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26.12.13

Wanangkura Stadium - Austrália

Com um nome que significa turbilhão, furacão, no idioma nativo, este estádio está localizado em Port Hedland, ao oeste da Austrália.

















Peter Bennetts

Peter Bennetts

Além de menções sobre as olimpíadas de Sidney, esta é a primeira vez que venho com um projeto de estádio na Oceania, feito pela ARM Architecture Peter Bennetts. Embora chamado de estádio, é um complexo esportivo com ginásio poli esportivo com capacidade de 400 torcedores, somado a duas quadras de squash, uma academia, vestiários e espaços para eventos. No lado externo, o complexo conta com quadras de basketball e o já existente equipamento ovald e cricket.

A importância deste estádio é a identidade. Sua forma, que parece um tetris, é inconfundível e nenhum outro estádio faz nem mesmo lembrar este daqui. Muito já falei, e a força que a identidade de um estádio tem, reflete em sua receita e no turismo local. Hoje, um estádio tem que ter algo único, tem que proporcionar sensações e um retorno emocional ao usuário, ainda mais com as mídias sociais tão presentes fazendo o serviço de divulgação. Nada mais nulo que postar fotos que não mostrem claramente onde é que você está.




Peter Bennetts

A intenção do projeto era criar um centro de recreação, com design que marcasse a paisagem, mas com um orçamento que coubesse no bolso. Para isso foram usados estes painéis que são facilmente trocados e produzidos sem ser sob medida.

Peter Bennetts

Veja mais imagens da obra. Clique nelas para vê-las ampliadas.

ARM Architecture
Peter Bennetts

Peter Bennetts

Peter Bennetts
ARM Architecture

ARM Architecture

Peter Bennetts

Simbologia

O local  tem condições climáticas específicas e é alvo de ciclones em alguns períodos e temperaturas extremas no verão. O projeto é eficiente em relação a estas questões climáticas. A região também é marcada pela mineração e pelo público flutuante. 

Vejo como essas referências locais um reflexo no design do estádio. As entradas parecendo uma cratera e o nome. 

Peter Bennetts

Peter Bennetts

Como homenagem ao time local, cujas cores são preta e branca, listras gigantes foram feitas no teto do estádio multi esportivo, já que o acesso ao local é exclusivamente aéreo.

Peter Bennetts

Acima, vista aérea com as listras nas cores do time e a planta de cobertura. ARM Architecture

Encerro o ano com este estádio como referência. Ano que vem tem copa do mundo e pretendo mostrar muito mais dos nossos equipamentos que hoje são dos melhores. Conto com a participação de todos e agradeço por este ano.



Peter Bennetts

Fonte:
Arch2o

2.5.12

Estrutura de base para um país olímpico

Bato muito na tecla de que o Brasil está aproveitando mal os eventos esportivos que o país sediará - tanto Olimpíadas como Copa do Mundo.

Sempre próximo aos eventos, o país quer um resultado melhor, embora não invista nem nos atletas, nem em equipamentos, sempre dando valor às poucas e sortudas modalidades como futebol, natação e quiçá um volley, volley de praia, ginástica ou atletismo. Isso só porque temos destaques com atletas que surpreendentemente tiveram resultados basicamente conquistados através de seu talento e esforço árduo, pouco por causa do apoio do governo.

Esse é o momento para angariar verba para equipamentos de modalidades que possam virar potencial para um Brasil olímpico no futuro, ou que possa, inicialmente, colaborar com uma melhora e buscar uma melhora simbólica em medalhas nos Jogos Olímpicos de 2016. Porém, o quanto vemos de equipamentos bons e públicos para que tenhamos revelações e treinamentos de ponta para os atletas? Nada. E quanto ouvimos atletas sem patrocínio, sem lugar, sem salários e sem equipamentos decentes para treinar e se sustentar? Aos montes. É por este motivo que fiz este post, para mostrar equipamentos de qualidade pelo mundo, que poderiam ser feitos até com patrocínio privado, mas iniciativa pública. Não precisa ser um projeto 'estratosférico' nem 'megalomaníaco', mas algo específico para as modalidades, como treinamento de base, para democratização de modalidades esportivas ou para diminuir o custo de algumas delas, como tênis, esgrima, entre outras. E não vale só Rio de Janeiro. Se o Brasil é olímpico, o Brasil tem que ter equipamentos. Não vale considerar que todo interessado tenha que se mudar para o RJ - isso não é democratização do esporte, isso não facilita ter um contato inicial com uma modalidade. Para se achar talentos, tem que ter espaço e treinamento por todo lado, é por este motivo que o futebol tem tantos talentos, pois escolinha de futebol e campinho desenvolvem e divulgam talentos em qualquer parte do país, com custo baixíssimo.

Em breve, farei post de equipamentos de múltiplas modalidades (como a Arena Bilbao) ou de modalidades diferentes do futebol.

Podemos ver que nossos projetos para a Copa são somente estádios, poucos pensam em outras modalidades e estas deveriam ser preocupações governamentais, inclusive para manter o uso dos equipamentos após os eventos e, pelo 3º caso citado acima, dá para ver que dá, facilmente de promover mais esportes em um único equipamento, desde que um, não interfira na qualidade do outro - como estádios com pistas de atletismo, por exemplo, influenciando na visibilidade e proximidade do campo (principalmente atrás dos gols.

Lembro também que equipamentos deste tipo podem ser estimuladores de desenvolvimento urbano. Funciona da mesma forma como defendo a construção de alguns estádios da Copa. O equipamento leva o que deveria ser obrigação do governo para bairros geralmente esquecidos, também fomenta a circulação noturna, o que traz segurança ao bairro, leve interesses comerciais, o que traz mais investimento privado. São consequências da construção que vêm por meio indiretos.

Vamos então à equipamentos interessantes em termos urbanos, mas que são de futebol. Clicando no título delas, você será redirecionado à uma matéria do projeto no portal Arch Daily (em inglês, com o tempo se procurar, no Arch daily Brasil, poderão encontrar em português):





Fica uma excelente dica de leitura sobre o dinheiro 'investido' no esporte, por José Cruz:

"Verbas para o esporte: um desperdício olímpico"

29.5.10

Medellín: Equipamentos para os Jogos Sul-americanos + Fort Tielden Fied House (NY)

Venho um tempo depois do evento, falar do complexo esportivo desenvolvido e reformado para os Jogos Sul-americanos de 2010, que ocorreu em Medellín, na Colômbia. Dou aqui, destaque a duas partes: as quadras cobertas e ao complexo aquático

O complexo de quadras serve para ginástica, lutas (judô, karatê e taekwondo), esgrima, volei e basquete, com quadra principal e auxiliares. Além disso, cada um tem área específica para aquecimento e preparação.

O ponto mais interessante do projeto é a cobertura, que permite uma melhor ventilação - fator que geralmente é mal pensado em ginásios, tornando o ambiente abafado. Além disso, as "frestas" permitem iluminação natural, ponto inteligente a ser pensado nos dias de hoje, principalmente em espaços como estes que exigiriam alto consumo de energia. A cobertura também é uma forma de integração com a paisagem.



Há uma informação que foi dada na TV, mas que não consegui confirmar a fonte que dizia que  haviam alguns locais por onde o público que ficava de fora poderia assistir ao evento. Se isso for realmente verdade (procurei no projeto e imagino que seja na parte lateral do ginásio - onde não há arquibancadas, nos fundos da quadra de voley na imagem ao lado), seria uma boa forma de democratizar o acesso ao evento - uma iniciativa bastante legal e não essencialmente capitalista, convidando a participação da população local.

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Podemos ver na implantação do complexo, como a cobertura dos ginásios aproveita a orientação do sol e o formato disponível.

Sobre o complexo aquático, este é fruto de um concurso público international de arquitetura, realizado em 2008. É exatamente por isso que menciono aqui o projeto. Podemos ver que, além de um projeto que cumpre todas exigências técnicas, por ser resultado de uma escolha entre vários projetos realizados por profissionais realmente interessados em elaborar o melhor projeto possível, apresenta elementos, estudos além da simples execução do programa. Traz valor à arquitetura. Isso pode ser visto na forma, na escolha fundamentada de materiais e neste caso, até mesmo das plantas. Nesses jardins aquáticos ao redor das piscinas, que parece inundar o terreno todo, plantas que minimizam a manutenção e limpeza dos espelhos d'água foram devidamente escolhidas.


A autoria do projeto vencedor do concurso é de Luis Callejas, Edgar Mazo e Sebastian Mejia, da Colômbia.

Complemento este post com uma outra referência em complexos esportivos. Este também é vencedor de concurso de arquitetura e foi feito para o Fort Tielden Field House in Queen, NY.


                                    

Podemos ver acima, um dos motivos pelo qual o projeto foi o vencedor. A disposição dos equipamentos é radial e transforma a edificação central na principal edificação do conjunto. A forma como as edificações radiais e os percursos foram disposta mostra uma forma interessante e prática de interação. O projeto é simples, mas estratégico do ponto de vista funcional, enlaçando todas as atividades. Esse conceito principal do projeto foi chamado de "Play the loop" - bem sugestivo, por sinal. Abaixo, mais duas imagens do projeto de autoria de Tetsuya Kawano e Karolina Fidor.



Fontes: 
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