Livraria Cultura

9.5.12

Habitação x Copa do Mundo e Olimpíadas

Já mostrei em vários textos como a Copa do Mundo e Olimpíadas podem trazer reais benefícios à diversas áreas e não somente ao esporte, como muitos enxergam quando querem ir contra o fato do Brasil sediar os eventos. No entanto, a habitação é um ramo com o qual não enxergo qualquer relação, qualquer forma de trazer benefícios. Muito pelo contrário! Sabe-se muito bem o quanto a China desabrigou e desrespeitou cidadãos, moradores, para desocupar e também 'limpar' a cara da cidade do que consideram desprezível: mendigos, sem-teto, pobreza, etc., mandando de volta ou simplesmente expulsando pessoas de Beijing.

Pensando no Brasil é óbvio que o governo tentará fazer o mesmo - o que acho muito difícil, principalmente no Rio de Janeiro, - mas vontade é o que não falta, claro. Nosso governo quer passar por cima de direitos humanos e direito à habitação para fazer seu evento de sucesso e ganhar dinheiro de várias formas.

Em Porto Alegre, há um bom tempo, já existe um comitê que defende a obediência aos direitos humanos e confronta e se comunica com o comitê local para atrocidades aconteçam. Espero que consigam bons resultados.

A especulação imobiliária e valorização dos imóveis nas cidades acontecerá, não há muito como fazer - imagino eu -, mas dá para evitar, ao menos, que milhares de pessoas sejam tiradas de suas residências, relocadas para qualquer lugar aleatório. Não é só questão de qualidade de moradia, mas mudar pessoas de região, bairros, etc, implica diretamente em suas vidas, trabalho, proximidade de outras pessoas da família, escola, não é simplesmente mudar de local como se fossem objetos, mesmo que seja para um residência melhor - o que, na maioria das vezes, não é, resumindo em bairros distantes, longe dos holofotes, sem equipamentos ou até mesmo provisórios.

Esta semana me deparei com o texto da brilhante arquiteta e urbanista, Raquel Rolnick, que é relatora das Nações Unidas para o Direito à Moradia e neste texto dá-se uma noção de como sofre a habitação e um histórico de megaeventos esportivos e suas atitudes quanto à moradia. Abaixo, o link do texto:

Olimpíada e Copa trazem prejuízo social


Fiquem a vontade para sempre debater o tema dos posts, realmente gosto quando se tem discussões, opiniões, referências novas sobre o mesmo assunto ou algo relacionado. O blog cresce com quem comenta.

2.5.12

Estrutura de base para um país olímpico

Bato muito na tecla de que o Brasil está aproveitando mal os eventos esportivos que o país sediará - tanto Olimpíadas como Copa do Mundo.

Sempre próximo aos eventos, o país quer um resultado melhor, embora não invista nem nos atletas, nem em equipamentos, sempre dando valor às poucas e sortudas modalidades como futebol, natação e quiçá um volley, volley de praia, ginástica ou atletismo. Isso só porque temos destaques com atletas que surpreendentemente tiveram resultados basicamente conquistados através de seu talento e esforço árduo, pouco por causa do apoio do governo.

Esse é o momento para angariar verba para equipamentos de modalidades que possam virar potencial para um Brasil olímpico no futuro, ou que possa, inicialmente, colaborar com uma melhora e buscar uma melhora simbólica em medalhas nos Jogos Olímpicos de 2016. Porém, o quanto vemos de equipamentos bons e públicos para que tenhamos revelações e treinamentos de ponta para os atletas? Nada. E quanto ouvimos atletas sem patrocínio, sem lugar, sem salários e sem equipamentos decentes para treinar e se sustentar? Aos montes. É por este motivo que fiz este post, para mostrar equipamentos de qualidade pelo mundo, que poderiam ser feitos até com patrocínio privado, mas iniciativa pública. Não precisa ser um projeto 'estratosférico' nem 'megalomaníaco', mas algo específico para as modalidades, como treinamento de base, para democratização de modalidades esportivas ou para diminuir o custo de algumas delas, como tênis, esgrima, entre outras. E não vale só Rio de Janeiro. Se o Brasil é olímpico, o Brasil tem que ter equipamentos. Não vale considerar que todo interessado tenha que se mudar para o RJ - isso não é democratização do esporte, isso não facilita ter um contato inicial com uma modalidade. Para se achar talentos, tem que ter espaço e treinamento por todo lado, é por este motivo que o futebol tem tantos talentos, pois escolinha de futebol e campinho desenvolvem e divulgam talentos em qualquer parte do país, com custo baixíssimo.

Em breve, farei post de equipamentos de múltiplas modalidades (como a Arena Bilbao) ou de modalidades diferentes do futebol.

Podemos ver que nossos projetos para a Copa são somente estádios, poucos pensam em outras modalidades e estas deveriam ser preocupações governamentais, inclusive para manter o uso dos equipamentos após os eventos e, pelo 3º caso citado acima, dá para ver que dá, facilmente de promover mais esportes em um único equipamento, desde que um, não interfira na qualidade do outro - como estádios com pistas de atletismo, por exemplo, influenciando na visibilidade e proximidade do campo (principalmente atrás dos gols.

Lembro também que equipamentos deste tipo podem ser estimuladores de desenvolvimento urbano. Funciona da mesma forma como defendo a construção de alguns estádios da Copa. O equipamento leva o que deveria ser obrigação do governo para bairros geralmente esquecidos, também fomenta a circulação noturna, o que traz segurança ao bairro, leve interesses comerciais, o que traz mais investimento privado. São consequências da construção que vêm por meio indiretos.

Vamos então à equipamentos interessantes em termos urbanos, mas que são de futebol. Clicando no título delas, você será redirecionado à uma matéria do projeto no portal Arch Daily (em inglês, com o tempo se procurar, no Arch daily Brasil, poderão encontrar em português):





Fica uma excelente dica de leitura sobre o dinheiro 'investido' no esporte, por José Cruz:

"Verbas para o esporte: um desperdício olímpico"

27.4.12

Reavaliação das arenas da Copa

Nem todos sabem, mas este blog nasceu da candidatura do Brasil para ser sede da Copa do Mundo 2014 e da paixão por estádios desenvolvida ainda durante a faculdade. Logo que criei o Gol da Arquitetura, que as cidades foram eleitas, resolvi fazer uma avaliação técnica das propostas de estádios e das melhorias em infra-estrutura que elas também tinham em mente. (confira no primeiro ano do blog na aba a direita onde consta o histórico de posts)

No entanto, as coisas mudam, projetos são trocados, propostas se desenvolvem e novas tecnologias e intuitos e idéias podem aparecer. Por este motivo, me pediram para que usasse minha coluna semanal na Universidade do futebol para que refizesse essa avaliação técnica de arquitetura e urbanismo para entender a evolução das propostas, ver se estão no caminho certo e o que ainda seria bom mudar. 

Esta semana foi publicada uma das mais polêmicas cidades: Cuiabá. Espero que gostem e que, se quiserem e puderem, comentem, por email, ou aqui no blog. Gostei muito da participação de todos aqui quando a primeira versão foi feita. Clique abaixo para ver a análise da cidade mato grossense que sediará o evento:


Quem ainda quiser rever o texto antigo, mas que abrange mais coisas de cada cidade e retomar a discussão, fiquem a vontade. Clique aqui.

7.4.12

Itaquerão e sua estátua facilitarão marketing do corinthians

Recentemente escrevi sobre as potencialidades da estátua de São Jorge que prometem colocar em frente ao estádio Itaquerão do Corinthians. Leia aqui.

E aproveitei esta semana para escrever mais um pouco sobre o assunto, com alguns dados de clubes e referências internacionais e a estratégia do Corinthians, Santos e Internacional. Ele foi publicado esta semana na minha coluna semanal na Universidade do Futebol. Clique aqui para ler.

Espero que gostem que comentem, lá ou por aqui mesmo.
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