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28.11.13

Morte e escravidão da Copa do Mundo: Arena Corinthians e Estádio Lusail

Aconteceu nesta quarta, 27, próximo às 13h, um acidente envolvendo uma grua e resultando em duas mortes de operários que trabalhavam na obra do estádio do Corinthians. Esse post vem levantar duas situações distintas e lamentáveis.

Acidente na Arena Corinthians

Abaixo, um gráfico da globo que mostra o trecho onde aconteceu a fatalidade.


Chamo de fatalidade, pois não acredito num erro de cálculo pois um módulo igual já tinha sido colocado pela mesma grua. Não acredito em negligência com a segurança, pois estive lá algumas vezes e é bem controlada. Além disso, um contato meu compartilhou a informação de que haviam vários treinamentos de segurança no estádio localizado em Itaquera. Foi de fato uma fatalidade e só a perícia pode dizer o motivo, o que não muda em nada a morte dos funcionários, infelizmente. 

Acredito em algum erro de operação do funcionário que movimentava a grua (que, sem dúvida, era experiente - não é qualquer funcionário que pode fazer o serviço e numa obra deste porte, não colocariam alguém sem prática) e talvez, mas menos provável, no terreno que pode ter cedido. 

Vários motivos foram levantados pela mídia sensacionalista, pois quem não entende de projeto, obra, estrutura, etc., fica especulando causas improváveis. Não acredito em ação do vento, pois a fachada leste, onde ocorreu o incidente, recebe ventos no sentido sudeste e noroeste, e no, mesmo que tenha sido forte o suficiente para interferir no serviço, não afetaria como afetou. Principalmente considerando que o vento noroeste é o mais forte, que jogaria a estrutura para fora do estádio. Fiz um esquema, como podem ver abaixo. Não sou perita em ventos nem em estruturas, só tenho esse argumento como motivo para não acreditar nessa possibilidade.


Abaixo, uma foto do trecho em novembro de 2012, uma das primeiras partes a mostrar a evolução da construção do estádio, em seguida, algumas fotos que tirei este ano, exatamente do trecho em questão, já com os painéis de LED e que postei em setembro de 2013 aqui no blog e uma do acidente, por último (fonte: uol)

Nov 2012:

Foto: Lilian de Oliveira

Setembro 2013:



Foto: Lilian de Oliveira

Novembro 2013:
Fonte: uol

Outros estádios, infelizmente, também tiveram mortes de operários, como o Mané Garrincha (Brasília) e Arena Amazônica (Manaus) onde dois operários (um em cada) sofreram quedas e não resistiram. Houve uma morte em Abril deste ano no estádio do Palmeiras, com a queda de uma arquibancada, onde outros operários também ficaram feridos. Acidentes acontecem, e existe um trabalho enorme para evitá-los. Todo clube não quer ter seu estádio manchado com o sangue de seus operários, nem mesmo as construtoras querem ter problemas com acidentes de seus funcionários e por isso sempre fazem treinamentos e fiscalizações. 

Lusail


Com o acidente, foi levantado o caso de negligência, a 'possível' culpa do clube, etc. com cerca ignorância. Tudo isso me fez lembrar, embora sejam casos completamente diferentes, de casos recentemente noticiados, mas que não foram muito explorados. O assunto é sobre os abusos na construção civil, mostrando casos envolvendo as copas, embora ele vá muito além da arquitetura esportiva. 

Um desses casos é do estádio de Lusail, para a copa 2022, no Qatar. O jornal inglês, The Guardian, denunciou o trabalhado escravo de nepalenses com direito a atrasos do salário de meses de trabalho, confisco do passaporte, falta de comida, agressão e, em cerca de 2 meses de obra, somava 44 mortes por exaustão - a partir de investigação, foi descoberto trabalho de funcionários por 24h. Caso parecido com este se repete em muitas obras no Brasil, inclusive uma foi noticiada no Brasil pelo CQC há alguns anos. O estádio, por ter mais visibilidade, levantou o assunto, embora as pessoas não tenham dado tanto destaque.

Outro estádio da Copa 2022 no Qatar virou polêmica há alguns dias por motivos diferentes. Veja mais.

Levantando esta questão, existe também o programa de contratação de ex-escravos, cujas pessoas foram resgatadas de condições de dívida, trabalho e habitação forçada e deplorável. Leia mais.

23.5.12

Programa 'A Liga': Itaquerão

Um programa do qual gosto muito, 'A liga', da Band, mostrou nesta última terça (22) várias facetas da região de Itaquera voltando o foco principal para as interferências da construção do estádio Itaquerão, que será sede da Copa do Mundo 2014.

Entre informações importantíssimas sobre a desapropriação de barracos de algumas comunidades bem próximas ao estádio, salientaram a forma como a Prefeitura de São Paulo tenta passar por cima da dignidade e direitos humanos através de bolsa aluguel de míseros R$300,00. Contou com a participação da urbanista Raquel Rolnik que tem representado muito bem esta questão perante a ONU, buscando respeito e direitos aos cidadãos que podem ser afetados com a Copa - sem dúvida, a principal ideia do programa foi passada através dela. Vale também mencionar a importância da parte onde mostra o movimento do metrô. Felizmente nossos horários de jogo não são os de pico no metrô. No entanto, com a Copa, não acredito que a Zona Leste seja liberada do trabalho para poder aliviar o metrô, portanto, se coincidirem os horários, o metrô pode ficar mais tenso que o mostrado no vídeo, estendendo-se para muitas outras estações.

No entanto, várias distorções ao longo do programa, o fizeram cair na questão credibilidade. Quem assistiu o programa pode notar em vários momentos uma ideia de que o vilão é o Corinthians, como se o clube estivesse consumindo o dinheiro público. Mencionou-se até 500 milhões de investimento público, como se o estádio fosse fruto do gasto da prefeitura. O estádio é financiado, ou seja, o clube deverá, em parcelas e com juros, pagar cada centavo gasto na sua construção. O incentivo ficasl, por outro lado, pode, sim, ser questionado. Há a isenção de impostos, o que não é implementação de renda pública, mas a inexistência de arrecadação - e isso é mais comum do que se pode imaginar. Há inúmeras áreas onde a Prefeitura tem interesse em desenvolver. Para isso, a Prefeitura incentiva o investimento, livrando as empresas, construtoras, institutos, indústrias ou residências de IPTU, por exemplo, para que haja mais interesse das empresas privadas. Isso ocorre até entre estados: a Arisco saiu de São Paulo e foi para o nordeste pois tinha isenção de impostos, assim como muitas outras indústrias. Quem preserva patrimônio histórico, na minha cidade (Atibaia-SP), ganha isenção do IPTU proporcional à manutenção atual da edificação. Ou seja, é prática comum e legal da prefeitura em desenvolver áreas passíveis de intervenção. Desta forma, o poder privado livra o poder público (parcialmente) de alguns investimentos ou faz com que seja mais fácil investir em uma região.

O que mais pode ser questionado é o valor que a prefeitura vai investir em arquibancadas removíveis, que usará como artifício para conseguir a abertura do evento. Mas, para São Paulo conseguir a atenção gigantesca com a abertura da copa, a Prefeitura vai investir um valor (que realmente não sei se é o real informado no programa - 70 milhões) e que, sem dúvida, voltará em diversas formas para a população (comerciantes, para o transporte, hotéis, etc.) e que, conseguiria em menor número se tivesse jogos, mas sem a abertura. Novamente, é o mínimo que a prefeitura pode fazer, buscar o melhor retorno para a cidade, ou alguém consegue ver alguma forma da prefeitura lucrar ao fazer arquibancadas desmontáveis?

Além disso, há uma incoerência entre o tom falado no programa (parte 4 aos 3:43) e o infográfico abaixo (que consta no site do programa). No vídeo pareciam 500 milhões absurdos investidos e nenhum centavo para ajudar a população, já na imagem abaixo, 'o lado bom'.

*Imagem do site do programa 'A liga' de 22/05/2012

Além disso, investimentos em transporte público, em facilidades viárias, iluminação pública, segurança, sinalização é um investimento para muita gente, ou seja, para a população, principalmente para frequentadores e habitantes da zona leste em geral, não só de Itaquera. 
*Lembrando que em momento algum acho correto usar isso como desculpa para o despejo de família.


E ainda saliento que é um caso completamente diferente ao de Cuiabá, onde, neste último, as arquibancadas serão removíveis porque querem um estádio mínimo depois da copa, como se ela nunca tivesse passado por lá. São casos diferentes e motivos diferentes para serem removíveis.

Quem vai sofrer com a Copa são os que sofrerão com a desapropriação de suas casas ou barracos, mas todo o resto da população reconhece o quanto Itaquera evoluirá com o evento. Agora, colocar a Sophia Reis (parte 5 do programa), com seu ar de rebelde de elite e petulância, ironizando funcionários públicos, interrompendo a explicação de outro para cantar parabéns é, no mínimo, uma falta de respeito. Não é porque a população é tratada como palhaça, que deve-se fazer circo nas ocasiões de reivindicação - que foi o que ela fomentou com primor no programa. Educação pode funcionar. 

Quanto à Prefeitura, esta deveria, no mínimo, ter feito uma reunião de apresentação do projeto com os possíveis moradores que deverão ser afetados pela avenida nova, debatido e com propostas razoáveis com moradias próximas e de qualidade para estas famílias.

Este post foi escrito por ver que muita gente se deixou influenciar por um tom parcial e, em certos pontos, ignorante durante um programa que deveria ter investigado dados e tomado mais cuidados com sua postura e palavras. Os vídeos podem ser vistos no site do programa.


Textos que podem interessar relacionados ao assunto:

Habitação x Copa do Mundo e Olimpíadas - sobre o posicionamento da Raquel Rolnik nesta causa
Valores das arquibancadas desmontáveis segundo o portal da copa 2014, clique aqui.

16.5.12

Cavaleiro Fiel, o novo nome da estátua do Corinthians

Há algumas semanas coloquei aqui a notícia que havia saído sobre a futura estátua de São Jorge, em frente ao estádio do Corinthians, em Itaquera. Pouco tempo já fervilhava a polêmica religiosa, já que quando se mexe com religião, há muita falta de aceitação de quem não compartilha da mesma fé. 

Fato é que São Jorge está envolvido com o clube há muito tempo. Há discordâncias dos motivos e datas, mas está ligado de diversas formas: construção da capela, nome do parque onde o Corinthians construiu seu clube permanecendo somente o nome, ligação à origem inglesa do clube, e também às referências de São jorge, um padre guerreiro, militar e que buscava com afinco seus objetivos, ao time, que também tem em suas veias este espírito de garra. Leia mais aqui em texto sobre as referências.

No entanto, nenhum corinthiano até então reprimia o time pela crença no santo (símbolo no catolicismo e também relacionado às religiões afro-africanas e umbanda), por tê-lo como padroeiro, nem mesmo pelo nome do clube ser Parque São Jorge. Onde é que foi cutucada a ferida? Na criação de uma estátua, que va contra a crença dos evangélicos (em grande número e crescimento no país), não acreditam em imagem. 

Acredito ainda na estratégia do clube, como mencionei em texto sobre o assunto (links no fim deste texto), mas também acredito que poderiam ter escolhido com mais cautela, de repente, escolhendo o mosqueteiro, ou o gavião. No entanto, é direito do clube escolher o que desejar, principalmente pois o padroeiro está ligado de diversas formas.

Acredito que seja questão de aceitação da fé alheia, independente de qualquer outra coisa. Se alguém for se incomodar com a imagem e possíveis peregrinações ao santo, podemos dizer então que os outros que não são evangélicos possam se incomodar com a arquitetura infeliz da maior parte das igrejas evangélicas. É justo? Não!

São diferenças que temos que aceitar ou continuaremos sempre a colocar a fé acima de direitos humanos, liberdade de expressão ou qualquer coisa do gênero.

Entendo quem está contra, faz jus a sua crença, mas faz um bom tempo que o time tem este padroeiro, imagino que a grande maioria tenha escolhido o time quando ele já estava vinculado ao S. Jorge. Eu mesma, não sou católica, embora tenha sido criada e instruída para ser, no entanto, não me incomodo. Se alguém realmente quiser ir até a estátua, rezar para são jorge, acender velas ou qualquer outro ato religioso, que assim o faça. Eu simplesmente não o farei. Posso conviver muito bem com a religião alheia e mesmo se ela for relacionada ao meu time, para mim, Corinthians é futebol, pode ter quantas relações com qualquer religião, que, para mim, o único interesse será o esporte. A única coisa com a qual me preocupo é com a boa manutenção da estátua, se isso de acender vela realmente acontecer, o que duvido um pouco pois não é tão assim venerado no catolicismo como mencionam.

A mudança de nome foi ridícula, uma forma em que Rosenberg achou para minimizar a polêmica, mas uma vez feito, não vai conseguir voltar atrás, é tentar ludibriar o povo. Mas enfim, ele mesmo afirma que não há nada com S. Jorge, que se alguém peregrinar será uma peregrinação ao tal 'cavaleiro fiel'. 

Veja abaixo um vídeo da estátua, convenhamos que tirando os 'torcedores' ao redor, é o São Jorge no cavalo.

Somente um esclarecimento para mais fácil aceitação. Entendo a não aceitação de imagens, no entanto, como fui criada como católica, tenho uma boa noção do que as imagens representam. Em nenhum momento uma imagem é para formar uma imagem física de um santo como traços, cor de pele, tipo de cabelo, etc, mas um ser humano genérico, com itens/objetos que façam com que os fiéis lembrem de seus fatos, que não caiam no esquecimento. Imagino que seja como a quipá dos judeus, que tem função de lembrar que sempre tem alguém acima de nós. É como um lembrete e estímulo para que oremos a quem acreditamos, para quem somos devotos. É somente um valor agregado à religião, não há nada de errado com isso, só pode trazer maiores valores morais ao fiel.

Não deve ser uma questão religiosa, mas uma aceitação à história do clube, a sua relação com o catolicismo e não é porque cresce uma nova religião no país que isso deve mudar. Não é porque tem novos torcedores do time, que o clube deve se desligar completamente do que ele cultuou por um certo tempo. Além do mais, o Brasil é um dos maiores países católicos no mundo.

Pode até ser positiva a construção da estátua para tentar mostrar que não há nada demais em conviver com mais de uma religião sem conflitos, sem um ficar enojado com o outro, e até mesmo aceitar quem não tem religião. Pode ser um avanço para o país, um avanço para a sociedade.

Estádios trabalham com e para o marketing
Itaquerão terá estátua de São jorge

*Espero não ter ofendido ninguém com qualquer comentário, não foi minha intenção em nenhum momento. Somente acredito que pode ser bom financeiramente para o clube, valorizando sua história.

2.12.11

Plano de mobilidade para estádio do Corinthians

No Road Show, realizado neste dia 30, em São Paulo no Hotel Maksoud Plaza contou com a divulgação do plano de mobilidade para o estádio do Corinthians, feito pela Raquel Verdenacci - diretora executiva do Comitê da Copa de São Paulo.


Já vi algumas falhas e ainda tenho dúvida sobre a ausência de um acesso bem nítido. Farei um post bem definido sobre isso, focando também a proposta que eu fiz para o meu Trabalho Final de Graduação (TFG) que - para quem não sabe - foi um estádio do corinthians nesse mesmo terreno. A 'locutora' do vídeo salienta duas estações de trem e duas estações de metrô, o que na verdade não é grande coisa, pois são as mesmas estações unidas, ou seja, um grande público. Outra coisa é que infelizmente a Copa é para elite principalmente. O grande fluxo vai vir de estações de metrô e não da linha de trem que vem da zona leste extrema. Ou seja, quem vier de trem é porque saiu do metrô na luz e pegou o trem ou se dividiu no Brás ou estações seguintes. Seria somente uma divisão de público em vagões distintos. 

Também acho preocupante a única via principal de acesso ser a Radial Leste mesmo com a possível restrição viária. O público de carro é gigante mesmo sendo 18% restante dos 82% mencionados no vídeo que irão de transporte público. Falta muita coisa. No vídeo parece tudo muito lindo, mas está maquiado, o problema continua aí. É estúpido também sair do metrô Corinthians-Itaquera e ter que dar a volta toda no terreno para acessar somente lá em cima. Pode até ser um trecho de dispersão de público, mas acaba com acessibilidade. É um terreno gigante este do estádio, e neste trecho mencionado é subida. Já da estação Artur Alvim, não é assim tão perto do metrô, não! Aliás, mencionado 800 metros da estação... são praticamente 8 quarteirões. Ou seja, quem for à Copa, com deficiência, com idade, grávida ou os mais sedentários, vão ter que caminhar obrigatoriamente. São vários problemas e vou providenciar um post sobre o assunto em breve já que é um terreno que conheço bem e já estudei por um ano e meio intensamente.

Leia Mais sobre o evento realizado pelo Sinaenco, no Portal da Copa, clicando aqui.
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