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26.8.14

Projeto do antigo Maracanã pode virar maquete

Dificilmente colocaria esse tipo de projeto aqui no blog, já que não me vinculo de qualquer forma com os autores, mas como tem muito a ver com a arquitetura de estádios, divulgo e quem se interessar, tem mais informação diretamente no site do Catarse.

A idéia é reconstruir o Maracanã de antigamente, antes da reforma, em um projeto de design de produto. Uma memória física para os que tem memórias imateriais da vivência do maior estádio brasileiro, antro repleto de histórias.


O projeto foi colocado no Catarse, site colaborativo que oferece benefícios correspondente ao valor investido no projeto. O que é interessante é que a maioria dos benefícios oferece a própria maquete como forma de retribuição, variando de tamanho, por um valor menor do que normalmente se encontraria nas lojas e com qualidade infinitamente melhor e mais artística que as miniaturas que a FIFA vendia durante a Copa do Mundo 2014 em suas lojas oficiais. (Foto abaixo)

Miniatura FIFA acima


O projeto tem um prazo de 2 dias para se encerrar e só será executado caso atinja a meta. Como a meta é feita eu não sei, mas vai de cada um ver o regulamento, ponderar e o dinheiro é devolvido caso o projeto não atinja o valor. Portanto, quem se interessar, todas as informações estão no Catarse.

 

*O Blog Gol Da Arquitetura se isenta de qualquer problema ou transtorno do projeto com o investidor. Esse post é meramente de divulgação.

7.7.14

Identidade dos estádios da Copa 2014

O tema 'Copa do Mundo' desperta um turbilhão de idéias em inúmeras áreas e o arquiteto/ilustrador português André Chiote fez ilustrações dos principais estádios da Copa do Mundo 2014, mostrando um pouco da importância visual da arquitetura dos estádios. Pequenos trechos devem ser capazes de destacar e fazer-nos reconhecer a identidade de um estádio. Muitas vezes já elenquei motivos pelos quais a forma do estádio deve ser desenvolvida, única e valorizada, afinal, é essa imagem na memória coletiva que pode fazer o estádio gerar rendas de inúmeras formas. 

Abaixo alguns dos pôsteres do arquiteto:





Não é a primeira vez que ele faz esse tipo de trabalho e outros estádios e equipamentos esportivos já foram alvos de seu olhar.





Para ver mais sobre seus trabalhos e até de arquiteturas não esportivas, é só conferir no site do André Chiote.

Não estou entrando no mérito da ilustração, mas em como podemos identificar os estádios por texturas, cores, formas, mesmo sem ler. É isso o que os torna únicos, o que os torna desejáveis e considerados como ponto de visitação durante viagens, referências urbanas e futebolísticas. 

Senti falta de um beira-rio! Não?

*Obviamente, por conta da Copa do Mundo não estou tendo tempo para abastecer o blog, mas podem ter certeza que tudo que tiver de melhor, pior e inusitado vai aparecer aqui no blog assim que a Copa acabar. 

11.10.13

Pré estreia do documentário "Fla x Flu - 40 minutos antes do nada", no Museu do Futebol

Ontem tive o privilégio de ser convidada para o pré lançamento do documentário Fla x Flu, de Renato Terra, no Museu do Futebol (no Pacaembu).


O documentário de 85 minutos, que passa voando, alimenta a rivalidade saudável entre torcidas rivais de forma engraçada. Fugindo de depoimentos técnicos, a paixão é documentada e complementada por imagens históricas do clássico futebol carioca que "deveria ser chamado de futebol fluminense, já que se refere ao estado e não à cidade do rio de janeiro", como disse Renato Terra ao fim da apresentação durante um debate.

O documentário não é só para flamenguistas ou fluminenses, nem mesmo somente para cariocas ou fluminenses, nem mesmo somente para quem gosta de futebol. Os depoimentos (de jogadores e de torcedores) são extremamente contagiantes a ponto de conquistar e fazer compreender a paixão pelo futebol e o poder social do esporte na união de pessoas distintas. 

O documentário registra também o principal clássico do futebol brasileiro e qualquer torcedor se reconhece em alguma das histórias, ou poderia complementar com outras parecidas. O registro da forma de torcer legítima brasileira, que aos poucos foi se perdendo por normas, regras e também por segurança traz um saudosismo para quem vivenciou tudo isso.

Veja o trailer:



Estes dias mesmo postei sobre o que é ruim da rivalidade excessiva, mas ao ver este filme, vi o que sinto de melhor na rivalidade do futebol. Recomendo este documentário a qualquer pessoa. 

A questão da reforma (ou chamada multilação) do Maracanã também foi comentada pelo Sacha e Renato ao término do documentário, ambos acreditam numa experiência diferente. Quem viveu o 'maraca' daquela forma até o fim dos anos 90, não vive mais. "Hoje o estádio é confortável, bom, mas um estádio comum", disse Renato. Já Sacha prefere se manter no bar de sempre onde acredita ter mais energia.
Segundo Renato, o Maracanã agora representa o modo robotizado FIFA de torcer. 

Estamos perdendo, com cada atitude, um pouquinho do nosso futebol e muito do jeito brasileiro de viver o futebol.

O fato de que algumas pessoas quererem acabar com os campeonatos estaduais em prol de um calendário de jogos melhor organizado também foi colocada em questão ao término do filme e Sacha se colocou completamente contra o fim. Concordo com Sacha, pois é uma manutenção da história do futebol e segundo ele mesmo disse, "Qual a graça do Flamengo ganhar do Internacional, por exemplo, e num achar um torcedor no dia seguinte para tirar com a cara?"

Enfim, a rivalidade da melhor forma que pode acontecer.

O filme emociona cada pessoa que vê o filme, nos fazendo variar entre olhos marejados e risadas.

24.3.13

Copa 2014: fazendo pouco e a qualquer custo

Todos que me acompanham desde o começo do blog e desde quando o Brasil foi escolhido como sede da Copa 2014, veem que tenho um ponto de vista positivo em sediar o evento - se soubermos aproveitar. No entanto, o Brasil tem feito muito pouco. Tudo é resumido aos estádios e pouco foi feito nos outros setores que uma copa do mundo incentiva a evoluir como, por exemplo, maior instrução de prestadores de serviço, transporte público mais eficiente e inovador, novos planos urbanos que aproveitam para resolver problemas de moradia e para desfazer barreiras, investimentos em segurança e conscientização, incentivar estudos para evoluir na questão de tecnologia, sustentabilidade e, claro, sem benefícios à saúde, sendo que muito mais poderia ser feito ou incentivado (através de iniciativa privada), em relação a novos hospitais. 

Muito pouco! 

Tivemos o que nessa preparação? Cursos do Pronatec para ajudar uma pequena parcela do público e cursos de idiomas, que, sinceramente, começou tarde demais em alguns estados para ter algum resultado até  julho deste ano ou 2014. 

Até aí, estamos 'só' perdendo oportunidades, deixando de usar o evento para trazer investimentos e desenvolver projetos engavetados, para sim, ficar na construção dos estádios. Estamos realizando o evento da pior maneira possível. Mas o pior é a política de fazer a qualquer custo.

Começou com a avenida em Itaquera (SP) que passa por uma comunidade e tirava a moradia de muitas pessoas, agora passamos pela questão do Museu do índio, com uma demolição para fazer estacionamento. Em Porto Alegre, até um comitê de defesa foi criado e que tenta conversar com o governo para evitar desapropriações. Além da atrocidade com os índios, mostrando que em todos esses anos nada foi aprendido, nada foi e será respeitado, ainda vemos que o motivo da desocupação é para valorizar novamente o carro, indo contra toda política mundial e negando todos os fatos que comprovam que, de fato, o rodoviarismo não é o caminho. 

Imagem: lancenet

Recomendo a leitura do texto sobre essa violência social escrito pela professora Fernanda Sánchez, da Universidade Federal Fluminense (UFF), publicado no site da Raquel Rolnik.

Em janeiro o Ministério Público Federal, com apoio do Crea e do IPHAN, tentou barrar a demolição. Leia mais.

Vale a pena? Nem se valesse. Precisamos aproveitar o evento, mas jamais passar por cima dos nossos deveres, da nossa honra, e respeitar todas as classes sociais, indiferente de cor, raça, credo ou status social. Mas, no Brasil, quem manda não é a ética.

6.12.12

Oscar Niemeyer e homenagem a sua arquitetura esportiva


Obviamente não poderia deixar de fazer uma postagem sobre o grande mestre da arquitetura brasileira e também mundial, Oscar Niemeyer, que faleceu ontem, aos 104 anos de genialidade.

Não vou fazer um histórico sobre o arquiteto, pois isso está aos montes nas notícias de hoje, mas gostaria de salientar alguns pontos característicos dele, junto ao histórico esportivo já que o Gol da Arquitetura trata deste assunto.

Niemeyer é famoso por seus conceitos e idéias político-sociais comunistas. Todos seus projetos não eram baseados nas necessidades do cliente exclusivamente, mas na qualidade que a obra proporcionaria aos usuários e à cidade. Ateu, o arquiteto projetou com amor extremo aos outros, para que as sensações de suas obras despertassem sonhos nas pessoas capazes de superar ou dispersar os pensamentos e momentos negativos que o mundo injusto de hoje provoca nas pessoas.

Muitas vezes não cobrou por suas obras, como para o projeto do troféu do GP de Fórmula 1 no Brasil e também para um esboço de uma escola com equipamentos esportivos em Limeira, SP.

Oscar tem um projeto executado em Diamantina, MG, para um clube de tênis, com uma marquise toda cheia de curvas, traço que preferia ao reto que era tendência na época em que começou sua carreira. Marquise esta que ele também projetou no parque do Ibirapuera, em São Paulo, interligando seus projetos e que hoje, em reforma, é palco e paixão de skatistas, patinadores e ciclistas.

Apesar de não atuar tanto na área esportiva, Oscar Niemeyer, junto a José Carlos Sussekind, fez uma proposta para a Copa 2014, para a cidade de Rondônia. O projeto não seguiu adiante, pois a cidade não foi escolhida para uma das sedes oficiais. A proposta, claro, não tinha formas retas, de um retângulo,  somente em planta, e tinha um teto retrátil, que possibilitaria o uso noturno e diurno independente das chuvas - característica da região (muito úmida).





“O futebol é um jogo que cria tantas surpresas... A bola não vai reta para o gol, tem aquele arranjo todo, aquela troca de passes...”
Oscar Niemeyer para o Esporte Espetacular, Globo, 2006

Niemeyer também participou de concurso para o Maracanã, em 1942, e, segundo ele, seu estádio seria pior que o estádio que venceu e foi construído.

“O meu estádio seria pior. Naquele tempo, a ideia que tínhamos de arquitetura em relação a estádio de futebol era fazer uma única arquibancada do lado em que o sol não batesse na cara do espectador. Depois,ao começar a frequentar estádios,vi como era importante existir arquibancada também do outro lado. O sujeito vê o campo, vê o jogo, mas precisa ver também a alegria do estádio! Então, um estádio circular, como o Maracanã, é a solução melhor.” Niemeyer em entrevista a Geneton Moraes Neto, na década de 90.




Leia mais sobre esse projeto no Portal da Copa 2014, clicando aqui.

Curiosidade: O estádio de Wembley, Inglaterra, com a proposta de reforma de Norman Foster recém lançada, foi comparada a esta proposta de Niemeyer, pela similaridade no arco.

Atualmente, seu projeto esportivo em execução é o Museu Pelé, em forma de bola, em Santos, SP.


Sua relação com o esporte não era somente através da sua profissão, com projetos. Oscar já foi jogador no fluminense (time juvenil) e já lutou com o ícone do jiu-jitsu, Hélio Gracie.

Fonte:
Fox sports



23.8.12

Soluções do novo Maracanã

Quanto mais vamos nos aproximando da Copa do Mundo 2014, mais o Maracanã e suas obras são desmistificadas. 

O que antes teria ainda dois anéis de arquibancadas, agora podemos ver um único corpo, um único anel. 

Fonte: PiniWeb


Sua cobertura, que será em PTFE e que receberá placas solares para geração de energia, cobrirá cerca de 95% dos assentos, ou seja, cerca de 76mil lugares do estádio. Fica a dica então de não comprar ingressos próximos ao campo em dias de chuva!

Já as arquibancadas terão um sistema de amortecimento das  arquibancadas. Por ser também palco de shows, foi elaborado para o Maracanã um sistema de contraforte, capaz de diminuir as vibrações de um público estusiasmato. Para saber mais sobre esse sistema, leia a matéria abaixo que está bem explicado como funciona:

Arquibancadas do Maracanã terão sistema de amortecimento para suportar quase 80 mil espectadores

21.8.12

Novas poltronas do Maracanã foram apresentadas


Como mencionei há certo tempo, as antigas poltronas já foram doadas para alguns equipamentos. Além disso, em análise para a Universidade do Futebol, sobre o estádio em questão, mencionei a disposição dos anéis em relação às cores das poltronas - amarelo, azul e branco, separados por anel de arquibancada se afastando, nessa ordem, do gramado.

Neste último dia 16, os modelos das poltronas foram disponibilizados para visualização do público, no portão 18, na torre envidraçada do Maracanã. Segundo a divulgação,  os modelos, são os seguintes:

- Para a arquibancada comum (possivelmente em cores que respeitem a ordem previamente relacionada aos anéis:


-Para as cadeiras especiais:

-Para os camarotes , a poltrona azul, e para a tribuna, destinada às autoridades, a poltrona amarela:


Fonte das imagens: Blog do Ancelmo

12.7.12

Construções lucram com a copa

Equipamentos esportivos e públicos devem ter desenvolvimento baseado em materiais descartados de estádios da Copa.

Com a certificação LEED (Leadership in Energy e Enviroment Design) é estipulado que, para não estourar nas pontuações que dão o selo de edificação verde, qualquer entulho e materiais sejam destinados a locais a um certo raio de distância. Com isso, aterros devem contar com entulhos de demolição de estádios como o Fonte Nova e a Arena Pantanal, em Manaus. Já assentos como os do Maracanã, em enorme quantidade, já estão sendo doados a equipamentos menores, onde não há exigência e padrão de qualidade tão alto quanto um estádio. 

Abaixo, foto de um dos equipamentos que receberam tais assentos e um link para a matéria que fala mais deles.

Estádio Moça Bonita
"Cadeiras antigas do Maracanã equipam arenas de todo o estado"

Daria , inclusive, para fazer novas brincadeiras com as cores, deixando as arquibancadas mais trabalhadas.

Mais uma vez, a copa não traz benefícios somente aos estádios, nem mesmo somente ao esporte. Muita coisa se envolve... se o país assim quiser.


24.2.12

Arquibancadas trabalhadas

Em reformas pequenas dos estádios brasileiros é muito comum que se troquem as cadeiras/assentos e ou mesmo os coloquem pela primeira vez, pois muitos dos nossos equipamentos ainda são apenas degraus, como as famosas arquibancadas para a torcida geral, sem lugar marcado e capacidade duvidosa e muitas vezes exagerada, acabando com a segurança.

Na grande maioria das vezes, os estádios também usam cores do time para diferenciar setores e/ou anéis de arquibancadas, torcidas visitantes da torcida da casa e camarotes. No entanto, tem locais que trabalham essas cores e modelos dos assentos de forma diferente.


Acima, o projeto do estádio do Beira-Rio (sede do Inter) para a Copa 2014 e, abaixo, o Maracanã até o início das reformas para a Copa 2014. Ambos com blocos de cores sem trabalho propriamente dito. O primeiro, cores do time, e o segundo, com as cores do Brasil.


Acredito que o trabalho dos assentos seja uma forma menos onerosa de investir em algo marcante. Se o estádio tem um porte bem menor ou não pode arcar com gastos em coberturas mais tecnológicas ou materiais mais atraentes e projetos que os tornem marcos arquitetônicos buscando uma imagem mais marcante que possa trazer mais visitas, essa é uma boa alternativa, inclusive algo simples de ser feito, inclusive para pequenos ginásios, ou até mesmo pequenas arquibancadas de centros de treinamento ou campos de futebol society. 


Acima, o estádio Moses Mabhida, em Durban, sede da Copa 2010 - África do Sul. A simbologia das cores das arquibancadas era o encontro das águas do pacífico com a terra sul-africana, notando assim as águas abaixo e um tom mais terroso no topo do anel superior. Já abaixo, o Estádio Mbombela, também sede da Copa 2010 que fazia referência às zebras e girafas, fauna sul-africana - embora eu só enxergue a zebra.


Há também exemplos de arquibancadas trabalhadas, mas nem tanto, como a do novo estádio da Juventus como vemos abaixo, com a passagem de preto para o branco e com as estrelas do time estampadas:


Mencionei anteriormente em um post sobre a possível influência das cores dos estádios no comportamento da torcida e, de repente, seria uma boa alternativa fazer testes e estudos analisando dados de violência em estádios mudando as cores dos assentos, não necessariamente com reformas, pois seria muito caro e absurdo, mas com alguma outra alternativa. De repente, valeria a pena.

Abaixo, mais um texto que já escrevi e que pode colaborar com esse post de hoje:

Ontem saiu mais uma coluna minha na Universidade do Futebol, sobre os Centros de treinamento, sua importância e referências, podem ler clicando aqui.

10.7.09

Cidades-sede: Rio de Janeiro

Candidata única ao encerramento da Copa do Mundo de 2014. As chances de grande sucesso e belíssima representação são enormes. A cidade é maravilhosa (tem seus problemas como toda grande cidade). Bem representa nossas belezas naturais, alguns de nossos hábitos e tradições e ainda tem um povo muito prestativo, no que se diz respeito ao turismo.



O palco do espetáculo é, obviamente, o Maracanã, que marca a história do Rio de Janeiro e do futebol. O mais legal é que as mudanças não descaracterizam o estádio, assim como no Mineirão.
(Ainda bem, porque, sendo tombado, não poderia mesmo). Mas acho estranho modificar tanto um projeto a ponto de nem ser reconhecível, como é o caso do Wembley. Pode ter melhorado, mas é outro estádio.


Sob o questionamento de uma demolição de parte do complexo do maracanã (tombado pelo IPHAN), o projeto do Rio está caminhando . No caso, iriam abaixo o parque aquático Julio Delamare e o estádio Célio de Barros, tombados pelo município. Vejo como absurda a demolição. Até contribuiria para a circulação livre em volta do estádio. Sobre o espaço que a FIFA exige, ele poderia ser feito em algum lugar, mas não por no chão estruturas relativamente boas como as mencionadas. Essa área, onde hoje estão o parque aquático e o estádio, serviria para a construção de um estacionamento. Acho que essa não é a melhor opção. Estaríamos tirando infra-estrutura esportiva (que já é pouca no Brasil) para ganhar mais um estacionamento, como mais um novo estímulo para a "comodidade" de se andar de carro. Porque não incentivar transportes alternativos e manter estes equipamentos, que ainda podem ser melhorados no futuro?



O Rio é uma cidade plana, e com uma orla linda, porque não incentivar mais ainda o transporte (turístico, lazer e de locomoção mesmo) pela cidade? Algumas ainda tem dificuldades pelas geografia (apesar de não ser grande desculpa), mas o Rio é a cidade que é ideal para o uso de bicicletas.


Mais especificamente sobre o projeto: as maiores modificações será a cobertura, acessos internos e arquibancada. Hoje a cobertura é bastante pesada e cobre somente parte do estádio. Visando uma melhor proteção e conformo ao torcedor, a cobertura protegerá 100% da arquibancada com parte dela sendo em material transparente e mantendo parte da iluminação natural.

Li uma vez a tese de mestrado, "Estádios: 4 casos brasileiros", de Álvaro Augusto Cerqueira de Aguiar, SP, de 2003. Pode até estar desatualizado até agora, mas algumas coisas ainda valem. Nesse tese, o autor analisa o Maracanã, o Morumbi, a Arena da Baixada e o Pacaembu. Sobre o Maracanã, foi citado que a recepção de luz solar está em 2000 lux, muito acima ao exigido na época 1200 lux. Não tenho a informação de quanto é exigido agora, mas imagino que com o uso do material, essa quantidade de luz não modificará muito, deverá atender muito bem... acima do que os outros estádios proporcionam, sem dúvida.

Sobre as arquibancadas, conforme o relatório "Vitrine ou Vidraça", sobre os desafios das cidades perante a copa, o Maracanã deverá ter suas fileiras mais próximas trabalhadas já que não tem visibilidade boa.

Sobre a circulação do estádio, ele é feito por duas grandes rampas em lados opostos do estádio. No entanto, a circulação interna é defasada para acessibilidade de pessoas com deficiências físicas. Essa deve ser a grande melhoria que o estádio deve sofrer.


A questão da acessibilidade ao estádio deve ser trabalhada, já que hoje o foco é a estação do metrô que fica insuportável após jogos pois a torcida toda não se dispersa no caminho lotando a estação, vagões e trajeto, onde é necessário, as vezes (como foi no encerramento do Pan), fazer barreiras de controle para liberar aos poucos as pessoas para entrar na estação, causando um bom tumulto. Melhorias nas linhas do metrô (trajeto e estações) são essenciais. Um estudo já foi realizado, incluindo um projeto urbanístico mais amplo ainda, trabalhando não só o fluxo mas a questão paisagística (árida atualmente mas que poderá contar com espécies da Mata Atlântica) e sustentável. A proposta*, elaborada pelo Artetec Arquitetura e Construções apresenta um estacionamento suspenso com vagas para carros e bicicletas, acima da linha ferroviária, integrada com passarelas de acesso ao estádio e um terminal intermodal (foto abaixo). Parece bastante completo.

* Leia mais sobre a proposta!

Imagem do site da Artetec
A foto acima é uma maquete que não é de brilhar os olhos, no entanto, mostra um conceito interessante para esse projeto, que pode ser ainda melhorado no desenvolver do projeto, digo isso pelo design.

Uma preocupação que tenho, é com a interpretação do possível uso de placas solares. A idéia parece boa, mas tem que se ter muito cuidado ao utilizar as placas para que não suma a arquitetura e todo o trabalho dos materiais utilizados. Placa solar não é a única solução sustentável. O aproveitamento da luz solar, estudos de fluxos de ar, de brises (barreiras para sol forte - como no Copan em SP), são formas dentro da arquitetura para trabalhar essa questão. Essa proposta parece entender essa questão, por isso apresentam o seguinte desenho:





Outro exemplo de arquitetura no mundo é do Arquiteto Renzo Piano, que também trabalha muito bem dessa forma. É um dos arquitetos que considero ter uma das melhores habilidades de trabalhar com a arquitetura para resolver esse tipo de empasse, isso porque seu escritório é tem um setor de workshop, onde pesquisas e experiências são feitas. Na imagem abaixo, dá para ver como é funcional e, por isso, econômico.

Imagem retirada do site de Renzo Piano

De qualquer forma, o Portal da Copa, divulgou uma matéria sobre um estudo que parece ter sido feito sobre o custo/benefício dessas propostas ser inviável.



As imagens acima foram retiradas do site do Arquiteto Paulo Casé, e é para a sede fixa da CBF, em um terreno cedido para o comitê, junto ao Museu do Futebol (???)
Queria saber de vocês, se alguém sabe o que acontece com essa programação. Lembro-me de ter visto o Museu do Futebol no próprio Maracanã. Até achei no wikipedia o museu para ver se eu não estava enganada. Alguém tem alguma notícia sobre esse museu que já existe e foi inaugurado em 2006. Ele vai ser transferido? ou concorrerá com OUTRO museu do Futebol? Acho impossível que tenham tido essa idéia estúpida. Espero que alguém tenha informações.
Sobre esse projeto, não tenho muito mais material sobre ele, mas achei uma arquitetura chata, super vanguardista (como é mesmo o perdil do arquiteto), e acho que os elementos e a linguagem adotada não tem nada a ver com a cidade do Rio. Não me convenceu muito.

O Rio também pretende ter o Centro de mídia.

Sobre o meio ambiente, o Rio de Janeiro promete controlar qualidade do ar, manter a qualidade da Lagoa Rodrigo de Freitas e em Jacarepaguá, e manter boa a balneabilidade das praias. Senti falta de mencionarem qualquer coisa sobre a Baía de Guanabara que é praticamente a porta de entrada para quem vem de ônibus. Vi também muitos problemas na região central, assim como é no centro de SP, tudo muito vandalizado, uma aparência de abandonado em algumas regiões. Sem contar na falta de segurança.

Outra coisa que me preocupa é a prostituição, extremamente explícita em copacabana. Afinal, queremos melhorar não só a imagem do país, mas da mulher também, que sofre muito preconceito fora do país. (digo porque já senti na pele!)

O Rio pretende fazer a urbanização de algumas favelas, conforme o relatório do Sinaenco. No entanto, essa é uma questão contraditória. Não entrarei muito no mérito, muito mesmo porque não tenho uma solução, mas deixarei brevemente meu ponto de vista. Urbanizar é quase que regulamentar. Se as favelas não eram para estar ali é porque tem um motivo, na maioria das vezes ambiental ou simplesmente pela segurança das construções devido à geografia. Urbanizar é aceitar e não fazer nada para recuperar. Não sei qual é a resposta, mas certamente não concordo com esta.

A rede hoteleira é bastante vasta, muito mesmo por ter o carnaval e reveillon como eventos mundiais, mas, mesmo assim, 19 novos hotéis devem ficar prontos até 2011. O Rio também tem experiência com a organização durante o evento, como o Pan (durante o evento)

Sobre minhas experiências no Rio de Janeiro, acho que também deve ser implementada uma fiscalização mais severa no trânsito. Lembro de passar apuros com os motoristas malucos, correndo em excesso em ruas movimentadas próximas à orla. Mas não são só os ônibus, os motoristas de carro também dirigem a toda velocidade. Sobre taxistas, não sei se, infelizmente tive uma má experiência, mas os dois taxistas que peguei tentaram fazer o maior caminho possível, pensando que eu estava perdida e também não foram nada educados. Enfim, é uma questão a ser trabalhada se não fui eu a azarada. Fora isso, todos os outros setores, principalmente o comércio, foram super receptivos, hospitaleiros. Albergues poderiam ter mais, principalmente porque muitos países europeus estão acostumados com isso. Os dois onde fiquei no rio não eram dos piores. Mas um deles não tinha nem um armário para guardar as malas.

Enfim, isso são experiências que tive.

Sinto que ainda faltam coisas a ser mencionadas, quem lembrar de assuntos que deixei de lado, por favor mencionem que complementarei nos comentários.

Ahhh, quem souber o que é ao certo a torre e esplanada que está na imagem geral do maracanã, favor comentar!!!

Acredito que o Rio tenha vários projetos a serem desenvolvidos, de conscientização, segurança e infra-estrutura, mas será uma boa sede. Sem dúvida! Não há como ir ao rio e não se apaixonar pela cidade. Contrastante, mas linda! Conheço até alguns estrangeiros que vieram para visitar favelas, e tem até passeios turísticos por elas.
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