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25.9.14

Campo iluminado por energia humana


Localizado no Morro da Mineira, favela do Rio de Janeiro, que não lucra com visitas turísticas e nem com a especulação (até então), recebeu um projeto inovador através da Pavegen, da Shell e divulgado junto ao Pelé. 

A iniciativa parte da Shell, com o intuito de incentivar uma nova geração de cientistas que se preocupem com a energia sustentável e novas tecnologias - além da formação de uma imagem mais positiva da empresa, claro. São vários programas da Shell e um deles é a fomentação de idéias através do #makethefuture (faça o futuro). Para implementar esse projeto, foi construído o campo de futebol cuja iluminação vem da energia dos jogadores.

Inaugurado dia 10 de Setembro, o projeto agora conta com uma escolinha de futebol responsável por 300 crianças.

Como funciona 

Através de painéis da Pavegen, a energia da corrida dos jogadores (energia cinética) é armazenada e posteriormente transformada em energia elétrica para iluminar o campo a noite. 


Painéis de captação de energia cinética

- Placas a prova d'água de 60x48x6.8cm (lxcxh) são instaladas em todo o campo;
- Placas de energia solar, foram instaladas na cobertura de uma escola de samba vizinha;
- Instalação de 6 refletores com LED (com gasto muito menor que outras lâmpadas, durabilidade longa e iluminação eficiente);

Ambos os sistemas se complementam: um gerará energia cinética, através das pisadas dos jogadores, e o outro armazenará energia solar ao longo do dia. 

A energia gerada é suficiente para manter os refletores ligados por aproximadamente 10h, produzindo em média 2kwh (quilowatts-hora).

A tecnologia já foi testada em muitos locais, como durante as Olimpíadas 2012, em Londres, no metrô de West Ham, mas esse projeto no Brasil, é o maior de todos, contendo 200 painéis no total.

Além da energia...

Segundo a empresa, 'a tecnologia da Pavegen vai além da geração de energia, usando uma API móvel (Application Programming Interface), onde as placas podem transmitir energia para endereços web específicos, permitindo análise em tempo real, representação da partida de futebol ao vivo e o potencial de incorporar o sistema a cidades inteligentes.'

Portanto, há um benefício no desenvolvimento do esporte e jogadores indo além de um projeto de iluminação sustentável.












O erro

Apesar de ser uma iniciativa social, o que de fato é importante como responsabilidade de uma empresa, houve uma votação que aprovou que, para jogar no campo, o time deveria pagar R$50,00/h durante os dias da semana e R$70/h aos sábados e domingos. Apesar da própria população votar e aceitar, agora já consideram um valor muito alto para a comunidade, que não tem sido o público que mais usa o campo. 

O proprietário da Pavegen garante estar estudando a redução de custos da tecnologia, mas sabemos também que quanto mais usado, mais barato fica. 

O social

Muitas pessoas sabem o quanto valorizo o futebol pela importância na formação da sociedade brasileira de inúmeras formas (urbanismo, transporte, inclusão racial, etc.), portanto esse projeto tem sim sua importância local. Pode ter erros que ainda possam ser corrigidos ou minimizados, mas a iniciativa ajuda muito. Além disso, a iluminação traz segurança urbana, assim como o uso dos espaços, então é sempre bem vinda.

O Brasil foi, por conta da Copa e será por conta das Olimpíadas, o foco do mundo e do esporte, o local a se investir. Esse projeto nada mais é que o legado da Copa em uma de suas formas. E, mesmo que a intenção principal não tenha sido a solidariedade da Shell, e que a Copa do Mundo não tenha trazido nada para você que lê este post, não deixa de ser o legado!

Clique nas fotos para ampliá-las em uma galeria.

Medição da energia gerada pelas crianças durante a construção do campo - divulgação.
Morro da mineira
Morro da mineira, RJ
Refletor LED abastecido com a soma de energia solar armazenada e energia dos jogadores
Campo no Morro da Mineira, RJ, inaugurado dia 10 de Setembro de 2014
Morro da Mineira como parte do projeto #Makethefuture
Morro da Mineira e seu campo iluminado a noite com energia sustentável.

Fontes:

9.9.14

Agenda: Seminário Copa do Mundo - Legados para a segurança pública no país

Antes da Copa, um seminário foi realizado pela FIESP buscando soluções e metas para a ter um legado para a questão da segurança. Agora, após realizado um dos maiores eventos esportivos, faz-se um novo seminário, com os legados, que podem muito bem servir de base para correções e continuidade ou aborto para os Jogos Olímpicos de 2016. 

A inscrição é gratuita e o evento será realizado na FIESP, na Av. Paulista, 1313, em SP. 




3.9.12

O legado de Londres 2012

Diferente do Brasil, a Inglaterra, mais especificamente Londres, tinha um interesse muito maior em planejamento urbano que nos jogos olímpicos. Enquanto Rio visa obter legado com os jogos, Londres conclui etapas de um plano antigo de desenvolvimento com a ajuda dos holofotes de Londres.

O desenvolvimento da 'zona leste' londrina é feito através da regeneração de uma área pós indrustrial com muitas edificações abandonadas. A proposta de londres foi criar o complexo olímpico, um parque e posteriormente transformar os equipamentos do evento em espeços públicos, ganhando enormes benefícios ao esporte e tratando do tal 'legado' propriamente dito, com propostas habitcionais - deficientes na região atualmente.

Abaixo, o plano londrino - Clique para ampliar:



Início da proposta: 1998-2004
Plano de conclusão: 2020
Plano de Legado: 2030

Londres considerou o rio que passa pela região em dois sentidos: o paisagístico, permitindo o " uso sustentável das águas do rio, mantendo a biodiversidade, e dessa maneira também gerar visuais dos estádios", conforme matéria do arch daily, e também o de transporte público, deixando um legado de mobilidade pública fluvial. O uso de bicicletas também deve ser estimulado com o plano.

Já dediquei aqui no Gol da Arquitetura um post exclusivamente sobre a importância de valorizar os rios e ele vale não só para a Copa, mas para as Olimpíadas, já que teremos mais de 8 anos aí com holofotes voltados para o Brasil, atraindo investimentos e investidores.

Falta mais atenção, no caso do Brasil, para os esportes olímpicos, como equipamentos públicos para a prática dos mesmos e, principalmente, planos a longo prazo, com benefícios estendidos a várias áreas interessantes para a cidade do Rio de Janeiro. Há benefícios que virão (leia abaixo sobre o campo de golfe), mas pode ser pensando num prazo mais longo e com um intuito mais urbanístico.

Fonte das informações: 
Arch Daily Brasil

Leituras complementares sobre o que foi mencionado no texto:
Concurso e Olimpíadas buscando o espírito olímpico - sobre um futuro campo de golfe público para o RJ
Os rios a serem encarados para a Copa 2014
Plano urbano do Rio e das olimpíadas 2016 e a referência de Barcelona

31.7.12

Voluntariado brasileiro pode ter origem mal distribuída

Há certo tempo acompanhei o TCC do português Miguel Abreu, que agora está concluso. O trabalho de conclusão de curso, entitulado "Perfil do candidato a voluntário para a Copa do Mundo de Futebol de 2014 em Natal nos universitários de ed. física", pela federal do Rio Grande do Norte, fez uma amostragem para revelar o perfil principal dos interessados. Apesar de limitado à universidade e ao curso de ed. física, pode apontar um padrão do público. 

Em suas tabelas e gráficos observei um problema que pode servir de amostra para o país como um todo e mostrar que os brasileiros podem vir, em sua maioria, das regiões mais desenvolvidas do país. O gráfico abaixo revela o domínio de espanhol e inglês - únicas línguas com porcentagem relevante mencionados no estudo.

A tabela acima, elaborada por Miguel Abreu em seu TCC, de 2012, mencionado no início do texto

O fato de serem somente espanhol e inglês nem é tão preocupante, afinal os voluntários que mais trabalham na área de suporte de idiomas, são os voluntários internacionais. No entanto, o grande agravante do estudo é ver que estudantes universitários, ou seja, com estudos já no terceiro grau, não tem grande domínio de idiomas, principalmente o inglês que é extremamente exigido para a candidatura da FIFA. Ou seja, se nem os universitários que tem interesse em voluntariado tem esse preparo, os cidadãos interessados que não ingressaram ainda na universidade, tem menos chances de conseguir uma das vagas. Pode até ser que eu esteja errada e logo já digo porque.

A seleção da FIFA exige o inglês como lingua oficial e de domínio de todos os voluntários para plena comunicação e recebimento de ordens. Inclusive é essencial o inglês para a maioria das funções, como atendimento ao público. Independente da origem do torcedor, todo voluntário deve ser capaz de orientar, em inglês, para boa hospitalidade do evento. 

Nesses últimos anos, muitas das cidades-sede prepararam sua população (possíveis candidatos a voluntários e comerciantes) com cursos de idiomas e cursos profissionalizantes. Provavelmente o curso abrangeu classes sociais mais baixas, ou seja, não é o público que está normalmente nas universidades. Por isso talvez o meu erro. Esses cursos devem ter dado o mínimo de capacitação para que a pessoa consiga ser selecionada para a Copa 2014, caso contrário, voluntários de outras origens, podem ocupar a vaga em cidades que desejarem, ocupando a vaga daquele que não domina a língua inglesa.

Ou seja, se o Rio Grande do Norte não conseguiu qualificar seus moradores, e São Paulo sim, qualquer paulista que queira passar férias voluntariando no Rio Grande do Norte, para conhecer Natal, pode se candidatar e ser selecionado por não ter nativos preparados para o evento. Do ponto de vista turístico é até interessante, pois estimula o turismo nacional, mas do ponto de vista social, Natal perde tanto na qualificação e instrução de seus moradores como legado quanto na exclusão da participação e interação de seu público nativo no evento. 

A FIFA só verá na seleção a capacitação dos candidatos para executar as funções e considerará as preferências de cidades dos mesmos. Não considerará se o canditato é morador da cidade-sede ou não. Ela procura o melhor funcionário, os mais qualificados e com experiências relevantes. 

Infelizmente, acredito que as cidades não tenham se preparado adequadamente e as regiões mais desenvolvidas, com mais instrução e mais ricas provavelmente fornecerão mais candidatos. O Brasil perde em democracia e em legado com isso. O interessante seria igualar a origem por regiões, colocar candidatos pobres e ricos em igual patamar. 

Espero que os reais interessados em voluntariar na Copa 2014 tenham corrido atrás de conhecimentos em línguas, de trabalhos voluntários ou trabalhos na área do esporte, como há tempos recomendei nos posts abaixo:


Estamos prestes a ter o formulário da FIFA aberto para inscrição no processo seletivo e agora já não há mais tempo de preparo para o mesmo. De qualquer forma, aquele que deseja participar da copa de alguma forma, interagir, aí ainda há tempo para estudar algum idioma ou se aperfeiçoar. Comerciantes tem a obrigação de atender bem e saber se comunicar, de preparar seus menus em inglês, temos que abrigar o turista, dar condições para que gastem aqui e que retornem. Ou seja, se candidatando ou não, ainda é tempo de se instruir.

30.3.11

Barcelona e os legados da Copa

Há certo tempo, comentei em um dos meus posts sobre as mudanças em Barcelona com os projetos urbanísticos, principalmente a favor da circulação e na região portuária. Prometi também que iria escrever um dia sobre tudo isso. No entanto, hoje, me deparei com um texto da revista Contemporaneu (#08) que explica desde os planos originais da cidade, quanto as mudanças feitas para as Olimpíadas de 92, no qual deveríamos realmente nos espelhar. Não só para as Olimpíadas, mas, principalmente, para a Copa 2014, que envolve muito mais cidades - no entanto, parece ser mais fácil se limitar aos estádios medíocres, às burocracias que são burladas a favor da corrupção e à falta de democratização (direcionismo de projetos, por exemplo).

Coloco o link aqui para que possam ler a revista online. O artigo começa na página 43.
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