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24.9.10

Voluntários da Copa 2010 não foram pagos - 2 meses após o término do evento

Mais de dois meses  após o término do mundial e muitos voluntários ainda não receberam seus pagamentos.
Antes de se tornar voluntário, todo candidato assina um contrato com a FIFA, onde são detalhadas as suas obrigações e compromissos e onde deixa claro tudo o que a FIFA e o comitê Local de Organização se compromete a fazer pelo voluntariado.
Depois de selecionados, os voluntários da Copa 2010, na África do Sul, recebem uma carta aos voluntários internacionais (Letter to International Volunteers). Veja imagem abaixo.
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O Stipend, onde grifei de verde, é o pagamento que cada voluntário recebe. Conforme este termo,  recebem esse ’stipend’, os voluntários que cumpriram seus turnos, independente da carga horária, recebendo R100 (rands – moeda sul-africana), equivalente a cerca de R$25,00, por dia de trabalho, ao término do evento.
Alguns voluntários internacionais receberam o pagamento ainda na África do Sul, dependendo da organização de cada cidade. E cada cidade adotou uma forma de pagamento (cartão para saque, depósito em conta ou dinheiro vivo). Na cidade de Johannesburgo, alguns receberam em dinheiro outros receberiam diretamente na conta. Os que receberam ainda em território sul-africano foram taxados em 25%. A justificativa era que todo o trabalho prestado na África do Sul, teria essa taxa a ser cobrada. No entanto, voluntários internacionais de outras cidades não tiveram essa taxa deduzida, pois, segundo a legislação sul-africana, o turista internacional recebe de volta os impostos pagos.
Os responsáveis pelo programa de voluntários do Soccer City (não é o comitê local de organização – LOC), em Johannesburg, enviaram um email geral aos internacionais com um exemplo a ser seguido para que falássemos os dias trabalhados, os valores devidos e/ou as taxas cobradas indevidamente.
Alguns dos voluntários foram taxados também nos valores de comida (não fornecida no início do trabalho voluntários) – o que é incabível – e alguns não receberam seus certificados e os “gift bags”.  Segundo a organização, os certificados foram postados semana passada.
No email com a formatação sugerida pelos responsáveis pelo voluntariado, cada reclamante deveria colocar seus dados bancários e valores e encaminhar o email aos responsáveis. Ao término, na própria sugestão continha o texto:

I sincerely hope that the above matter(s) will be addressed by 24 September 2010 as this is long overdue. Should this email go unanswered, I am willing to escalate the situation, including contacting other Organising Committee members, FIFA members and my local and international media outlets“.

Eu sinceramente espero que o requerido acima seja enviado até 24 de Setembro de 2010, já que já está muito atrasado. Se esse email não for respondido,  estarei disposta a relatar a situação, incluindo  contatar outros membros do Comitê de Organização, membros da FIFA e a minha mídia local e mídias internacionais.”

Até hoje, dia 24 de Setembro, nenhuma resposta foi dada aos voluntários que preencheram esse ‘formulário’ de reclamação e nenhum dinheiro foi depositado na conta fornecida.
Voluntários sul-africanos sofriam e protestavam com a organização sul-africana, que raramente dava informações, dizendo sempre não saber como seria pago e adiando sempre os pagamentos.
Em Agosto, foi reportado pelo site News24.com a falta de pagamento aos sul-africanos e a indignação dos mesmos. Hoje, segundo reportagem outra reportagem, o coordenador do programa de voluntários, Onke Mjo, diz que cerca de 10.000 dos 15.ooo voluntários ainda não receberam seus ’stipends’. Diz também que os voluntários internacionais já receberam o dinheiro por não ter como sacar do cartão FNB fornecido, o que, de fato, é mentira. Somente alguns receberam e sob as taxas indevidas.

A desorganização da Copa 2010, foi tamanha que nem mesmo uniforme completo alguns voluntários receberam. Além disso, nenhum voluntário recebeu luvas, como prometido, mesmo com o frio intenso. Informativos aos próprios voluntários eram disponibilizados em algumas cidades e em outras não.

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Acima, kit fornecido para voluntários em Cape Town.  Em Johannesburg, foi distribuído um guia de bolso somente.

Texto postado inicialmente no Blog Arquibancada. Mas, por problemas temporários no acesso ao texto, postado aqui também.

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