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18.11.11

Uma lição em várias histórias de Chimamanda Adichie

Hoje, diferentemente de outros posts, venho com um tema diferente. Não é um tema técnico de arquitetura, nem mesmo está relacionado aos esportes, Copa do Mundo ou Olimpíadas. Vejam, primeiramente, o vídeo em duas partes que fala da importância de rejeitar uma única história. Uma lição a todos.





Conto agora uma breve história que vivenciei em uma viagem que fiz. Em 2006, fui aos estados unidos apresentar um trabalho, fruto de um workshop de urbanismo no MIT, em Boston. Aproveitei a viagem para conhecer um pouco mais a cidade, de todas as formas possíveis, inclusive passeando de patins pela cidade. Queria conhecer ao máximo de tudo e de todos. Em um dos dias de passeio, peguei o metrô e ao aguardar em uma plataforma (errada, por sinal), um americano veio me pedir informação. Ao dizer que não era de lá, ele puxou conversa comigo e com um senhor ao lado, perguntando mais sobre de onde eu vinha e como eram as coisas por aqui. A conversa foi mais ou menos assim:

Americano: Brasil? Que legal, e como são as pessoas por lá?
Lilian: Como são em que sentido? Brancos, negros, índios, educados, marginais, rabugentos, simpáticos? 
Americano: Como são no sentido de descendência..
Lilian: Somos uma mistura, muitas descendências: alemães, italianos, portugueses, espanhóis, índios e também africanos. (nesse caso, depois de ver o vídeo me sinto até bem mal em ter generalizado, mas no caso, foi um desconhecimento meu).
Americano: Ah claro, pela proximidade, né? Por serem vizinhos, acabam migrando para o Brasil.
Lilian: Ah sim, claro... com essa proximidade toda, e só um oceano inteiro e praticamente um hemisfério de distância, torna-se muito fácil se mudar para o Brasil.
Americano: É que eu sou ruim de Geografia...

Como se não tivesse notado, cheguei a explicar onde ficava o Brasil, inclusive explicando que estava no continente americano, causando uma reação de espanto no sujeito. Mas, não contando somente esta história de como os americanos são estúpidos e ignorantes em relação ao mundo que existe fora do mundinho americano que eles conhecem, falo também da cara de surpresa do senhor que estava mais calado que falando junto a nós dois. Ele sabia da tremenda bobagem que o outro americano estava dizendo e vi na cara dele a vergonha que ele sentiu e o apoio à minha resposta e à explicação que dei. Nem todos os americanos são estúpidos.

Agora estava pensando. Não é por conta desses esteriótipos (palavra que repudio) que os brasileiros são mal vistos lá fora? Mesmo que se comportando bem? Eu mesma já fui abordada lá fora como um certo desrespeito pela imagem das mulheres brasileiras, também já passei muita vergonha ao não conseguir dançar absolutamente nada depois de muita insistência e de ouvir frases como "não há brasileira que não saiba dançar". Já passei por desaforos de italianos que mencionaram ter medo de vir aqui na Copa e serem roubados (pertences e rins). Hein? Pelo ICQ, quando criança, ainda me deparei com um inglês que perguntou quais tipos de animais tinham na minha casa e como era a minha casa, de que material era feito. Se surpreendeu muito ao saber que eu só tinha cachorros e que minha casa era de tijolo, telha, alvenaria convencional, como a dele. No entanto, já tive experiências maravilhosas, vindas dos mesmos países. Gente de fora que sabia mais do nosso futebol que muitos de nós mesmos, que gostava de artistas tradicionais brasileiros e não do funk que toca nos filmes, que sabia as diferenças entre animais brasileiros que eu mesma não sei distinguir um de outro. Não somos superiores, nem eles. Como Adichie mesmo diz, somos mais similares do que diferentes.

Quando fui para a Copa do Mundo na África do Sul, fui até com medo de me surpreender. Na verdade não sabia e não sei ainda se é bom me surpreender. Não queria chegar com uma imagem formada e não sabia ao certo o que esperar e tinha certo medo de que fosse muito diferente do que imaginava. Nunca havia pesquisado sobre a África do Sul e nem o fiz antes de visitar para não distorcer minha visão (se é que existia alguma). Meu conhecimento era geral, o que a maioria sabe: animais, safaris, 'fim do apartheid'. Felizmente, (acho que felizmente) a África do Sul não me surpreendeu em muitos sentidos o que é diferente de conhecer coisas que não conhecia.

Será que com os grandes eventos, como a Copa do Mundo e as Olimpíadas, que mostrarão o Brasil de todas as formas possíveis lá fora e que trará muito turista, a gente não poderia contar histórias novas e diferentes? Não deixar que somente os estrangeiros contem nossas histórias, mas nós mesmos possamos aproveitar para contar com a nossa vivência sob nossos olhares. Até nosso cinema acaba insistindo em algumas histórias que enfatizam a violência: Carandiru, Tropa de elite e Cidade de Deus são alguns deles. São ótimos filmes na minha opinião, mas não contam histórias diferentes, batem na mesma tecla, fortalecem a mesma imagem, a mesma história. O cinema brasileiro tem conquistado novas áreas como a comédia ou o drama. Mas os de maior sucesso lá fora, são os que mostram a violência. Não deixa de ser nossa realidade, mas não a única, o país tem muito mais o que mostrar, muito mais a contar. Somos um povo hospitaleiro, um povo que ri da própria tragédia, um povo trabalhador, artista, solidário. Temos muito trabalho em cima de campanhas contra a AIDS. Quase não mostramos isso (salva uma aparição de controle e exames no carandiru). Por que não mostrar um pouco de positivismo. Além di violência, o que vemos adoidado é promiscuidade. Como podemos querer credibilidade se nós mesmo, o nosso cinema, só mostra isso?

Incentivo e espero estimular qualquer brasileiro que queria fazer estudos fotográficos, teatrais ou cinematográficos que contem coisas diferentes, sob olhares diferentes, contemos histórias para nós mesmos, assim nós mesmos diminuiremos nossos preconceitos regionais e respeitaremos mais uns aos outros. Acho que esse pode até ser um argumento de projetos culturais para os brasileiros conseguirem apoio, do governo ou do poder privado. Que a gente possa aproveitar da nossa forma a oportunidade e visibilidade que estamos ganhando por um bom período.

18.8.10

Logotipo da Copa - Concurso R$3.000,00

Todos sabem do desgosto mútuo perante o logo da Copa.


Acima, a versão original do logotipo - ainda 'crua' - e depois já renderizada - que pra mim continua tão ruim quanto a primeira

Eis então que o Portal da Copa 2014 lança o concurso "Não gostou? Então faça!" . A premiação é de R$ 3.000,00 e é aberta a designers, estudantes e leigos que tenham boas idéias.

Mais detalhes do concurso serão divulgadas nessa sexta 20 de agosto no Portal da Copa.

Desde que o logotipo virou piada, alguns blogs, como o blog Logoeca, abriram espaço para que charges, piadas fossem publicadas pelos leitores.Há também o blog Assuntos Criativos que abriu uma album de sugestões enviadas por leitores. Por enquanto são poucas propostas, espero que cresça mais. 

Abaixo, à esquerda, a mais famosa das brincadeiras com o logotipo anunciado em Johannesburgo, ao lado, um logo que, na minha opinião, se melhor desenvolvida graficamente, tem muito mais potencial que o oficial.e, por último, uma charge desenvolvida e publicada no logoeca.

Abaixo, coloco alguns logotipos dos três últimos mundiais para termos uma comparação com o que temos para 2014:



Abaixo, logo para Jogos Panamericanos 2007, Jogos olímpicos de Inverno 2014 e Sul-americanos 2010:


Só no Brasil, podemos colocar o logotipo oficial da copa, concorrendo como pior logotipo para um mega evento esportivo junto ao logotipo de SP, como cidade-sede:


Ou quem sabe, com aquela suposta segunda opção que é praticamente igual ao logotipo sul-africano, mas com uma montagem 'meia-boca':

Incrivelmente, seria uma concorrência exclusivamente nacional. Os três logotipos (Copa 2014 oficial, SP 2014 e 2º opção para Copa 2014) questiona a qualidade do design gráfico no Brasil. Seria isso mesmo? Não é no próprio Brasil que temos uma das maiores equipes publicitárias, lidando diretamente com grandes designers? Pois o caso então fica com a escolha do desenvolvimento desses logotipos. O grande problema é que não abrimos oportunidades para a participação de todos, excluindo 'pequenos' que poderiam ser 'grandes' designers se tivessem espaço para mostrar seu trabalho. Existe um direcionismo no Brasil.

O logotipo da candidatura do Brasil (abaixo) era melhor do que foi proposto. Esse novo, eleito via um suposto e nada transparente concurso é motivo de vergonha e desapontamento de leigos ou especialistas no assunto.. Espero que o mesmo não aconteça com o logotipo do Rio 2016, que tem hoje um logo bem representativo e que tem em desenvolvimento um concurso pela ADG para a marca desses Jogos Olímpicos.

De qualquer forma, o designer Felix Sockwell, americano, gastou alguns minutos 'recauchutando' a proposta oficial e pelo menos, com bons argumentos, modificou um pouco dessa monstruosidade:



Fontes:

14.2.10

Vancouver 2010 - Design das medalhas "verdes"



As medalhas desses jogos olímpicos e paraolímpicos (que virão logo em seguida) são feitas com material reciclado: partes de placas eletrônicas e circuitos velhos reaproveitados. A idéia "verde" é o lema das olimpíadas de inverno de Vancouver já que, com o aquecimento global, os jogos olímpicos de inverno estão ameaçados. Foi a partir daí, que esse tema virou obrigação dos canadenses, provando que é possível realizar provas "neutras em carbono".

A concepção

As medalhas foram elaboradas em colaboração da artista aborígene Corrine Hunt, e do designer, Omer Arbel. E conta com uma arte índigena local desenvolvida sob temas escolhidos para a representação do país.

A referência

As medalhas para as Olimpíadas são redondas (abaixo à esquerda) e foram elaboradas considerando as baleias orcas, encontradas na costa Oeste do Canadá. Além disso, as Orcas tem sua imagem baseada nos atributos de força, trabalho em equipe e dignidade.


Já as elaboradas para as paraolimpíadas são quadradas de cantos arredondados (acima à direita) e foram concebidas considerando a imagem de cura, transformação e de determinação, criatividade e sabedoria do Corvo, símbolo dos atletas paraolímpicos. Essas medalhas contam com inscrições em braile no verso (imagem abaixo).



Ambas as medalhas tem um movimento que representa as ondas dos oceanos, as montanhas e a neve da região da Colúmbia britânica, local onde Vancouver está situada. Além disso, em todas as medalhas está o símbolo das olimpíadas e o título dos Jogos Olímpicos grafados no verso.


Curiosidades

Cada face das medalhas é diferente, tornando cada uma delas um exemplar único. Foram produzidas, no total, 615 e 399 unidades para os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos, respectivamente. Todas baseadas na arte original.

O processo de criação durou 2 anos.

As medalhas são as mais pesadas da história.

O que podemos tirar para a Copa do Mundo 2014 e Olimpíadas 2016

Para ambos os eventos, podem ser abertos editais públicos de participação de profissionais para o desenvolvimento de medalhas. O mesmo pode acontecer com a tocha, mascote e logos. A abertura desses editais garante oportunidades ao profissional local, oferece um leque maior de boas opções e faz juz aos investimentos com capital público, fomentando o design nacional, evitando direcionismo.

Veja o vídeo oficial abaixo onde podemos ver mais detalhes da concepção das medalhas:



Mais medalhas de outros eventos, mascotes e tochas olímpicas ficam para um outro post.

Fontes:
Terra, Yahoo, Globo, Olhar digital
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