A forma em que venho escolhendo é aleatória, simplesmente a que me dá vontade de comentar, sem parcialidade alguma.É a vez de Salvador! Outra que vem gerando polêmica também. O estádio em questão é o
Fonte Nova. Conforme
notícia apresentada no Portal da Copa, o
projeto inicial não está sendo totalmente respeitado e parece que não se está respeitando também o bem tombado, como patrimônio cultural nacional: o Dique do Tororó!
Antes de qualquer comentário ao projeto ou as qualidades e problemas da cidade, acho que o respeito ao bem tombado é fundamental e tem que ser resolvido logo. O bem tombado representa nossa história, hábitos, sociedade e, se assim o IPHAN resolveu proteger, é porque tem algum motivo significativo para a nação e cultura do Brasil e TEM que ser respeitado por
lei.
Agora ao estádio. Fonte Nova quando tem seu nome mencionado faz surgir na cabeça de muitas pessoas a triste imagem do
acidente, em 2007, que matou torcedores quando parte da arquibancada superior caiu. O projeto para o estádio diz ter grande preocupação com o conforto do torcedor. Além de ser totalmente coberto (por cobertura excelente em ETFE - película leve e auto-limpante), teve um investimento na melhoria da visibilidade com a aproximação do público com o campo. Enfim, um projeto que visa a qualidade do espetáculo e não se restringe às exigências da FIFA simplesmente respeitando-a, mas trabalhando dentro delas da melhor forma possível .
("191 metros do campo" - para bom entendedor, meia palavra basta).

Não achei (particularmente) o projeto um espetáááculo, mas acho que é um dos melhores que já foram apresentados. Achei que o maior êxito do projeto é a grande valorização recíproca entre entorno-estádio. Salientando somente que deve ter esse cuidado com o bem tombado.
Bom, não precisa explicar, mas Salvador esbanja história, cultura (leia-se: culinária, arquitetura como pelourinho, elevador lacerda, que são mundialmente conhecidos, costumes e artesanatos, a capoeira, música: olodum e axé, por exemplo). Enfim, tem muuuuita coisa a ser lembrada e mencionei somente algumas das que vieram na cabeça. É por isso, acho que a valorização dessa cultura e história deva ser garantida, tem muita coisa meeeesmo.
Lembrei-me agora de um comentário durante o Fórum ESPM Copa 2014, realizado São Paulo, em Abril, que exemplificou bem um benefício grande do 3º setor terá, proporcionado pela Copa. Não me lembro quem disse, mas a Copa abrirá portas para a criatividade do povo, e foi exemplificado o caso da baiana: que poderá lucrar com seu acarajé em um possível formato de bola de futebol. Acho que aí é que entra a dedicação e inteligência de cada um, em usar a Copa a seu favor, de forma honesta e a contribuir, ao mesmo tempo, com a promoção do país. Salvador participa tambémde uma rota turística bastante e além de se beneficiar com a copa, também beneficiará ainda mais as cidades vizinhas que não são sede.
A cidade tem a proposta de fornecer acesso ao estádio através de duas estações de metrô e ligar o aeroporto, que é um pouco distante, através de um VLP (Veículo leve sobre pneus). Essa opção já faz com que eu simpatize mais pela campanha pois não enfatiza o uso de carros como acesso, construção de túneis, avenidas, pontes, elevados, enfim, coisas que fortalecem o estúpido e incauculável rodoviarismo. O estádio fornece sim estacionamento, mas também fornece amplo transporte coletivo.
Com o tema de copa verde, o projeto do estádio também menciona cumprir aquelas noções mínimas que temos sobre aproveitamento de recursos como água da chuva para sanitários e irrigação de gramado¹. Isso não limita estudar novas opções ou analisar outras atitudes saudáveis à realização do evento e para o pós-copa em Salvador.
Imagino que o maior problema (nem tanto problema, mas onde deva exigir maior empenho) é na instrução de profissionais e educação, ao longo dos próximo anos, e, também, um desenvolvimento da infra-estrutura hospitalar e da segurança. Conscientização e bons modos, não só em Salvador, mas em todo o país devem começar imediatamente a ser trabalhados.
O projeto do estádio foi fruto de um concurso onde o vencedor foi o arquiteto Marc Duwe (formado na FAU-USP) em parceria com o escritório
Schulitz+Partner Architekten da Alemanha, que, por sua vez, tem experiência na Copa do Mundo de 2006, com o estádio de Hannover. Um concurso² de arquitetura sem dúvida garante melhores resultados pelo leque de opções oferecidas, feitas por profissionais/equipes realmente interessadas (não somente contratadas). Não é a toa que este projeto escolhido teve grande preocupação com a mémória da cidade e o entorno do Fonte Nova. O projeto também visa um café, um museu do futebol (que provavelmente também mencionará o acidente de 2007, e possibilita o uso do estádio para outros eventos.
Imagino que a Copa deixará um bom legado e desenvolvimento para a capital baiana.
Enfim, Salvador não parece ser tão problemática quanto outras cidades-sede, o que não a deixa livre para investir no que peca e em coisas para surpreender! - lema que a FIFA exige e que nunca é demais se preocupar.
2 - Aproveito o post para mencionar que um concurso é sempre injusto com profissionais que dispuseram seu tempo e que não foram pagos por isso, algo que freqüentemente acontece com o profissional da arquitetura devido à falta de respeito e de entendimento do que é a elaboração e concepção do projeto.