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18.6.12

Acessibilidade para a Copa - Guardiões das calçadas

Como prometi, aos poucos elaborarei resumos e textos sobre os debates realizados no evento Copa for All, realizado nesta última semana. 

Hoje falarei dos Guardiões das calçadas, responsáveis por tornar a Av. Paulista a mais acessível da América Latina com grande empenho e esclarecendo quem não tem deficiência de locomoção alguma de problemas que não são percebidos por estes.

Quando se fala em acessibilidade para a Copa, ela não se resume à livre circulação dentro dos estádios onde acontecerão os jogos, mas também ao acesso a estes equipamentos, no turismo, no comércio, hotéis, etc. E o primeiro momento em que essas pessoas se deparam com problemas é no acesso a qualquer meio de transporte. Saindo do avião até um ponto de ônibus, até conseguir um táxi, até uma estação de metrô ou trem. De qualquer forma, as calçadas são as principais barreiras. 

Repletas de buracos, ausência de rampas, pisos táteis para sinalizar obstáculos, ambulantes, vasos e mesas de bares são barreiras graves e de risco para pessoas com deficiência de mobilidade e isso não inclui somente cadeirantes, como geralmente é pensado, mas idosos, obesos, cegos, surdos, pessoas feridas, com deficiência parcial de visão ou audição, entre outros. 

O papel dos guardiões das calçadas é averiguar, conscientizar e lutar por melhorias em calçadas. Eles, na Av. paulista, contaram com uma cadeirante que fazia o percurso da avenida de ponta a ponta a cada 15 dias para salientar e registrar os problemas. Um deficiente visual também está no grupo mostrando o que a cadeirante também não percebe sob as suas próprias dificuldades.

São mínimos buracos que perturbam a locomoção até mesmo para mulheres de salto, que, em tese, não tem deficiência de circular pela cidade. Mas nossas cidades são cheias de absurdos, rampas em um lado só das calçadas, rampas fora da faixa, pisos táteis que levam a lugar algum ou a não sinalização obstáculos como orelhões, ausência de cores que deixem nítidos os caminhos para quem tem limitação parcial da visão, ausência de semáforos sonoros. Calçada também não é só o piso.

É nítido que para a Copa não conseguiremos resolver tantos problemas, mas podemos, sim, focar em alguns locais e inspirar o início desse processo de adequação e acessibilidade digna a todos seja em São Paulo, onde o cidadão pode fotografar e enviar para os guardiões mencionando o local para que eles averiguem o caso e também reclamando no 156. Segundo os guardiões das calçadas, com o alto número de reclamações, a prefeitura autuou o bairro de pinheiros para que bares não colocassem mesas nas calçadas, ou seja, mesmo que, de cara, o problema não seja resolvido, é importante reclamar, como forma de registro.

Funciona como um B.O. de roubo de celular, que muita gente não faz. Reclamando sabe-se os pontos críticos para que a atuação seja mais eficiente. Ou seja, no caso de São Paulo, ligar no 156 e ter paciência para reclamar. A ligação é gratuita e necessária. Dá para fazer a sua parte, reclamando de apenas um único ponto que você use e veja a dificuldade. Eu mesma, fotografarei nesta terça-feira a rua Dona Veridiana que liga a Sta Casa de São Paulo/hospital Sta Isabel, o Mackenzie e o Metrô. Em todo o percurso estão presentes: mulheres de salto, cadeirantes, usuários de muleta, perna quebrada, etc., mas uma série de obstáculos e ambulantes restringem muito a área útil das calçadas.

No site da Mara Gabrilli, ex-vereadora de São Paulo, podemos ter acesso a uma cartilha da calçada acessível, com sugestões de acessibilidade, cada um pode fazer um pouco. É responsabilidade pública, mas também do morador manter em condições boas suas calçadas. Então é interessante que em caso de reforma, considerem e divulguem para suas prefeituras  e para seus arquitetos esta cartilha muito útil e nada utópica. 

sugestão guardiões das calçadas e mara gabrilli

Para acessar a cartilha basta clicar aqui.

A calçada foi o primeiro assunto que resolvi passar aqui para vocês, mas há aeroportos, estádios, sanitários entre outros assuntos a serem abordados. 

Quem tiver um contato com vereador que se canditará em breve, mencione o site da Mara Gabrilli, envie a cartilha por email. Quem sabe teremos mais alguém, com poder de conseguir investimentos, em tornar nossos espaços mais acessíveis?

Envie também às suas prefeituras, independente da cidade ou estado, é a sua parte, não custa nada, não toma quase nada de tempo. Divulgue a iniciativa, cobre, denuncie os problemas, mesmo que ainda não veja resultados.

É coisa desse gênero que não devemos tolerar:




E dessas que devemos usar para lutar para ter em espaços públicos e nos inspirar:

2.12.11

Plano de mobilidade para estádio do Corinthians

No Road Show, realizado neste dia 30, em São Paulo no Hotel Maksoud Plaza contou com a divulgação do plano de mobilidade para o estádio do Corinthians, feito pela Raquel Verdenacci - diretora executiva do Comitê da Copa de São Paulo.


Já vi algumas falhas e ainda tenho dúvida sobre a ausência de um acesso bem nítido. Farei um post bem definido sobre isso, focando também a proposta que eu fiz para o meu Trabalho Final de Graduação (TFG) que - para quem não sabe - foi um estádio do corinthians nesse mesmo terreno. A 'locutora' do vídeo salienta duas estações de trem e duas estações de metrô, o que na verdade não é grande coisa, pois são as mesmas estações unidas, ou seja, um grande público. Outra coisa é que infelizmente a Copa é para elite principalmente. O grande fluxo vai vir de estações de metrô e não da linha de trem que vem da zona leste extrema. Ou seja, quem vier de trem é porque saiu do metrô na luz e pegou o trem ou se dividiu no Brás ou estações seguintes. Seria somente uma divisão de público em vagões distintos. 

Também acho preocupante a única via principal de acesso ser a Radial Leste mesmo com a possível restrição viária. O público de carro é gigante mesmo sendo 18% restante dos 82% mencionados no vídeo que irão de transporte público. Falta muita coisa. No vídeo parece tudo muito lindo, mas está maquiado, o problema continua aí. É estúpido também sair do metrô Corinthians-Itaquera e ter que dar a volta toda no terreno para acessar somente lá em cima. Pode até ser um trecho de dispersão de público, mas acaba com acessibilidade. É um terreno gigante este do estádio, e neste trecho mencionado é subida. Já da estação Artur Alvim, não é assim tão perto do metrô, não! Aliás, mencionado 800 metros da estação... são praticamente 8 quarteirões. Ou seja, quem for à Copa, com deficiência, com idade, grávida ou os mais sedentários, vão ter que caminhar obrigatoriamente. São vários problemas e vou providenciar um post sobre o assunto em breve já que é um terreno que conheço bem e já estudei por um ano e meio intensamente.

Leia Mais sobre o evento realizado pelo Sinaenco, no Portal da Copa, clicando aqui.

4.11.11

1º Forum Mobilize (HOJE)

"O Mobilize Brasil (www.mobilize.org.br) realiza hoje (4/11) o 1º Fórum Mobilize, que acontece às 20h no Salão Nobre da FGV-EAESP, rua Itapeva, 432, 4º andar, em São Paulo. O acesso mais fácil é pela estação Trianon - Masp do metrô.

Durante o evento estaremos apresentando alguns resultados do Estudo Mobilize 2011 em debate com a participação de Eduardo Vasconcellos (Engenheiro, ANTP), Kazuo Takano (Urbanista Instituto Polis), Thiago Guimarães (jornalista e economista), Renata Falzoni (jornalista e cicloativista) e eu, que escrevo, edito e dou minhas pedaladas. 

No encontro, vocês terão a oportunidade de conhecer a equipe do Mobilize aqui em SP.
Quem mora longe, em outra cidade, estado ou mesmo em outro continente, pode participar do debate pelos sites www.mobilize.org.br ou www.portal2014.org.br."

O convite foi enviado pelo Marcos de Sousa, do Portal da Copa 2014. 

É uma oportunidade muito boa para fomentar novas discussões, o que somente colabora para resultados favoráveis para a cidade. Esse tipo de discussão evita erros já que todos tem oportunidade de salientar questões peculiares a públicos diferentes e encontrar assim a melhor solução urbanística. Além disso, a participação do Thiago Guimarães é bastante importante. Thiago tem experiência e mestrado realizado em planejamento e desenvolvimento urbano em Hamburgo, na Alemanha, e escreve o Blog Pra lá e pra cá, no Planeta Sustentável, com questionamentos e notícias muito interessantes sobre mobilidade urbana. Vale muito a pena dar uma olhada. Quem não estiver em São Paulo, participe pela internet, positivo demais esse tipo de participação para o evento. 

24.9.10

O que é necessário para um transporte adequado em 2014 - Revista CNT

À convite da revista CNT (Confederação Nacional do Transporte), escrevi um artigo sobre o que deve ser feito  para ter um transporte ideal para a Copa de 2014 e se há a possibilidade em ser modelo nesse sentido.

Clique na imagem para vê-la no tamanho original

Na matéria também há a opinião de Wagner Colombini, presidente da Logit Consultoria, responsável pela implantação de BRTs em cidades da África do Sul.

Para conferir a matéria completa e vizualizar a revista, clique aqui. Página 78-79

15.11.09

Carro elétrico: Design nacional e Plano visionário


Esse post é um complemento ao texto anterior. Li as matérias logo após publicar sobre o iOn.

Iniciando pelo design nacional, mencionado no título:
O arquiteto Jaime Lerner, um dos responsáveis pela liderança do plano que tornou Curitiba referência em urbanismo, desenhou o menor carro elétrico do mundo. Suas medidas são: 60cm de largura, 1,38m de comprimento e 1,5 de altura.


Chamado de dock dock, o minicarro elétrico atinge somente 20Km/h, não concorrendo com os automóveis convencionais, mas servindo de complemento ao transporte público e funcionando através de aluguel, como as bicicletas públicas.

Jaime Lerner tem ótimas idéias e muitas delas já foram copiadas em várias cidades de todo o mundo. Clique aqui para ler mais sobre as iniciativas de Jaime Lerner.

"As mudanças têm de ser rápidas. Inovar é começar"

Eu, particularmente não gosto muito do design. Talvez isso se dê pelo fato de ser um arquiteto e não um desginer, mas a idéia é boa. Também não me sinto muito confortável com a idéia de dividir ciclofaixas ou cliclovias com pedestres e bicicletas. Pra mim, "ciclo" já me diz que é restrito às bicicletas, no máximo aceitaria patins e skates. Talvez eu mesma esteja exagerando, mas dependendo da quantidade de dock docks, poderíamos ter congestionamentos., principalmente se tivéssemos acidentes nessas faixas. Enfim, é positivo sim, e é legal termos uma idéia nacional, que complemente o transporte, mas acho que deveríamos aplicar logo o teste para vermos se realmente funciona. Em Paris, há um grande problema com o vandalismo das bicicletas, aqui, provavelmente também sofreríamos com isso. Se considerarmos o vandalismo com os dock docks, imagino que o custo de manutenção seja muito maior. Precisamos preparar a população, conscientizar, e achar planos para uma manutenção mais econômica.

Mas, de certo, não tiro o mérito da iniciativa. É assim mesmo que devemos começar.

Alguns sites que noticiaram esse projeto mencionam que o próprio criador não cabe dentro do carro. Isso me faz pensar na abrangência. Será que não estamos, novamente, limitando a acessibilidade. O carro já não tem tanta potência, tem dimensões restritas, será que não limita pessoas altas ou obesas a ter acesso a esse meio de transporte? É algo a se pensar.
Ao mesmo tempo que suaviza a ocupação do espaço urbano pelos automóveis, será que a mobilidade desse carro funciona bem. Notamos que ele é bem rente ao chão. Será que nossas vias, calçadas, ciclofaxas, etc., estão preparadas o suficiente para algo desse nível? Será que as raízes das árvores, buracos, degraus, não estão limitando esse projeto? Acho que são muitas coisas a serem pensadas, para, talvez, fazer uma revisão na idéia. De repente, até mesmo de por em prática.



Outro projeto na mesma linha é o PUMA, idealizado pela GM e pela Segway. No entanto, este já é um minicarro elétrico onde o consumidor teria posse desse veículo, diferente do Dock Dock, utilizado exclusivamente para aluguel - poder público. Acredito que o custo desse PUMA seja aterrorizante para um brasileiro comum.



Sobre o Plano visionário de incentivo aos carros elétricos, aparece o israelense Shai Agassi, que elaborou uma proposta de dar carros elétricos com um sistema de vendas de quilometragem, assim como o plano de minutos de celular. Além disso, discute o tempo para recarregar os veículos, quesito que recebe várias reclamações. Menciona também a importância de um plano completo, desde os carros até as fontes de abastecimento de energia para que o projeto realmente funcione. Leia a entrevista no Planeta Sustentável.

Na entrevista mencionada, Shai Agassi mostra a amplitude do plano, feita através de parcerias, e baseada em fontes de energia renovável, como moinhos de vento na Dinamarca, por exemplo, mostrando também como esse plano poderia funcionar no Brasil, com uma comparação à aplicação que está sendo desenvolvida na Austrália. Vale a pena ler a entrevista.

Fontes:
Planeta Sustentável /Super Interessante

Veja
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