Livraria Cultura

15.11.11

Agenda: 2º Rio Business Sport Marketing – Arenas Multiuso (25-11)

Seguido da Expo Estádio 2011, que ocorre de 22 a 24 de Novembro em São Paulo, acontecerá, no Rio de Janeiro, o 2º Rio Business Sport Marketing com o tema das arenas multiuso, no dia 25 de Novembro.


"Copa do Mundo em 2014, Olimpíadas em 2016. Nunca o Brasil e o Rio de Janeiro viveram momentos como esse. Mas quando esses eventos passarem? O que fazer com os investimentos na ordem de bilhões, em arenas grandes demais para atender o público local? Infelizmente, em alguns casos, até a implosão é vista como solução.

O fato é que, apesar de sermos um país do futebol e termos muitas vezes um público capaz de lotar as arquibancadas, isso não é o suficiente para tornar um estádio financeiramente viável. É importante pensar no seu uso além do futebol.

Neste âmbito, considerando a experiência adquirida com a Copa do Mundo de 2006 e o sucesso financeiro dos modernos estádios construídos na Alemanha, a Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha do Rio de Janeiro realizará o II Seminário Rio Business Sport Marketing.

No dia 25 de novembro, especialistas alemães e brasileiros trocarão experiências sobre o tema: Arenas Multiuso. O Seminário abordará diversos aspectos importantes referentes ao tema, como: construção de arenas, sustentabilidade e design, hospitalidade, exigências da FIFA, tecnologias na gestão de uma arena, segurança, aspectos jurídicos na administração de arenas públicas e privadas, operacionalização, propriedades e usos diversos."

 Abaixo, as principais discussões do evento e modo de inscrição:




12.11.11

Os rios a serem encarados para a Copa 2014

Sempre que nos deparamos com pessoas que visitaram a Índia, Tailândia e alguns outros países ouvimos comentários negativos sobre limpeza e odores urbanos. Fato é que na Copa 2014 teremos muita mídia internacional no Brasil que buscará tanto os pontos positivos, culturais mas também o drama social e outros pontos negativos. Nossos rios são os cartões postais mais negativos que temos. A FIFA elegeu a Copa do Mundo 2014 como a Copa dos "Green Goals". Deveríamos portanto, dar continuidades aos projetos já elaborados e abertura a novas propostas para iniciar o trabalho para ter resultados próximos e indicar futuras melhorias e saneamento ambiental.

Desde já, seria ótimo que artistas plásticos e o poder público se unissem em prol de campanhas de limpeza urbana, como foi feito em 2008 por Eduardo Srur, colocam garrafas PETs gigantes  nas margens do rio Tietê  (Leia mais aqui). Fato é que as campanhas e discussões tem que ser feitas de várias formas, em várias mídias (sociais, televisivas, na internet, rádio, presencial e em impressos) e em vários locais, não somente na capital paulista, por exemplo, mas no âmbito nacional e em escolas. A instrução das crianças já se demonstrou bastante efetiva, pois além de formar caráter, esses pequenos cobram seus pais.
 (Fonte: Uol)

Recentemente foi apresentado o novo projeto de parque que envolve cerca de 75km do Rio Tietê, mantendo suas sinuosidades. Quem assina o projeto é o Arq. Ruy Ohtake que afirma que "a cidade roubou quase 70% da várzea. 


Conforme a cidade foi se estabelecendo, os rios perderam suas curvas e foram canalizados. Esses são os motivos, além de muitos outros, como impermeabilização urbana e poluição, das grandes enchentes que temos todo começo e fim de ano. Projetos como esse servem para amenizar esses problemas, tentar recuperar a fauna e flora que pode transitar nesse eixo ao longo do rio, e proporcionar melhorias na qualidade do ar. 

O projeto do Arq. Ruy Ohtake também prevê uma ciclovia de 140km, que pode trabalhar a favor da sociedade que tem buscado e conquistado aos poucos melhorias nesse sentido. O trecho trabalhado está próximo de Cumbica e a nova arena do Corinthians podendo buscar novos olhares internacionais (apoio e credibilidade) para os nossos rios. A obra estará parcialmente pronta para 2014.

A proposta também se une à habitação social que tira habitações dessa várzea, com risco de inundação já que muitas estão também inseridas bem no meio do rio, como palafitas (casas sobre as águas sustentadas por pilares).

Enquanto a ocupação das cidades sempre foram baseadas na proximidade dos rios, desde civilizações antigas como a ocupação no Brasil, atualmente o brasileiro vive uma situação distante das águas, voltando as costas para os rios, negando-os. Os rios brasileiros são subaproveitados para transporte, lazer e muito se deve a poluição, que só acontece por falta de educação básica e pela cultura de não valorizar nossos cursos. Muitas culturas valorizam suas águas com projetos públicos que podem ser promovidos pelas prefeituras, diminuindo a poluição. Muitos estudos já foram feitos, mas pouco levamos adiante. 

Abaixo, algumas propostas interessantes para  o uso dos rios:

Workshop MIT- FAU-Mackenzie-FAU-USP:
-Portos Urbanos (abaixo, proposta para o Pari, pela equipe do Mackenzie) e Estudo de Pontos de tratamento da água (por Sadia, do Paquistão, e Sagree, da Índia - ambas do MIT) para o Rio Tietê - clique para visualizar em outro link a proposta.

Minneapolis Riverfront Competition Finalist:
- Usos de lazer a beira-rio

City Deck: 
-Deck transporte e lazer ao longo do rio - autoria do escritório Stoosslu.


Para o Brasil, onde o futebol de várzea foi ponto inicial para o desenvolvimento do esporte, nossos cuidados com os rios são vergonhosos. A Copa do Mundo 2014 poderia muito bem aproveitar o futebol, e valorizar suas origens, hoje tão menosprezadas.

Leia mais sobre o assunto e projetos para rios:

11.11.11

Expo Estádio: 22 a 24 de Novembro

Pela proximidade do evento, divulgo aqui a maior feira sobre estádios que será realizada no Expo Center Norte.

A exposição é bem completa e conta também com mostras paralelas e seminários e conferências. A lista das conferências você pode ver aqui, são pagas e com vagas limitadas, então vale a pena visitar logo e reservar seu lugar. O credenciamento para o evento é gratuito e pode ser feito online, poupando-os de ficar na fila no dia do evento.

Estarei presente na exposição para trazer ao blog as principais novidades e informações referentes à Copa 2014 que possam surgir, no entanto, desta vez não poderei estar em seminários. 

A exposição é bem importante para quem está fazendo trabalho final de graduação na área e para quem tem interesse no assunto, pois tem um tratamento bem amplo sobre as arenas esportivas. Programem-se e, quem puder fazer resumos dos assuntos vistos nos seminários, o blog está de portas abertas e os créditos serão dados ao autor. Compareçam!

Canindé e sua arquitetura

O Canindé era o único estádio de São Paulo que até mês passado não havia visitado. No entanto, ele foi o primeiro estádio que vi na minha vida, afinal, ele sempre foi parte da minha paisagem no trajeto diário Atibaia-São Paulo, no início da faculdade. Sempre quis conhecer direito e ele sempre foi um marco pra mim na marginal. Tanto como referência pela arquitetura, quanto por localização. É por este motivo e pelo título de campeão da série B, que conseguiram na terça passada (08-09-11) e retorno para a Série A do futebol brasileiro que analiso o estádio desse time histórico.

Estádio Doutor Osvaldo Teixeira Duarte

Após ser chamada de Ilha da madeira pelas estruturas de madeira de suas arquibancadas, passar pelas mãos do São Paulo e enfim chegar às mãos da Portuguesa (que se formou da união de cinco times lusitanos), o estádio do Canindé recebeu projeto de Vilanova Artigas (autor do Morumbi e da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP) e de Hoover Américo Sampaio, que foi quem teve o projeto escolhido e é o que podemos ver hoje. A partir da década de 50, a arquitetura paulista começou a empregar muito o concreto armado. Com o tempo começou uma tendência brutalista, que consistia, resumidamente, em uma arquitetura bruta, crua. Com estruturas simples, expostas (vigas, pilares, calhas) em concreto aparente e geralmente pesadas, o brutalismo abrangia várias linguagem, mas geralmente com formas bem nítidas, lisas e pesadas. Imagino eu, que esta possa ser considerada uma arquitetura brutalista, no entanto, não consegui confirmar isso, infelizmente.

Segundo Ruth Verde Zein em sua tese de doutorado disponível online, afirma que são poucas as fontes fidedignas sobre o brutalismo, sendo este, mal-compreendido.

Ruth Verde Zein ainda menciona como o brutalismo foi inserido nos equipamentos esportivos:


"...equipamentos projetadospara um grande público, com solicitações limite em termos de resistência e flexibilidade estrutural, destinada a uma frequência de uso, cada vez maior, por camadas populares - o que induzia poder prescindir-se  ou simplificar-se os tradicionais cuidados de acabamento habitualmente empregados quando os espaços dessa natureza eram destinados às elites (caso, por exemplo, das tribunas do Jóquei Clube de São Paulo, construídas na década anterior, acabadas com materiais nobres e realizadas em estilo clássico simplificado)."
Ruth Verde Zein, em "A arquitetura da escola paulista brutalista - 1953 - 1973" de Setembro de 2005.

Hoje, o estádio da portuguesa está desatualizado em relação às normas de segurança e capacidade também, entre muitos outros fatores. Com a escolha do Brasil para a Copa de 2014, fomentou-se muito a idéia de que o Canindé tem uma posição privilegiada para o evento e cogitou-se uma reforma drástica. De fato a proximidade à maior rodoviária da América Latina (rodoviária do Tietê) e do aeroporto internacional de guarulhos (Cumbica) é fator interessante para um evento deste porte. No entanto, o Canindé tem problemas similares aos do Morumbi, o entorno. Se aumentarmos muito a capacidade do Canindé, a segurança fica ainda mais problemática e o trânsito pior ainda. No jogo em que fui dia 28 de outubro,  Lusa x Ponte Preta, notei o drástico problema viário em torno do estádio e ele nem estava lotado - com um ótimo público pelo sucesso da apelidada Barcelusa e por ser Série B do campeonato, mas ainda pequeno.

Atualmente a arquibancada (assentos - degraus) teriam que ser completamente remodelados, principalmente ao se tratar de acessibilidade e segurança. É exigido, hoje, que haja cadeiras numeradas, assentos e rampas para deficientes, distâncias máximas para evacuação do local e em todos os quesitos o estádio peca. Claro que por conta de novas exigências, desde a expanção do futebol ele exige novos comportamentos de público e de espaço então é natural ter que se adaptar com o tempo.

Abaixo algumas fotos que tirei nesse jogo em que estive presente (a qualidade da câmera do celular é ruim, infelizmente, mas podemos notar os detalhes da arquibancada.
 Acima, os degraus das arquibancadas sem o anel superior descobertas) - até mesmo um vendedor  acostumado aos degraus, caiu neste dia. Abaixo, podemos ver como as placas de publicidade tiram a visibilidade da lateral do campo e como os 15 primeiros degraus da arquibancadas são cegos.

 Acima, os refletores que marcam de longe o estádio na Marginal Tietê (foto de Thiago Salata, retirada da internet); Abaixo, uma foto da festa da portuguesa ao lado do estádio, podendo ver um pouco da estrutura do anel superior;


Por fim, a imagem que me marcou bastante; o estádio Canindé visto do outro lado da Marginal, em frente à rodoviária do Tietê.

Na minha opinião, o estádio deveria sim ser reformado, por segurança do público e qualidade do estádio, mas focando o brasileirão e regionais, como o paulista e possíveis outros eventos. Numa reforma, seria muito provável mudar a cobertura e ampliá-la. No entanto, acredito que a estrutura em si, do estádio deva ser preservada - no sentido de mantê-la exposta e não cobrir com algum vedamento lateral. 

Recentemente também vi, por acaso, que alguns colegas de faculdade e de workshop, fizeram, juntos, uma proposta para a Portuguesa. Acesse o link do escritório Arkiz para ver o projeto aqui. Abaixo uma prévia do projeto que eles divulgaram no site:


Soube que já foi feita uma entrevista pela São Paulo Antiga, com o arquiteto Hoover Américo Sampaio, responsável pelo Canindé de hoje, e estou pedindo que eles coloquem no ar novamente. Caso seja possível, postarei aqui.
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