semelhantes, não? (a não ser pela qualidade)

Fontes: 

3.2.12

Coluna Semanal Universidade do Futebol

Um dos primeiros impulsos e estímulos que tive ao escrever meus artigos sobre arquitetura esportiva e estádios, principalmente, foi dado pela Universidade do Futebol (antes chamada Cidade do Futebol). 

Foi lá que obtive meu primeiro arquivo publicado, antes mesmo de criar o blog  Gol da Arquitetura. 

Pois este ano, em 2012, passei de colaboradora eventual para colunista semanal. A estréia foi dia 26 de Janeiro, onde falei sobre o que as colunas vão tratar e o que espero com essa nova jornada e ontem saiu a primeira coluna com conteúdo propriamente dito.

As colunas serão às quintas, espero que leiam por lá também e que, se possível, voltem a comentar.

Pretendo postar mais vezes, mas a vida profissional está bastante agitada.

A Universidade do Futebol

Para quem não conhece, a Universidade do futebol foi criada para que estivessem ali disponíveis as discussões e materiais relativos ao futebol em diversas áreas como psicologia, arquitetura, administração, educação física, tecnologia, jornalista, organização, entre outras.

É atualizadíssima com notícias, colunas, vídeos, materiais de diversos tipos e cursos.

Vale muito a pena conhecer quem tem interesse pelo esporte. Quem também quiser, pode pesquisar pelo meu nome e encontrará os vários artigos que já escrevi para o portal, sempre dentro do ramo que entendo.

1.2.12

Adidas e o Museu do Futebol

A Adidas começou uma campanha sustentável para reciclar tênis, na doação você ganha (nos próximos meses) entrada par ao Museu do Futebol. Leia mais sobre o projeto. Quem ainda não visitou o Museu do Futebol, no Pacaembu, vale a pena. É bem interativo e é bem legal a campanha para estimular a visita aos museus, interesse pelo qual o brasileiro quase não tem e para conhecer um pouco mais sobre o esporte mais famoso no Brasil.


24.1.12

Estádio, UFC e Copa do Mundo

Tardiamente, estreio com o primeiro post de 2012 e com um tema bastante polêmico baseado em várias discussões realizadas em inúmeros blogs, mas mais inspirada no texto do meu amigo e jornalista Thiago Arantes, no blog Boteco do Arantes.

Sempre defendi aqui no blog as múltiplas atividades para um estádio de futebol. colaborando com a sustentabilidade financeira do equipamento, mas, também, sempre salientei a importância do planejamento dessas mesmas modalidades esportivas e/ou outras atividades a fim que todas elas tenham espaços adequados para sua realização sem conflitar com as outras funções, principalmente com o futebol.

Desta forma, vejo como forma negativa o uso do campo. Este uso acaba com o gramado, mesmo com os equipamentos colocados em cima. E isso serve tanto para a colocação de palcos, grandes públicos e exposições sobre o gramado. 

Contextualização

Com a disseminação do UFC no Brasil, com o retorno do evento ao país (com dois eventos recém realizados) o Brasil começou a consumir o MMA e a vincular este esporte com clubes - tanto com patrocínios de atletas por clubes brasileiros, mas também com atletas sem pudor, como Chael Sonnen, que somente fomentou uma rivalidade de clubes de futebol, dentro do eventos de lutas marciais. 

Academias estão cada vez mais cheias de alunos que vieram com essa onda do UFC sem ter claro em suas cabeças as maiores regras de respeito e disciplina que as lutas pregam - muitas vezes pelos próprios atletas como também por academias mais 'picaretas' que existem em toda parte do país. 

Segurança

Há muitos anos o Brasil tem estudado e se preocupado com meios de minimizar a violência em estádios de futebol, e essa preocupação tem aumentado desde o anúncio do país como sede da Copa do Mundo FIFA 2014. O policiamento excessivo (errôneo ao meu ver, pois agem com brutalidade desnecessária) na portas dos estádios, a restrição de bandeiras com hastes e a retirada das cervejas dentro dos estádios são tentativas de diminuir a violência.

Técnicas arquitetônicas vem sendo estudadas a fim de deixar o público mais próximo do campo, sem barreiras visuais ou físicas a partir do momento em que a população mudar o comportamento - deixando os estádios como já são em muitos países. Alguns estádios da Copa do Mundo já preveem esse tipo de comportamento.

No entanto, a chegada do UFC repentinamente, sem conscientização da população e o vínculo de atletas com as torcidas organizadas (José Aldo, por exemplo), alimentando as diferenças e rivalidades clubísticas de futebol faz com que todo o trabalho ande na direção contrária. As torcidas organizadas aos poucos tentam se desvincular de algumas imagens negativas, e, leigos de hoje, podem ver o vínculo de 'briga' do UFC com as torcidas e clubes em estádio. 



Não haveria problema em um clube patrocinar um atleta se este não fomentasse uma rivalidade como a Corinthians (Anderson silva) x (Chael Sonnen) que nem palmeiras deve saber direito o que é. 

Um clube brasileiro está tão alucinado com este 'novo' evento como o povo brasileiro, que comprou adotou a imagem de um atleta (Sonnen) que há poucos meses denegria o Brasil e sua inteligência a troco da visibilidade baseada na rincha futebolística.





Os estádios

A vontade de fazer dinheiro é tamanha que passaram de espaços com porte adequado para o estádio do Pacaembu.

"Além das arquibancadas, haverá público em cadeiras no gramado, mas ele deve ficar entre 10 e 15 mil lugares." (Fonte: UOL)

Um estádio como o Pacaembu ou o Morumbi (questionado anteriormente) ou qualquer outro estádio é, de fato, inadequado a um evento destes. No mínimo a visibilidade é completamente debilitada. A grande imensidão do público, deverão pagar seu ingresso a preços um pouco mais baratos pela massificação e terão uma visibilidade ridícula, apoiadas por telões. 

A distância ideal para se ver uma jogada de futebol é de 91m do assento mais distante. A maioria de nossos estádios tem mais que isso. Se já é difícil ver um passe ou drible bem feito a essa distância, podemos imaginar como deve ser assistir a técnicas de luta, golpes encaixados a uma distância maior que está atrás do alambrado do octógono. Quem vai ver, vai continuar sendo o público VIP, nem mesmo estes 10-15 mil prometidos. Então questiono a realização em um estádio de futebol. 

À beira de um evento como a Copa do Mundo e Olimpíadas o uso de estádios com este fim é, no mínimo, incompreensível socialmente pela indução errônea de comportamento, mesmo sem ser em estádios da Copa 2014. 

Para finalizar, o desrespeito com a bandeira nacional é tamanho que fere o patriotismo e a própria imagem de unidade social.


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