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24.2.12

Arquibancadas trabalhadas

Em reformas pequenas dos estádios brasileiros é muito comum que se troquem as cadeiras/assentos e ou mesmo os coloquem pela primeira vez, pois muitos dos nossos equipamentos ainda são apenas degraus, como as famosas arquibancadas para a torcida geral, sem lugar marcado e capacidade duvidosa e muitas vezes exagerada, acabando com a segurança.

Na grande maioria das vezes, os estádios também usam cores do time para diferenciar setores e/ou anéis de arquibancadas, torcidas visitantes da torcida da casa e camarotes. No entanto, tem locais que trabalham essas cores e modelos dos assentos de forma diferente.


Acima, o projeto do estádio do Beira-Rio (sede do Inter) para a Copa 2014 e, abaixo, o Maracanã até o início das reformas para a Copa 2014. Ambos com blocos de cores sem trabalho propriamente dito. O primeiro, cores do time, e o segundo, com as cores do Brasil.


Acredito que o trabalho dos assentos seja uma forma menos onerosa de investir em algo marcante. Se o estádio tem um porte bem menor ou não pode arcar com gastos em coberturas mais tecnológicas ou materiais mais atraentes e projetos que os tornem marcos arquitetônicos buscando uma imagem mais marcante que possa trazer mais visitas, essa é uma boa alternativa, inclusive algo simples de ser feito, inclusive para pequenos ginásios, ou até mesmo pequenas arquibancadas de centros de treinamento ou campos de futebol society. 


Acima, o estádio Moses Mabhida, em Durban, sede da Copa 2010 - África do Sul. A simbologia das cores das arquibancadas era o encontro das águas do pacífico com a terra sul-africana, notando assim as águas abaixo e um tom mais terroso no topo do anel superior. Já abaixo, o Estádio Mbombela, também sede da Copa 2010 que fazia referência às zebras e girafas, fauna sul-africana - embora eu só enxergue a zebra.


Há também exemplos de arquibancadas trabalhadas, mas nem tanto, como a do novo estádio da Juventus como vemos abaixo, com a passagem de preto para o branco e com as estrelas do time estampadas:


Mencionei anteriormente em um post sobre a possível influência das cores dos estádios no comportamento da torcida e, de repente, seria uma boa alternativa fazer testes e estudos analisando dados de violência em estádios mudando as cores dos assentos, não necessariamente com reformas, pois seria muito caro e absurdo, mas com alguma outra alternativa. De repente, valeria a pena.

Abaixo, mais um texto que já escrevi e que pode colaborar com esse post de hoje:

Ontem saiu mais uma coluna minha na Universidade do Futebol, sobre os Centros de treinamento, sua importância e referências, podem ler clicando aqui.

2.9.10

Arena do Corinthians - Breve análise: Acesso

Como não há muito material gráfico disponibilizado pelo Corinthians ou pelo arquiteto, farei uma breve análise sobre a inserção dessa nova proposta no terreno de Itaquera, onde já começaram as movimentações de terra e limpeza do terreno. 


Na imagem acima, podemos notar a inserção do estádio no terreno. Logo na saída do metrô há uma passarela¹ (ao fundo da imagem) que dá em uma parte do terreno onde está em andamento um projeto institucional. Essa passarela evita a travessia pela Radial Leste, que tem intenso tráfego. Um dos principais motivos em este ser um dos melhores terrenos onde o Corinthians tinha a possibilidade de construir um estádio fica por conta da existência da estação Corinthians-Itaquera do metrô e da estação de trem da CPTM. A proximidade ao aeroporto internacional de guarulhos, também é fundamental para a realização de eventos internacionais. Considerando esse acesso principal público (metrô+trem+ônibus) podemos chegar à conclusão de que o principal acesso se dá por essa passarela já existente. No entanto, no projeto não foi contemplado qualquer privilégio a essa passarela. Pelo contrário! O principal acesso é pela Radial Leste e entre a passarela e o estádio há um setor do estacionamento. 

Em um caso como este, seria muito bom um acesso como o do Allianz Arena, em München (Alemanha), ou como o acesso da Moses Mabhida, em Durban (África do Sul), ou até mesmo ao complexo do cubo d'água e ao ninho do pássaro, em Beijing (China). No três casos (respectivamente nas imagens abaixo), há tipos diferentes de acesso, mas todos definem um trajeto principal e facilitado, dando mais segurança e conforto. Somente em volta do estádio o público se ramifica. Mesmo na proximidade do estádio, esse espaço de circulação é amplo. O Allianz arena tem um acesso que é uma plataforma sobre o estacionamento, o Moses Mabhida conta com uma escadaria leve, junto a uma rampa, destacando o eixo que dá de frente à abertura do estádio. Já em Beijing, foi definido um acesso centralizado para todo o complexo esportivo (Olimpíadas 2008) e logo no entorno do estádio, um espaço bastante generoso para distribuição do público. 

 



Na outra imagem divulgada, a conclusão que podemos ter é que a proteção da cobertura é quase que somente para o sol do meio dia (curiosamente horário que não costumamos ter jogos). Em caso de chuva com qualquer tipo de vento (fácil na região já que é bastante aberta) a torcida atrás dos gols ficaria sem proteção alguma. Positivamente, a cobertura transparente, dependendo do material e com a porcentagem de translucidez, pode colaborar com a grama. No entanto, esse problema ocorrerá na área dos gols, pela cobertura atrás dos mesmos que não permite a insolação em certos horários. É justamente nessa área onde tem maior desgaste do campo. Proposta essa que deve ser repensada. 


Vendo pela questão da escolha do terreno, o espaço garante bastante fluidez no entorno do estádio, com segurança em casos de emergência. 

Não nego a grande colaboração que um estádio desses pode dar para a cidade e com a região de Itaquera, Patriarca e Arthur Alvim, mas em termos de projeto e o que foi apresentado até agora, há pontos que devem ser tratados criteriosamente. Espero que o próximo material gráfico que seja divulgado possa mostrar mais detalhes, questões que consideram a sustentabilidade ambiental desse estádio e sustentabilidade financeira - já que é chamada de 'arena' e que, por favor, não seja algo como: polo cultural ou institucional ou qualquer outro ramo genérico como 'centro de convenções de 15.000m²' como foi dito e que não diz nada específico.

O novo projeto do Corinthians é de autoria de Coutinho Diegues Cordeiro Arquitetos (CDCA).

¹ Como o terreno ainda está vazio, a passarela hoje está parcialmente completa. Até o canteiro central, o pedestre pode acessar, até o fim da passarela o pedestre se depara com o terreno, sem o término completo de um passeio.
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